Páginas

02 novembro, 2012

Capítulo 28


Não a deixei falar mais nada. Saí correndo e fui ao hospital o mais rápido que pude. Cheguei e a vi lá deitada. Ela chorou despedaçando meu coração. Abracei— a com amor e me desculpei. Como sempre bondosa e altruísta acenou negativamente insinuando que não precisa me desculpar. Quando prometi ir atrás da Verônica ela insistiu veemente que não. Deixei para resolvermos quando ela pudesse falar.
— Queridos, preciso ir agora, está tarde. Amanhã volto para te visitar Charlie. Se precisarem de algo me liguem. Pode me acompanhar Caine?
— Claro. – Logo que saímos do quarto ela começou a falar.
— Caine, acho que é melhor você ficar com isso. – Ela me ofereceu um pequeno bolo de dinheiro.
— Não posso aceitar mãe.
— Aí tem umas £300 vai dar para você passar um bom tempo.
— Não posso viver de mesada.
— E se você estivesse em casa ia viver de que?
— Mãe...
— Caine toma meu celular e se precisar me liga no outro número. Vou mandar algumas roupas suas que ficaram em casa para o galpão. Não quero mais discussões sobre esse assunto, até mais.
Quando minha mãe foi embora e fiquei lá com ela, entre carinhos, beijos, abraços e atenções das quais ela precisava. Pela manhã antes dela acordar saí e comprei uma flor para ela. Quando voltei estava acordada e podia falar. Discutimos sobre a Verônica, mas ficou tudo bem. Agora ela teria que explicar à mãe o que aconteceu.
— Mãe, preciso contar uma coisa. Sofri um pequeno acidente... Não mãe não quebrei nada. Estava atravessando a rua em frente a um parque e não vi uma bicicleta. O garoto bateu em mim, mas nem cai, apenas bati num poste... Sim, estou no hospital em observação e saio ainda hoje... Para que mãe? Não vou pagar esse mico. – Escutei um grito de “Agora!” – Doutor ela quer falar com você. – E sussurrando tapando o fone – Fala alguma coisa. Fala logo se não ela vem até aqui. Rápido Caine. – Peguei o telefone desnorteado. Não sabia o que dizer.
— Alô? Sim Sra. Camarillo ela está bem. Meu nome? Dr. John Simpson. Ela sofreu algumas escoriações no braço esquerdo na altura do deltóide, nas pernas perto do joelho e no pescoço. Disse que bateu no poste quando caiu. Está bem, alguns curativos um analgésico se por acaso ela sentir dor e tudo voltará ao normal. De nada Sra. Camarillo ao seu dispor. Ela quer falar com você.
— Está satisfeita mãe? Estou indo para casa... Sim vou comprar o remédio e ficar em casa descansando. Amanhã estarei nova em folha e irei para a escola normalmente. Não quero perder aula por causa de um arranhãozinho bobo... Também te amo mãe e se precisar de algo ligo tudo bem? Até mais. Nossa ela ficou louca. Disse que se não a deixasse falar com o medico responsável ela viria aqui ou mandaria os Guimarães virem me ver que loucura!
— Tem noção de que menti para sua mãe?
— Se saiu muito bem por sinal.
— Charlotte!
— O que preferia? Que eu contasse que sua ex— namorada vampira quase me esganou?
— Claro que não.
— Então relaxa. Vou contar às meninas. A elas posso falar a verdade.
— Tudo bem.
Sabia que ela estava louca para contar a elas. Só não falou antes porque não podia falar. Ligou falou com uma de cada vez, cruzaram a linha e ela pôs no viva voz.
— Alô meninas?
— Sim, estamos aqui.
— Falem em inglês. Estou ligando do hospital.
— O que?
— O que houve?
— A ex— namorada do Caine me atacou. Quase me esganou.
— O que? De onde ela surgiu? Das trevas?
— Pode— se dizer que sim.
— Caine?
— Sim. De onde ela veio?
— Apareceu na minha casa dizendo que queria voltar e que eu tinha sido selecionado para ficar ao lado do clã dela.
— O que? Que louca.
— Por que justo você foi selecionado?
— Segundo ela por causa das minhas visões.
— Visões?
— Sim. Tenho algumas visões de passado e futuro e descobri ontem que de presente também.
— Foi isso que nos salvou.
— Como são essas visões?
— As tenho de repente, mas principalmente quando toco a marca da mordida que me transformou. São flashes claros e bem reais de coisas que aconteceram, vão acontecer ou estão ocorrendo no momento. A Verônica quer usar esse dom numa disputa com outro clã liderado por uma vampira qual o nome dela mesmo?
— Brianna Comte.
— Isso. Brianna Comte.
— Nossa parece nome de guerra.
— Como assim?
— Nada esquece.
— Sim, elas disputam algo e querem me usar como oráculo. Não vou servir de bola de cristal para ninguém.
— Isso mesmo Caine, manda as duas para...
— Bom gente. Precisamos ir não é mesmo Glorinha?
— É gente, desculpa. E você precisa descansar Char. Depois nos falamos.
— Até mais Caine.
— Até Julie, até Anne.
— Até. Beijos Char.
Desligaram e logo em seguida o médico de verdade entrou.
—  Bom Srtª. Camarillo analisei seus exames, mas não houve nada de grave. Queria conversar sobre o que aconteceu. Como tudo ocorreu?
— O Caine me deixou em casa e foi embora. Jantei e estava vendo TV quando a campainha tocou. Abri e um homem entrou querendo assaltar minha casa. Disse que sabia que eu era estrangeira pelo sotaque e que estrangeiros não são bem— vindos. Disse que não daria nada então ele me agarrou pelo pescoço. Caí no chão e comecei a tossir e gritar então ele saiu correndo do apartamento assustado eu acho.
— Quando estava perto de casa vi que não estava com minha chave. Voltei para procurar e a porta estava aberta. Entrei e a vi no chão.
— Você quer dar queixa, precisa que chame a polícia aqui?
— Não! Não precisa. Meus pais ficariam loucos no Brasil. Não é preciso. Qualquer coisa entro em contato com a polícia.
— Tudo bem. Você está de alta. Esse remédio é para dor de garganta. É um spray e vai adormecer sua garganta caso sinta ardência ou dor.
— Obrigada.
— Cuide— se.
— Estou pronta para ir. Vamos?
— Vai vestida assim? – Ela se olhou e sorriu encabulada. Estava com um camisolão de hospital.
— Preciso me trocar não é?
— Sim, seria melhor. Te espero no corredor.
— Tudo bem.
Alguns minutos depois ela saiu vestida com a roupa que estava ontem: uma calça folgada e uma blusa de mangas leve. Peguei meu casaco e vesti nela.
— Está melhor. Sentia— me melhor em sair com o camisolão.
Rimos e saímos andando. Chamei um táxi e fomos para o apartamento dela. Ela pediu que eu esperasse, foi ao quarto e se trocou. Esperei sentado no sofá e quando ela voltou trouxe um lençol se sentou ao meu lado com as pernas em cima do assento e se encolheu em meu peito nos enrolando com o lençol e segurando minha camisa. Começou a derramar algumas lágrimas.
— Você está bem?
— Sim só estou assustada. Amanhã tenho aula, mas não queria me separar de você.
—  Eu sei que será difícil se acostumar, mas ficará tudo bem. Não vou te deixar. Você irá com a Carly para a escola como sempre e te pegarei na parada do ônibus. Não é bom que saia muito.
— Não pretendo. Se você ficar aqui comigo não terei porque sair.
— Tudo bem. Ficarei, mas temos que nos cuidar para que ninguém me veja. Não será bom você manter um homem na sua casa.
— Não será bom para quem?
Ela riu maliciosamente e me beijou. Ficamos assim por algum tempo e conversamos sobre coisas amenas, nada que envolvesse a Verônica ou a Brianna. A mãe dela ligou novamente.
— Estou bem mamãe. Também te amo e sei que só quer meu bem, mas não precisa tanto desespero, falou com o Dr. Stuart e... O que? Sim claro Dr. Simpson, e está tudo bem... Sim já comprei o remédio. Estou deitada na cama... Sim, estou bem para ir ao colégio não se preocupe. Até mais. Manda um beijo para o papai. Ok. Tchau.
— Tudo bem?
— Sim. Ei, quando teremos um feriado?
— Em breve. Terá a sexta— feira Santa e a segunda de Páscoa.
— Então terei quatro dias de folga?
— Teoricamente sim.
— Por que teoricamente?
— Acha que te deixarei ter folga justo no dia do meu aniversário?
— O que? Quando?
— Na sexta— feira.
— Porque não me disse antes?
— Não havia necessidade. Disse agora, pois estou pensando na minha comemoração.
— Sério? E como você pretende comemorar?
— Prefere que eu diga ou que eu mostre?
— Fica ao seu critério.
Puxei— a para mais perto e a beijei que respondeu da mesma forma apaixonada. Beijávamo— nos cada vez mais e mais apaixonadamente. Agi faminto quase devorando seus lábios. Ela parou de repente.
— Há quanto tempo você não se alimenta?
— O que? – Não era um assunto muito agradável naquele momento.
— Há quanto tempo?
— Não sei, uns quatro eu acho.
— Não está na hora?
— Sim, mas não sei onde arranjar alimento.
— O que faremos?
— O que eu farei? Não sei, só não quero que se preocupe com isso.
— Como não me preocupar?
— Só deixe para lá.
— Tive uma ideia.
— Lá vem você com suas idéias.
— Sério escuta. Você precisa matar para se alimentar?
— Não sei nunca testei. As vezes que bebi foi todo o sangue então não sei se se eu deixar sangue as pessoas ficarão vivas.
— Quer tentar...
— Não! Que ideia é essa?
— Espera, não terminei. Não ia dizer para você me morder. Ia dizer para você tentar ver algo da sua mudança. Concentre— se, talvez funcione. Se fosse algo tão variável assim e independente da sua vontade aquela nojenta não quereria te recrutar.
— Você tem razão deve ser algo que possa controlar com prática.
— Então tenta.
Toquei a marca e não aconteceu nada então comecei a me esforçar para me lembrar do que fiz depois que saí de casa. Minhas lembranças me levavam para uma rua e só. Não passava daí.
— Não dá, não lembro.
— Calma Caine. Foco!
Toquei a marca de novo e fiquei tentando me lembrar, me esforçando. Não vinha nada, não lembrava nada até que quando estava para desistir vi flashes de um jantar, com várias pessoas ao redor da mesa em um brinde. Tirei a mão e perdi a visão.
— Eu vi! Havia uma mesa com várias pessoas. Reconheci a Verônica e vi um homem aparentemente jovem à cabeceira da mesa puxando um brinde. Todos me olhavam. Foi muito real.
— Com certeza. Seus olhos estão brancos. Quer tentar de novo?
— Sim claro.
Pus a mão no pescoço e fiz mais força focando no que tinha acabado de ver. Tudo passava como um filme mudo e meio rápido, mas as coisas eram bem claras, não havia margem para dúvidas. Vi a mim e a Verônica subindo uma escadaria e indo para um lugar... um quarto. Era o quarto que havia visto antes nos outros flashes, todo vermelho. Discuti com a Verônica e ela se aproximou envolvente. Beijamo— nos e acabamos na cama com ela de lingerie sobre mim. Droga! Perdi a visão.
— Perdi de novo.
— O que você viu. – Estava sem jeito de contar. – Conta Caine seja lá o que foi.
— Nós estávamos num quarto discutindo. O quarto que vi das outras vezes. Ela veio para cima de mim...
— E te mordeu?
— Isso ainda não.
— Mas você disse que não...
— Não até aquela noite. Não sei o que houve naquele dia. Nem sabia que as coisas tinham chegado até aquele ponto.
— Tá, não quero falar sobre isso. O que mais importante que isso você viu?
— Nada.
— Para onde estava olhando?
O que? Como ela sabia? Mulheres são terríveis quando querem ser. Fiquei desconcertado, mas tentei esconder minha vergonha.
— Para lugar nenhum.
— Mentira. Precisa ver sua cara. Estava olhando para ela.
— Charlie para.
— Tudo bem não vou brigar com você por causa dela dessa vez. Ela já se meteu demais onde não devia.
— Também acho.
— Você não tem que achar nada.
— Como você quiser.
Abracei— a e ela ainda estava irritada. Falei ao seu ouvido.
— Só acho o que você quiser.
Ela riu e ficamos lá tentando ver mais alguma coisa, mas nada. Ela foi dormir tarde apesar dos meus apelos. Pela manhã deu trabalho para levantar como eu já dei muitas vezes à minha mãe.
— Charlie acorda. A escola.
— Só mais um pouco Caine que saco.
— Não, acorda. Você disse isso há dez minutos. Vamos, anda.
— Que chateação. – Ela se levantou com raiva e bateu a porta do banheiro quando entrou. Fui para a porta do banheiro e falei mais alto para que ela pudesse ouvir.
— Você sabe que precisa ir.
— Sei, mas estou com sono.
— A culpa é sua. Te disse para ir dormir, mas preferiu ficar conversando.
— Tá Caine. A culpa é minha. – Ela falou meio irônica, meio chateada.
— Seu café está pronto.
— Não estou com fome.
— Sabe que precisa comer. Não queimei tudo para agora ter que jogar fora. Vai ter que comer.
Ela saiu do banheiro ainda irritada e quando chegou à cozinha começou a rir descontroladamente. Está certo que queimei o pão e o café parecia horrível, mas não precisava humilhar. Fiz cara de decepção fingida e ela ficou pesarosa.
— Desculpa Caine, mas não pude controlar.
— Tudo bem, quer se desculpar?
— Sim.
— Come então.
— Quero me desculpar, não me auto— flagelar.
Rimos juntos, mas ela acabou comendo o máximo que aquele horror permitiu. Beijamo— nos e ela se foi com a Carly. Passei o dia sem fazer nada de um lado para o outro, vendo TV, fazendo algo para comer para quando ela voltasse e decidi tentar mais algo sobre as visões. Fui tomar um banho e quando toquei a marca dessa vez foi mais fácil. Vi o jantar e tentei focar no quarto. Foi como um filme que é adiantado por capítulos. De repente nos vi no quarto. Beijávamo— nos e ela estava me seduzindo. Beijava meu pescoço faminta e quando menos esperei senti algo incômodo, dolorido. Ela me fez beijar seu pescoço e senti gosto de sangue: ela havia cortado sua nuca e quando senti o sangue na minha boca as coisas pioraram. A mordida queimava muito e no auge da dor e da minha loucura o homem da cabeceira da mesa entrou brigando com ela que tinha se vestido muito rapidamente, mesmo para uma vampira. Foquei nos lábios deles como pude para tentar ler o que eles diziam. Era uma discussão... Sobre algo ser cedo... Ele perguntou se houve troca de sangue. Era isso! Precisava haver troca de sangue para a mudança. Tirei a mão do pescoço e dei um grito de alegria. Contive— me na mesma hora. Saí do banho, me vesti e fiquei consternado. Estava eufórico, louco para contar a ela o que descobri afinal a ideia foi sua. Faltava quase duas horas para ela sair e não agüentava ficar preso entre aquelas paredes. Decidi que precisava de roupas, logo fui para casa buscá— las. Quando arrumei tudo fui para a parada de ônibus esperá— la.

Nana&Karol 

Capítulo 27


O Caine estava arrasado, mas não tinha o direito de me tratar como uma idiota. É claro que eu sabia da dimensão do problema, mas ele estava tão transtornado que não entendeu que só quis amenizar a situação. Também estava com medo daquelas mulheres apesar de estar com muita raiva delas. Aquela nojenta da Verônica me deixou muito, muito irritada. Como ele ficou tanto tempo com ela? Quem ela pensava que era para chegar na casa do MEU namorado e achar que tinha o direito de interferir na vida dele? Ela me irritou de verdade. Se a visse na minha frente de novo a bateria tanto! Só por ter dado em cima dele e tê— lo ameaçado daquele jeito.
Estava nesse pensamento virada contra ele enraivada quando ele me abraçou pelas costas. O pior era ter quer controlar nossos encontros. Ia morrer de saudade do Caine. Não tinha nada de interessante para fazer aqui fora a escola. Nada era interessando quando ele estava longe nem mesmo Londres. Fomos para casa num clima meio tenso. Ele por causa da ameaça a nós—  principalmente por ela ter me citado—  e eu por estar com medo de ficar sem ele, por ele e por mim. Se ficássemos juntos seria melhor. Protegeríamo— nos e não ficaríamos preocupados com o que estaria acontecendo com o outro. Pena que ele não concordava comigo.
— Não vai nem entrar?
— Não. Quanto menos tempo ficarmos juntos será melhor. Preciso ir. Eu te amo muito.
— Também te amo.
Ele se foi e me deixou não por escolha, mas por imposição. Fui ao quarto, tomei um banho, penteei o meu cabelo assanhado que estava úmido quando saí pela manhã, vesti uma roupa confortável e fui comer algo. Fiz macarrão com um tempero melhor que da última vez. Não tinha nada para fazer mesmo e não precisava dormir cedo. Comi vendo TV. Passava um programa de humor, então aumentei o volume e enquanto lavava o que sujei dei boas risadas. Voltei para o sofá e quando me sentei a campainha tocou. Era ele? Levantei empolgada achando que ele tinha mudado de ideia e ficaria comigo de novo, mas quando abri a porta minha cara caiu no chão.
— Sim, em que posso ajudar? – Tentei disfarçar, mas me saí horrível.
— Sumindo das nossas vidas.
— Não estou entendendo. De quem está falando?
— Você sabe bem de quem estou falando. – Fingiria até a morte. O Caine me mandaria agir assim, por precaução.
— Não, não sei. Quem é você?
— Sou a namorada do Caine e você sabe muito bem disso. Vai dizer que já esqueceu que me viu a pouco na casa dele.
— Não saí de casa hoje.
Ela apertou os olhos, irada e entrou no meu apartamento fechando a porta. Veio caminhando na minha direção enquanto eu recuava.
— Não se faça de idiota. Sabe bem que o Caine passou a noite aqui com você – e falou “você” como se fosse cuspir no meu rosto — , vocês foram para a casa dele e enquanto você se escondia como uma ratazana covarde nós conversamos.
— Cala sua boca e sai da minha casa sua cobra. Você não tem o direito e interferir nas nossas vidas.
Droga! Falei demais. Ela também me tirou do sério. Se fosse a Glorinha já tinha partido para cima dela com certeza.
— Oh, agora sabe quem sou e de quem estou falando, sua sonsa.
— Não fala assim comigo! Como é que você vem à minha casa e entra sem ser convidada para me destratar? Não tem noção das coisas, não garota? Não se mete na minha vida nem na do Caine ou...
— Ou o que? – Ela se aproximou de mim me enfrentando. O que eu disse mesmo que faria quando a visse? Fiquei sem palavras para responder à altura.
— Sai da minha casa sua louca. Já disse para sumir. Não cansa de ser enxotada? O Caine não te quer – e falei bem devagar me deliciando com cada sílaba — , ele mesmo disse isso ou você já esqueceu? – Falei no mesmo tom irônico que ela usou quando me fez essa pergunta – Ele te expulsou de lá, da vida dele e sabe por quê? Porque só eu caibo na vida dele a partir de agora. Não tem espaço para você mesmo tendo feito o que fez. Ele não te ama, nunca amou e nem te quer agora.
Cara ela estava me olhando com uma cara de fúria que não sei como tive coragem de falar tudo isso. Estava a ponto de sufocar com essas palavras na garganta, precisa jogar tudo na cara dela. Infelizmente ela não chorou e saiu correndo como era a minha intenção, fez justamente o contrário. Veio na minha direção batendo o salto no chão com muita força e levantou a mão na altura do meu pescoço. Tentei driblar a mão dela, mas a Verônica foi mais rápida. Pôs a mão no meu pescoço e apertou com força. Fiquei sem fôlego e tossi até quando meu ar se esgotou de vez. Meus olhos lacrimejaram enquanto ela se deliciava com cena,
— Vamos ver se quando você estiver fora do meu caminho o Caine não corre de volta para mim. Ele deve ter se encantado com a brasileirinha bronzeada. Tudo que é novidade é bom, mas enjoa. E antes que você o faça enjoar eu cuido de você. Será um favor para ele. Depois ficará grato a mim.
Ela falava com cara de nojo me olhando e apertava cada vez com mais força. De repente ela me largou. Caí no chão com toda força de bruços e fiquei lá escutando coisas vagas, sem ar e quase desmaiando. Não tinha forças nem para abrir os olhos.
— Droga! O que ele faz aqui?
Ela saiu correndo pela porta e em menos de três minutos o Caine entrou correndo pela porta. Ele segurou meu rosto e tocou meu pescoço. Doeu. Chegou perto de mim, levantou e pegou o telefone.
— Alô, preciso de uma ambulância urgente. Acho que foi estrangulamento. Sim, respira, mas com dificuldade...
Sério que eu ainda respirava? Ele passou todas as informações pelo telefone e o meu endereço. Depois correu acho que na direção do quarto e voltou.
— Calma meu amor tudo ficará bem. Estou aqui e você tinha razão: não podemos nos separar. Ficarei com você até quando puder. Eu te amo te amo mais que tudo.
Estava mais tranqüila por tê— lo ao meu lado e por ela ter ido embora. Pedi a Deus intimamente para nunca nos separar. Alguns minutos depois chegaram várias pessoas. Mexeram em mim cuidadosamente, me puseram numa maca com um balão de oxigênio e fizeram alguns exames clínicos. O Caine explicou que quando chegou me encontrou no chão e ligou para alguém. Algum tempo depois a mãe dele chegou e me desceram para uma ambulância. Ela estava comigo.
— Calma querida ficará tudo bem.
Fiz todo o esforço que pude e consegui falar.
— Caine...
— O Caine não está aqui, mas logo chegará. Nós te amamos e cuidaremos de você.
Ela falava muitas palavras carinhosas comigo e me acalmava, mas eu queria o Caine. Chegamos bem rápido ao hospital e lá fizeram exames e falaram muito. Era mais confortável para mim ficar com os olhos fechados, mas sempre tive bastante noção de sons e não era difícil saber o que se passava ao meu redor mesmo sem enxergar. Depois de muito ir e vir de médicos e enfermeiros constataram que eu ficaria sem poder falar por algumas horas só para que minhas cordas vocais voltassem ao normal. Estava inflamado; deve ter sido por causa da tosse enquanto ela apertava. A Lorenna entrou no quarto quando foi autorizado.
— Você não pode falar. Precisa descansar suas cordas vocais para não prejudicar sua voz. Vou fazer umas perguntas e você responde balançando a cabeça ok?
Acenei positivamente.
— Está sentindo dor em algum lugar?
Acenei negativamente.
— Precisa de algo?
Novamente acenei negativamente.
— Quer que eu ligue para o Caine agora?
Acenei positivamente tão enfática que ela sorriu.
— Tudo bem querida já imaginava nem sei por que perguntei. Vou ligar agora mesmo. Ele deve estar totalmente aflito.
Ela pegou o celular e discou o numero que devia ser o da minha casa.
— Caine? Pode vir. Ela acordou e está bem... Ela não pode falar agora... Ela precisa descansar a voz... Não demora falando se não ela vai querer falar. Só um instante.
— Charlie? Me perdoa meu amor. Eu te amo tanto. Você está bem?
— Sim Caine, vem para cá, por favor. Preciso de você. —  Ele desligou o telefone.
— Charlie! Você não pode falar.
Olhei para ela desculpando— me e ela entendeu.
— Ele desligou?
Acenei positivamente. Ela desligou. O hospital ficava a uns dez minutos de distância da minha casa, mas em uns seis minutos ele chegou. Entrou no quarto e me olhou desesperado. Chorei e estendi a mão na direção dele. Ele veio rapidamente na minha direção segurou minha mão e me puxou levemente para um forte abraço. Não sentia dor nem nada do tipo, mas só de alívio chorei emocionadamente. Ele me abraçava cada vez mais forte e sussurrava ao meu ouvido.
— Por favor, me perdoa. Foi tudo culpa minha. Não deveria ter te deixado sozinha. – O larguei e fiz que não com a cabeça franzindo o cenho como se estivesse dizendo que a culpa não foi dele que me abraçou novamente. – Você é tudo para mim, minha vida, minha alma, meu ar. Se algo de grave tivesse acontecido eu morreria. Isso não vai ficar assim. Vou atrás dela e ela vai se arrepender de ter ido ao seu encontro, de ter voltado e interferido em nossas vidas.
Como ele sabia que tinha sido ela. Poderia ter sido um assalto. E como ele chegou tão rápido. Não tinha parado para pensar nisso até agora. Olhei— o confusa e interrogativa. Ele me olhou com um sorriso.
— Eu te vi. Vi vocês brigando e ela se aproximar de você e senti que não por um bom motivo então corri até sua casa e te achei no chão. Infelizmente ela já havia ido embora, mas não vai conseguir se esconder por muito tempo. Vou caçá— la até o inferno e fazer ela se arrepender de ter chegado perto de você.
Olhei— o assustada e fiz que não com a cabeça. Não era para ele se vingar. Não era para ele se arriscar. Precisava falar, mas quando tentei minha garganta ardeu me lembrando que era preciso repousar. Segurei firme o braço e a camisa dele, olhei no fundo dos seus olhos e acenei negativamente. Ele me olhou por uns instantes, mas desviou o olhar e me abraçou. Sabia que ele não me obedeceria e fiquei irritada com isso. Não retribui o abraço e ele me olhou novamente. Olhei para ele com um rosto chateado.
— Sei que você não quer isso, mas precisa ser assim. Se eu não for atrás dela ela virá atrás de nós. De você novamente então é melhor acabar com isso.
Olhei para a janela irritada. Depois a desobediente era eu. Que droga! Será que ele não percebia que estava zelando pelas nossas vidas, pela nossa união. Sabia óbvio, que ela viria atrás de nós, mas por enquanto não. Ela sabia que ele estava irritado com ela e não se arriscaria tanto sabendo de todo o potencial dele. Já havia feito muita bobagem até aqui e não faria mais uma por capricho. Então não havia tanta pressa para ele sair com tanta euforia trás dela e guiado pelo sentimento de vingança. Isso nunca dava certo.
— Tudo bem. Espero você melhorar para conversarmos sobre o que vamos fazer.
— Também acho que será melhor assim. Guiado pelo ódio e impulsividade você não vai conseguir nada além de se matar e eu não agüentaria isso novamente. Nós te ganhamos, eu de volta, e não queremos te perder para ela. Realmente quer dar esse gostinho à Verônica?
— Claro que não. Vocês têm razão.
— Sempre temos razão.
Ela se aproximou e nos abraçamos sorrindo. Ela afagou nossas cabeças me deu um beijo no rosto e um na testa dele.
— Preciso sair um minuto para ligar para o Richard. Ele deve estar preocupado. Saí dizendo que a filha de uma amiga estava mal e precisava de ajuda. Com licença.
Quando ela saiu ele me abraçou de novo forte e me beijou delicadamente no pescoço. Fiz cara de “deve estar horrível” ao pé que ele respondeu.
— Não está tão ruim. Terá que usar cachecol por uns dias, mas aqui isso não será problema. Ficará ainda mais linda.
Sorri para ele e me aproximei para um beijo. Ele me olhou duvidoso e respondi com um olhar tipo “não posso falar. Só falar.” Então ele me abraçou forte e me beijou apaixonadamente e ansiosamente entre sussurros de “eu te amo”. Quando nos acalmamos ele se sentou ao meu lado com uma perna em cima da maca e fiquei encostada ao seu peio descansando.
— Queridos, preciso ir agora, está tarde. Amanhã volto para te visitar Charlie. Se precisarem de algo me liguem. Pode me acompanhar Caine?
— Claro. – Ele me olhou como se pedisse licença e seguiu— a.
Ela me beijou no rosto e se foram. Pouco depois ele voltou e ficamos lá: ele falava e eu ouvia e sempre que a enfermeira estava chegando ele se levantava rapidamente e se sentava na poltrona ao lado da cama. Quando ela saia ele voltava.
— O que quer saber?
Apontei para ele e fiz um gesto que demonstrava algo pequeno. Queria saber da infância dele.
— Quer saber sobre mim quando eu era criança?
Acenei positivamente.
— Bom, eu sempre fui uma criança tranqüila. – Olhou— me irônico e riu. – dei muito trabalho à minha mãe. Já fugi de casa por brincadeira, já matei um peixinho. Uma vez derrubei a cinza da lareira no tapete novo dela. Minha mãe quase teve um infarto. Fiquei um mês sem TV. Foi um martírio para mim. Era viciado em vídeo game até os doze anos. Depois achei algo mais divertido para fazer: comecei a namorar e esqueci o vídeo game.
Bati levemente nele que gargalhou. Sorri também e fiz sinal para que continuasse.
— Não tenho muito que falar. Sempre tive muitos amigos, era bom aluno naturalmente, as pessoas gostavam de mim de verdade. Pena que perdi tudo isso agora.
Olhei— o e ele estava com um ar vago, reticente então cutuquei sua barriga e apontei para mim. Ele me olhou declarativo e me beijou.
— Realmente você é mais importante que tudo isso que citei.
Ficamos assim até que dormi. Acordei pela manhã com a enfermeira ao meu lado olhando uma ficha.
— Está tudo bem com você? Precisa de algo?
Respondi com a cabeça sim para a primeira pergunta e não para a segunda.
— Já pode falar agora meu bem. Só não exagere. Vá começando devagar. Vai doer um pouquinho, mas é normal em alguns minutos passará.
— Ainda bem. Não agüentava mais essa situação. Nunca fui boa em mímica. Sabe onde está meu acompanhante?
— Saiu quando entrei. Disse que voltava logo.
— Obrigada.
Ela sorriu e saiu. Realmente senti certa ardência na garganta e fiquei calada esperando que ele voltasse. Logo, logo ele apareceu trazendo uma florzinha na mão.
— Bom dia, dorminhoca.
— Bom dia meu amor.
— Já pode falar mesmo ou está burlando as regras?
— Estou oficialmente liberada.
— Para você. Eu te amo.
— Obrigada. Também te amo.
— Já comeu.
— Não, vai comer agora. – A enfermeira entrou na mesma hora com uma bandeja com suco, café e uma papinha com um jeito bem estranho. – É para você não engolir nada que machuque sua garganta.
— Tudo bem. – Comi tudo e a papinha estava muito boa. Era aveia com mel e alguma outra coisa que não identifiquei. Quando acabei o Caine me olhava surpreso.
— Sua cozinha é bem desfavorecida para alguém que come tanto.
— Você só me vê comendo quando estou faminta. Não como tanto assim normalmente.
— Vou fingir que acredito. Mas, deixamos algo para hoje lembra?
— Sim, mas não queria.
— O que aconteceu ontem?
— Ela tocou a campainha e como pensei que era você abri logo.
— Te disse para se cuidar.
— Tudo bem já entendi que deveria ter obedecido, mas posso continuar? – Ele me olhou sério. – Ela foi entrando e fingi que não sabia quem ela era. Ela sabia que estava na sua casa ontem. Ela sabia coisa demais e começou a me humilhar. Temos de convir que ninguém ficaria calado ouvindo desaforo então disse para ela sumir que você não a queria. Ela me ameaçou e me esganou. Depois xingou e disse que não deveria estar lá e saiu. Um segundo depois você chegou e já sabe o resto.
— Não deveria tê— la enfrentado.
— Eu sei, mas...
— Charlie não estamos falando de uma ex— namorada ciumenta. Não apenas isso. Ela é uma vampira poderosa e não há páreo entre vocês. Nem entre eu e ela.
— Sei disso, mas não pensei na possibilidade dela querer me matar.
— Te alertei tanto...
— Olha, não preciso de mais sermões. Senti na pele que deveria ter sido mais cautelosa, mas não fui. Passou e agora vou me precaver mais está bem?
— Tudo bem. Não quero te chatear, só quero cuidar de você. Não quero que passe por nada disso de novo.
— Tudo bem e eu só não quero que brigue comigo. Ela iria adorar isso.
— E isso será que a agradaria?
Ele se aproximou com um olhar apertado e perigoso e me beijou como ontem, mas mais rapidamente se afastando e me deixando com ar de “O que? Não terminei.”.
— Com certeza ela não acharia legal. – Rimos. – Preciso ligar para casa para contar que fui atropelada.
— Tudo bem. Ele me deu o telefone e comecei a pensar em alguma desculpa para dar.

Nana&Karol

21 outubro, 2012

Capítulo 26


Nem pude acreditar no que estava vendo. A Verônica! Esperei tanto por explicações e ela me aparece justo quando estava começando a aprender a viver sozinho. O que será que passou pela cabeça dela? Será que achou que eu a perdoaria e ficaria tudo bem? A minha vontade era de estraçalhá— la e de queimar cada parte do seu corpo. Estúpida, víbora. De onde tinha vindo toda aquela raiva?
–Não venha me dizer que você não soube se virar muito bem. Até outra já colocou no meu lugar. – Meu sangue congelou e ferveu diversas vezes sob minha pele â medida que ela falava. Como tinha coragem de mencionar quem quer que fosse que eu amasse? Será que não se dava conta do perigo que corria?
— Não abre sua boca para falar de mim nem de ninguém que faça parte da minha vida.
— Também faço parte da sua vida quer queira quer não. Você está assim hoje por minha causa e isso nunca poderá mudar.
— Quer dizer que você assume?
— Hoje sim. Você está quase no tempo de aumentar seus poderes. Só precisei escavar o terreno. Será mais poderoso que muitos e ficaremos juntos para sempre.
— Se tivesse que passar a eternidade ao seu lado me degolaria antes.
— Não me trata assim. Mostrei— te um mundo novo, uma vida nova e agora você cospe em tudo isso. O que aconteceu com você Caine?
— Aconteceu o que já deveria ter acontecido: abri os olhos para enxergar quem você realmente é. Uma bruxa, uma sanguinária e interesseira. Minhas visões agora fazem sentido.
— Já? Desde quando começou?
— Não importa. Nada que se refira a mim te importa agora.
— É claro que sim. Se você está nessas condições hoje é por minha causa. Eu disse a ele que não importaria o tempo. Você é impetuoso, corajoso e além de tudo poderoso. Suportaria bem e se adaptaria facilmente.
— Não sei a quem se refere, mas se fui tudo isso foi por minha causa. Não poderia conviver comigo mesmo se tivesse agido diferente.
— Claro que não. Você sempre foi o garotinho da mamãe protegido do mundo e até de você mesmo. Nunca se deixou viver nem se libertar.
— Já te mandei embora. O que veio fazer aqui?
— Te buscar.
— Para que?
— Para seguir comigo. Quando tudo começar você será...
— De novo essa história? Quando o que começar?
— Quando a disputa pelos mais poderosos começar. Já estão quase todos selecionados e você é o mais precioso do meu clã. Todos são fortes ou inteligentes, mas você é tudo isso e ainda tem visões.
— Não faço parte desse seu clã. E o que as visões têm a ver?
— Será mesmo que você não enxerga? Com um poder desses poderíamos antecipar muitas coisas.
— Não sabia que seria essa a intenção dela. Usar— me como um oráculo.
— De quem diabos está falando?
— Daquela mulher que esteve aqui atrás de mim. Parecia com você.
— A Brianna Comte esteve aqui? Aquela vaca usurpadora!
— Quem é Brianna Comte?
— É uma mulher sem escrúpulos e sem moral.
— De que você está falando? Escrúpulos e moral? Nem sabe o que é isso. Nunca os usou na vida.
— Não me trata assim, já te falei.
— Vai embora, vai. Nunca mais aparece. Não vou servir a ninguém, muito menos a você sua falsa, mentirosa, traiçoeira. Some da minha vida.
— Vai se arrepender de ter me tratado assim Caine Ventrue. Não conhece o poder da minha vingança.
— Acha que me importo com algo que venha de você Verônica? – A segurei pelo pescoço e apertei até que ela realmente ficou amedrontada. – É a última vez que te aviso Verônica Malkavian: some daqui e não passa nem perto da minha família nem de mim. Nunca mais quero ver sua cara na minha frente. Vai embora agora.
Disse a última frase gritando e a soltei. Ela me olhou fulminante de raiva e deu as costas. Saiu pisando tão forte que pensei que seu salto fosse quebrar. Fechou a porta com tanta força que fez tudo estrondar e uma parte do reboco da parede cair.
A pressão que ela exerceu sobre mim foi tão grande que não agüentei. Foi algo sobre— humano, mais que o vampirismo e mais que tudo que já me aconteceu. Subi desolado e quando olhei a Charlie tão indefesa, tão curiosa ali agachada perto do vidro chorei. Ela levantou correndo e me abraçou com toda sua força. Retribui da mesma forma e quase tirei seu fôlego.
— Ela é...
— A Verônica. Eu sei. –Solucei ainda mais. – Calma meu amor ficará tudo bem. O dia foi intenso, mas tudo acabará. Fica tranqüilo.
— Eu te amo tanto Charlie.
— Também te amo Caine. Senta aqui vem. – Sentamos no colchonete e fiquei abraçado a ela.
— Ela não tinha o direito de aparecer aqui. Ela não tinha o direito de te mencionar. Nenhuma das duas.
— Isso não importa.
— Claro que importa. Se elas falaram é porque sabem o que sentimos um pelo outro. Não sei se serei capaz de te proteger quando elas começarem essa briga estúpida por mim. Você ouviu o que ela disse? Fui selecionado. Que droga! Não sou um objeto. Não vou servir a nenhuma delas.
— Não precisa servir a ninguém. Podemos... ir embora daqui.
— Não adiantaria. Elas realmente me querem e não vão desistir tão facilmente. Você está correndo risco comigo e isso é a única coisa que me importa. Não me preocupo comigo. Estou morto para o mundo e não farei falta a ninguém, mas você tem uma vida e não tenho o direito de colocá— la em risco.
— Se acalma Caine. Vai dar tudo certo.
— Será que você está realmente entendendo a gravidade da situação?
— Claro que estou Caine. Não sou uma criança indefesa como você pensa. Só que estou tentando te acalmar. Não vai adiantar todo esse desespero. Precisa pensar na situação friamente.
Agora ela tinha me surpreendido. Falou como um comandante numa guerra. Estava sendo estúpido e ela logo viu isso. Charlie virou de costas e ficou com os braços cruzados olhando para baixo pela janela. Abracei— a pelas costas, mas ela continuou na mesma posição.
— Sei que estou descontrolado, mas é que não consigo nem imaginar a hipótese de te ver nas mãos daquelas duas cobras. Será a primeira que elas procurarão para tentar me coagir e não estou disposto a te perder para ninguém, muito menos para elas.
— Não irá me perder para ninguém. Daremos um jeito.—  Ela me abraçou e ficamos assim por alguns minutos.
— Precisamos ir. Tenho que te deixar em casa e voltar para cá. De hoje em diante nos veremos mais rapidamente e de preferência longe da sua casa. Não quero te entregar nas mãos delas.
— Isso não, por favor. Não é justo que elas interfiram assim em nossas vidas.
— Não cabe a nós decidir.
— E quanto a eu conseguir tudo o que quiser de você? – Ela falou entre um meio sorriso e passando a mão pelo meu peito até laçar meu pescoço e ficar bem próxima a mim.
— Tudo que depender de mim, mas como já disse não está ao meu alcance.
— Droga! – Ela me largou e fez uma cara de raiva. – Se antes já era complicado te ver imagina agora. Tenho vontade de matá— las. Que droga Caine.
Ela choramingou e derramou uma lágrima, mas prontamente a enxugou com rudeza. Abracei— a com força e falei ao seu ouvido.
— Será por algum tempo. Só enquanto resolvo isso com mais calma. Tem paciência, por favor.
— Só por você.
— Precisamos ir enquanto é cedo. Você também precisa comer algo. Está desde ontem sem comer direito. Vamos.
— Você passou seis dias sem comer.
— Não vou nem te responder.
Olhei— a irônico e ela sorriu. Peguei— a pelas pernas e a pus no ombro. Ela deu um gritinho e se segurou. Desci a escada enquanto ela falava sobre como iríamos nos ver.
— Você pode me buscar na escola.
— Não.
— Me apanhar no café depois da aula.
— Não.
— Caramba Caine e onde será?
— Num lugar aberto o qual você não freqüente costumeiramente.
— Se elas tiverem de aparecer será em qualquer lugar.
— Mas se prevenir é sempre bom.
— Nossa que horror. Nem eu estou tão temerosa assim.
— Mas deveria estar.
— Tá, me põe de volta no chão. – A pus de volta no pé da escada. – Quero ir para casa. Já que terei que ficar sozinha não vou mais adiar a separação.
— Já pensou em ser atriz? Tipo, filmes de drama, guerras. Faria muito sucesso em Hollywood.
— Cala a boca Caine.
Ela me bateu e a beijei. Levei— a para casa sempre olhando para os lados para me certificar de não estar sendo seguido. Quando chegamos subi, mas não entrei.
— Não vai nem entrar?
— Não. Quanto menos tempo ficarmos juntos será melhor. Preciso ir. Eu te amo muito.
— Também te amo.
Beijamo— nos e fui para casa. Estava preocupado com ela, mas seria pior ficarmos juntos. Elas iriam onde eu estivesse e se eu estivesse com a Charlie ela também estaria em risco. Como disse não me importava comigo, apenas com ela e com meus pais no momento. Falaria com minha mãe. Não poderíamos nos ver mais com freqüência para a segurança dela. Cheguei  em casa rapidamente. Se algo tivesse de acontecer que fosse aqui longe de tudo e das pessoas que amo. Seria melhor. Fiquei alerta a qualquer barulho, qualquer coisa que denunciasse a aproximação de alguém. Estava deitado no meu colchonete com o braço atrás da cabeça quando senti meu coração apertado. Era como se o ar tivesse sido retirado de mim. Fiquei gelado e instintivamente toquei a marca. Tive outra daquela sensação de estar voando para algum lugar. Vi a Charlie em casa na frente da TV. Alguém tocou a campainha e ela abriu sem olhar quem era. Não Charlie, não deveria agir assim. Não foi isso que combinamos. Uma mulher entrou e a acuou. Ela estava impetuosa, corajosa e isso irritou a mulher. Falaram, gritaram então a mulher se aproximou. Acabou. Tudo foi embora. Esforcei— me para ver mais, mas fora minha visão que estava muito mais clara, meus olhos aguçados e provavelmente brancos não vi mais nada. Desci correndo e fui à casa da Charlie o mais rápido que pude. Procurei ruas que adiantassem meu caminho e em menos de dez minutos estava lá. Subi correndo e encontrei a porta aberta. Logo a vi deitada no chão estendida de bruços. Seu pescoço tinha marcas avermelhadas que logo ficariam roxas. Senti sua respiração e chegando mais perto ouvi sua pulsação. Estava fraca. Liguei para a ambulância. Meus olhos. Corri ao banheiro e olhei. Estavam brancos ainda então fiz um esforço tentando pensar no azul comum e quando abri estavam normais. Voltei correndo para a sala e fiquei conversando com ela.
— Calma meu amor tudo ficará bem. Estou aqui e você tinha razão: não podemos nos separar. Ficarei com você até quando puder. Eu te amo, te amo mais que tudo.
Estava assim quando a ambulância chegou. Perguntaram o que tinha acontecido, mas não sabia responder. Disse que a encontrei no chão quando cheguei. Enquanto a arrumavam fiquei pensando como iria até o hospital. Um morto acompanhando um doente, impossível. Pensei na minha mãe e liguei para o celular dela.
— Alô?
— Alô, quem fala?
— Mãe. Preciso de você.
— Oh... Janete? O que houve?
— A Charlie. Ela não está bem.
— O que? O que houve com ela?
— Ela está mal, mãe. Preciso que a acompanhe ao hospital, você sabe que não posso.
— Claro querida, não se preocupe te ajudo com a Amanda. Estarei aí logo, logo. Fica calma ficará tudo bem.
Sabia que disfarçava, pois meu pai deveria estar perto. Fizeram os primeiros socorros lá no apartamento e isso deu tempo para que minha mãe chegasse. Ela entrou correndo e me abraçou.
— O que houve querido? – A puxei para um canto sem tirar os olhos da Charlie. Estava sem saber o que fazer desesperado.
— A Verônica apareceu no galpão e a Charlie estava lá, mas elas não se viram. Expulsei— a e ela disse que me queria e que não desistiria. Ela sabia da Charlie mãe. Tive uma visão dela aqui e corri o máximo que pude para evitar, mas ela já havia ido embora quando cheguei. Foi por minha causa que aquela víbora a atacou. O que faço mãe?
— Calma Caine ela ficará bem.
Derramei uma lágrima de desespero e ela afagou meu cabelo como quando criança.
— Preciso de alguém para acompanhá— la para preencher os documentos.
— Eu vou. Espera um minuto, vou pegar a bolsa dela. Não se preocupa querido cuidarei da Charlie o melhor que puder.
Levaram— na e minha mãe foi com eles. Fiquei lá em estado de desespero e ira contra a Verônica. Ah! quando pusesse as mãos naquela peçonhenta a mataria da pior forma possível. Ela não podia voltar de forma catastrófica à minha vida e achar que tem o direito de mudar tudo. Estava sem agüentar de ansiedade, andava de um lado para o outro, passava as mãos pelo cabelo, olhava as fotos dela sorrindo e não agüentava. De repente o telefone tocou. Atendi entre lágrimas.
— Mãe?
— Caine? Pode vir. Ela acordou e está bem.
— Me deixa ouvir a voz dela, por favor.
— Ela não pode falar agora.
— O que houve de errado?
— Ela precisa descansar a voz.
— Só preciso ouvir um sussurro, só isso.
— Não demora falando se não ela vai querer falar. Só um instante.
— Charlie? Me perdoa meu amor. Eu te amo tanto. Você está bem?
— Sim Caine, vem para cá, por favor. Preciso de você.

Nana&Karol