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27 janeiro, 2013

Capítulo 31


Fiquei aflita esperando e nem pensar em dormir enquanto ele não chegasse. Arrumei o quarto, estudei até quando minha paciência permitiu e fiquei vendo TV. Por volta das 11h 30 ele chegou triste. Certamente ninguém havia morrido caso contrário ele estaria bem mais descontrolado.
Fiquei um pouco enciumada quando soube que havia sido uma mulher, mas pensei melhor e cheguei à conclusão de que seria complicado convencer um cara a servir de jantar. A garota passou mal por isso ele ficou daquele jeito. Consolei— o e quando ele se acalmou ficamos abraçados até que dormir.

***

— Não vejo à hora de voltar logo.
— Nem eu. Estou ansioso para o feriado.
— Para o feriado ou para o seu aniversário?
— Para ambos.
— Mas hoje é quinta— feira. Teremos quatro dias e meio para comemorar.  Deixe— me ir agora assim o tempo passa mais rápido.
A Carly estava me esperando como sempre.
— Oi Charlotte bom dia.
— Bom dia Carly e Sra. Johnson.
— Bom dia querida. Planos para o feriado?
— Não muitos só alguns passeios e descanso. E vocês?
— Liverpool. Vamos para a casa dos meus avôs.
— Que legal espero que se divirtam.
Chegamos à escola atrasadas pra variar. Assistimos a nossas aulas e no almoço sentamos juntas, o que era uma novidade essa semana.
— Até que enfim! O que aconteceu hoje?
— Andrew faltou, os pais adiantaram o feriado. Vão para a Itália para a casa dos avós maternos dele. Desculpa te deixar sozinha, mas enquanto o meu pai não aceitar o namoro temos que nos ver escondido. E como estou de castigo o único tempo que temos é a hora do almoço.
— E sua mãe o que disse disso tudo?
— Ela até que apoia, mas não quer ir contra o meu pai e discutir com ele não é o melhor a se fazer.
— Sinto muito por você.
— Tudo bem.
Conversamos mais sobre como ela estava feliz. A Carly e o Andrew haviam se encontrado no sábado e ele a tinha levado para uma das melhores cafeterias da cidade. Eles haviam saído pela tarde e como o clima estava bem calmo a Carly usou um vestido azul Royal e uma legging verde claro com uma sandália baixinha que prendia no calcanhar prendendo o cabelo de modo que algumas mechas ficassem soltas. O Andrew vestia uma calça jeans azul gasta, uma camisa chumbo de manga três quartos e um casaco de couro preto.
Quando eles chegaram a casa dela o pai da Carly já havia chegado do trabalho e começou a discutir com ela sobre ela ter saído com um cara com o estilo do Andrew, ou seja, um roqueiro clássico, digamos assim. Ele ficou com raiva por não ter sido avisado do encontro e mandou o Andrew embora dizendo que não voltasse mais. A Carly pediu desculpas ao Andrew e disse que eles conversariam na escola. Toda essa história a Carly me contou durante a semana em longos telefonemas regados a reclamações e lamentos. Tentei ao máximo consolá— la.
Assisti o resto das aulas, despedi— me da Carly, avisei a Lorenna sobre os planos de Blackpool e fui para a parada de ônibus encontrar o Caine. Ele não estava lá, esperei uns 10 minutos até que comecei a me irritar e fui para casa. Teria que me dar uma boa explicação por ter faltado. Chagando lá coloquei minhas coisas em cima do sofá e fui procurar o Caine em todos os cômodos da casa, mas não o achei. Quando cheguei à cozinha achei um bilhete escrito por ele – ou melhor, pensei que fosse.

Charlie,
Desculpa por não ter ido te buscar.
Encontre— me no galpão.
Caine

Não entendi. Porque ele havia me mandando ir a um lugar no qual me havia proibido de estar? De repente senti uma dor na cabeça quase insuportável; sentei— me e apertei minhas têmporas esperando que a dor passasse. Algo me dizia que eu deveria ir. Troquei de roupa: vesti uma calça jeans azul marinho, uma camiseta lilás, um casaco preto e um tênis All Star preto; arrumei o meu cabelo em um rabo de cavalo meio bagunçado, peguei minha bolsa e sai ao encontro do Caine.
Pequei o mesmo ônibus que havia pegado com ele no dia em que me levou para conhecer o galpão. Quando cheguei tive certa dificuldade para encontrar a rua, pois ainda estava tonta pela dor de cabeça, mas quando a encontrei fui direto ao galpão. Ouvi um barulho de lá de dentro, a porta estava entreaberta então chamei pelo espaço.
— Caine?
— Charlie, sai daqui vá embora. – ele gritou com uma voz embargada de dor e sofrimento. Minha cabeça doeu num estalo.
— O que está acontecendo? – gritei de volta ainda do lado de fora.
— Sai daqui agora!
Sua voz me doeu na alma então não aquentei mais, empurrei a porta e entrei. A visão que tive foi estarrecedora: o meu Caine estava pregado na parede pelos pulsos e tornozelos com estacas de metal ao estilo Homem Vitruviano. Havia sangue seco no seu dorso e nos braços, e pingava algum sangue dos seus pulsos, tornozelos e pescoço. As lágrimas saltaram dos meus olhos com a expressão dele: olhos brancos e sem vida, presas expostas em rosnados de dor; pequenos sinais de arranhões pelo corpo que eu sabia que não estavam assim anteriormente.
Corri para tentar ajudá— lo.
— Vá embora, por favor. – ele falou entre soluços não de choro, mas na tentativa de respirar melhor.
— Mas eu quero te ajudar.
— Eu não preciso de sua ajuda.
— Mas...
— Vá embora! – Nesse momento a Verônica saiu de onde estava escondida nos ouvindo.
— Que cenazinha mais patética.
— Verônica, por favor, solta ele eu te imploro.
— E o que eu ganho em troca?
— Charlie, não.
— O que você quiser.
— A sua vida?
— Não! – ele gritou desesperado
— Qualquer outra coisa, por favor.
— Então você não o ama sua egoísta.
— Quem me garante que você o deixaria livre se eu morresse?
— Terá que arriscar meu bem.
— Por favor. O que você pretende com isso?
— Poder.
— O que o Caine tem a ver com isso?
— Tudo a ver. Hoje a meia noite ele alcançará a supremacia dos seus poderes e estando ao meu lado eu o usarei da forma que melhor que convier.
— E o seu pai Verônica?
— O que tem ele meu amor?
— Ele tem planos para mim não é verdade?
— Os mesmos que eu.
— Vocês pretendem me dividir?
— Não. Pretendo ficar com você só para mim e dar um jeito nele. Seus poderes são preciosos. Além de ter visões tem a capacidade de apagar memórias. Com isso poderei fazê— lo esquecer que um dia se interessou pelos seus dons.
— E a Brianna? Como se livrará dela?
— Ela é outra história. Posso fazer o mesmo.
— Mas não conseguirei. É coisa demais.
— Você não faz ideia de como seus poderes estarão avançados depois da meia noite meu querido. Será demais até para você.
— Mas a Charlie não precisa ficar aqui. Ela irá embora e nunca mais nos atrapalhará.
— Não Caine. Não vou te deixar aqui não queira decidir nada por mim.
— Você não entende. Acha mesmo que vale a pena perder sua vida por mim? Pois te respondo: não! Não se jogue numa tormenta Charlotte. Vai embora.
— Cala a boca Caine. Estou falando com ela. Verônica por favor...
— Não. Estou cansada desse papo furado de vocês. Já falei mais do que precisavam ouvir. Eu dou as cartas aqui e vou começar agora.
O Caine estava se mexendo demais e o sangue estava parando de pingar. Suas feridas dos braços e peito estavam cicatrizadas totalmente só restando o sangue. Ela tomou impulso e pulou agarrando— se a ele que gritou. Além do peso dele, o dela e a mordida. Ela não mordeu moderadamente. Estraçalhou parte do pescoço dele. Sugava como se estivesse faminta há vários dias. Ele gritou e se debateu debaixo dela então não suportei ficar parada. Agarrei— a pelo cabelo como fazia com ele, mas sem dó nenhum. Puxei seu cabelo com as duas mãos e com toda a minha força jogando— a no chão. Ela se assustou quando fiz isso e saiu arranhando todo o corpo dele na tentativa de se segurar. Ele rosnou e levantou a cabeça fechando os olhos e abrindo a boca. Subi nela e comecei a batê— la com toda a raiva que estava presa em mim. Por ela ter me esganado, por ter seqüestrado o meu amor e estar fazendo— o passar por essa tortura. Fiz até mesmo por ela ter se aproximado dele pela primeira vez. Soquei— a irregularmente, pois não sabia bem como fazer isso. Arranquei boa parte do seu cabelo e tentei arranhá— la no rosto para que ela sentisse ao menos em centésimo do que ele sentia, mas não fiz tudo isso por mais de um minuto. Ela reagiu me jogando na parede oposta. Fiquei sem fôlego quando bati minhas costas no concreto e caí. Arfei por uns instantes até ela se aproximar e me pegar pelo casaco.
— O que você pensava que estava fazendo? Acha mesmo que pode contra mim? Não sabe que comigo não se mexe garota? Se pensa que vai conseguir me deter com tapas e arranhões está muito enganada. Nem imagina o que sou capaz de fazer. Ou melhor, imagina sim. Já te dei uma amostra do que sou capaz não queira tirar a prova final.
— Calma Verônica, larga ela.
— Por quê? Porque você está pedindo? Enxergue— se Caine. Não está em condições de exigir nada, se toca. É só mais um dos meus discípulos.
Nesse momento entraram cinco caras no galpão. Sério, não sei de onde vieram, mas se eu não estivesse nessa situação poderia dizer que eles eram totalmente lindos.
Estavam numa fila lado a lado. E todos usavam o mesmo estilo de roupa: camisa preta, calça preta de couro e jaqueta de couro combinando com a calça. O primeiro era loiro, cabelo curto, barba por fazer, olhos verdes escuros, ar sombrio, alto e forte. O segundo tinha olhos redondos e castanhos, cabelo castanho cacheado, também alto, só que mais magro. Tinha um olhar envolvente, manso, mas com uma aura perigosa em volta de si. O terceiro tinha o cabelo na altura do ombro como o Caine só que castanho claro quase loiro, boca grossa, um meio sorriso malicioso, olhos cor de mel, braços e tórax torneados, mais alto que os outros dois. O quarto tinha o cabelo preto noite, olhos castanhos escuros, pele morena tipo oliva, muito lindo e o quinto era o mais natural. Tinha a pele negra, olhos bem escuros, cabelo raspado, traços fortes e tinha uma imposição real no olhar como se liderasse aquele grupo. Olhou— a reverenciando— a com o um olhar respeitoso e ela correspondeu, mas percebi que não era apenas isso. Ele a olhou com um ódio oculto também.
— Apresento o meu clã pessoal. Thor tem o poder de ler mentes.
— Muito obrigado garota. – Que poder mais inconveniente. Eles não precisavam saber que os achei lindos.
— Não tenho culpa.
— Dá pra parar!?
— Este é Onaro, sente a aproximação de pessoas. O Danon influencia o pensamento das pessoas. Loren se comunica através do pensamento com qualquer um que ele quiser e o Gasel se teletransporta. Cessando as apresentações...
Ela me entregou a Gasel que me segurou de frente para ela. A Verônica me deu um soco no estômago que me fez desmaiar.

Nana&Karol

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