Fiquei aflita
esperando e nem pensar em dormir enquanto ele não chegasse. Arrumei o quarto,
estudei até quando minha paciência permitiu e fiquei vendo TV. Por volta das
11h 30 ele chegou triste. Certamente ninguém havia morrido caso contrário ele
estaria bem mais descontrolado.
Fiquei um
pouco enciumada quando soube que havia sido uma mulher, mas pensei melhor e
cheguei à conclusão de que seria complicado convencer um cara a servir de
jantar. A garota passou mal por isso ele ficou daquele jeito. Consolei— o e
quando ele se acalmou ficamos abraçados até que dormir.
***
— Não vejo à
hora de voltar logo.
— Nem eu.
Estou ansioso para o feriado.
— Para o
feriado ou para o seu aniversário?
— Para ambos.
— Mas hoje é
quinta— feira. Teremos quatro dias e meio para comemorar. Deixe— me ir agora assim o tempo passa mais
rápido.
A Carly estava
me esperando como sempre.
— Oi Charlotte
bom dia.
— Bom dia
Carly e Sra. Johnson.
— Bom dia
querida. Planos para o feriado?
— Não muitos
só alguns passeios e descanso. E vocês?
— Liverpool.
Vamos para a casa dos meus avôs.
— Que legal
espero que se divirtam.
Chegamos à
escola atrasadas pra variar. Assistimos a nossas aulas e no almoço sentamos
juntas, o que era uma novidade essa semana.
— Até que
enfim! O que aconteceu hoje?
— Andrew
faltou, os pais adiantaram o feriado. Vão para a Itália para a casa dos avós
maternos dele. Desculpa te deixar sozinha, mas enquanto o meu pai não aceitar o
namoro temos que nos ver escondido. E como estou de castigo o único tempo que
temos é a hora do almoço.
— E sua mãe o
que disse disso tudo?
— Ela até que
apoia, mas não quer ir contra o meu pai e discutir com ele não é o melhor a se
fazer.
— Sinto muito
por você.
— Tudo bem.
Conversamos
mais sobre como ela estava feliz. A Carly e o Andrew haviam se encontrado no
sábado e ele a tinha levado para uma das melhores cafeterias da cidade. Eles
haviam saído pela tarde e como o clima estava bem calmo a Carly usou um vestido
azul Royal e uma legging verde claro com uma sandália baixinha que prendia no
calcanhar prendendo o cabelo de modo que algumas mechas ficassem soltas. O
Andrew vestia uma calça jeans azul gasta, uma camisa chumbo de manga três
quartos e um casaco de couro preto.
Quando eles
chegaram a casa dela o pai da Carly já havia chegado do trabalho e começou a
discutir com ela sobre ela ter saído com um cara com o estilo do Andrew, ou
seja, um roqueiro clássico, digamos assim. Ele ficou com raiva por não ter sido
avisado do encontro e mandou o Andrew embora dizendo que não voltasse mais. A
Carly pediu desculpas ao Andrew e disse que eles conversariam na escola. Toda
essa história a Carly me contou durante a semana em longos telefonemas regados
a reclamações e lamentos. Tentei ao máximo consolá— la.
Assisti o
resto das aulas, despedi— me da Carly, avisei a Lorenna sobre os planos de
Blackpool e fui para a parada de ônibus encontrar o Caine. Ele não estava lá,
esperei uns 10 minutos até que comecei a me irritar e fui para casa. Teria que
me dar uma boa explicação por ter faltado. Chagando lá coloquei minhas coisas
em cima do sofá e fui procurar o Caine em todos os cômodos da casa, mas não o
achei. Quando cheguei à cozinha achei um bilhete escrito por ele – ou melhor,
pensei que fosse.
Charlie,
Desculpa
por não ter ido te buscar.
Encontre—
me no galpão.
Caine
Não entendi.
Porque ele havia me mandando ir a um lugar no qual me havia proibido de estar?
De repente senti uma dor na cabeça quase insuportável; sentei— me e apertei
minhas têmporas esperando que a dor passasse. Algo me dizia que eu deveria ir.
Troquei de roupa: vesti uma calça jeans azul marinho, uma camiseta lilás, um
casaco preto e um tênis All Star preto; arrumei o meu cabelo em um rabo de
cavalo meio bagunçado, peguei minha bolsa e sai ao encontro do Caine.
Pequei o mesmo
ônibus que havia pegado com ele no dia em que me levou para conhecer o galpão.
Quando cheguei tive certa dificuldade para encontrar a rua, pois ainda estava
tonta pela dor de cabeça, mas quando a encontrei fui direto ao galpão. Ouvi um
barulho de lá de dentro, a porta estava entreaberta então chamei pelo espaço.
— Caine?
— Charlie, sai
daqui vá embora. – ele gritou com uma voz embargada de dor e sofrimento. Minha
cabeça doeu num estalo.
— O que está
acontecendo? – gritei de volta ainda do lado de fora.
— Sai daqui
agora!
Sua voz me
doeu na alma então não aquentei mais, empurrei a porta e entrei. A visão que
tive foi estarrecedora: o meu Caine estava pregado na parede pelos pulsos e
tornozelos com estacas de metal ao estilo Homem Vitruviano. Havia sangue seco
no seu dorso e nos braços, e pingava algum sangue dos seus pulsos, tornozelos e
pescoço. As lágrimas saltaram dos meus olhos com a expressão dele: olhos
brancos e sem vida, presas expostas em rosnados de dor; pequenos sinais de
arranhões pelo corpo que eu sabia que não estavam assim anteriormente.
Corri para
tentar ajudá— lo.
— Vá embora,
por favor. – ele falou entre soluços não de choro, mas na tentativa de respirar
melhor.
— Mas eu quero
te ajudar.
— Eu não
preciso de sua ajuda.
— Mas...
— Vá embora! –
Nesse momento a Verônica saiu de onde estava escondida nos ouvindo.
— Que
cenazinha mais patética.
— Verônica,
por favor, solta ele eu te imploro.
— E o que eu
ganho em troca?
— Charlie,
não.
— O que você
quiser.
— A sua vida?
— Não! – ele
gritou desesperado
— Qualquer
outra coisa, por favor.
— Então você
não o ama sua egoísta.
— Quem me
garante que você o deixaria livre se eu morresse?
— Terá que
arriscar meu bem.
— Por favor. O
que você pretende com isso?
— Poder.
— O que o
Caine tem a ver com isso?
— Tudo a ver. Hoje
a meia noite ele alcançará a supremacia dos seus poderes e estando ao meu lado
eu o usarei da forma que melhor que convier.
— E o seu pai
Verônica?
— O que tem
ele meu amor?
— Ele tem
planos para mim não é verdade?
— Os mesmos
que eu.
— Vocês
pretendem me dividir?
— Não.
Pretendo ficar com você só para mim e dar um jeito nele. Seus poderes são
preciosos. Além de ter visões tem a capacidade de apagar memórias. Com isso
poderei fazê— lo esquecer que um dia se interessou pelos seus dons.
— E a Brianna?
Como se livrará dela?
— Ela é outra
história. Posso fazer o mesmo.
— Mas não
conseguirei. É coisa demais.
— Você não faz
ideia de como seus poderes estarão avançados depois da meia noite meu querido.
Será demais até para você.
— Mas a
Charlie não precisa ficar aqui. Ela irá embora e nunca mais nos atrapalhará.
— Não Caine.
Não vou te deixar aqui não queira decidir nada por mim.
— Você não
entende. Acha mesmo que vale a pena perder sua vida por mim? Pois te respondo:
não! Não se jogue numa tormenta Charlotte. Vai embora.
— Cala a boca
Caine. Estou falando com ela. Verônica por favor...
— Não. Estou
cansada desse papo furado de vocês. Já falei mais do que precisavam ouvir. Eu
dou as cartas aqui e vou começar agora.
O Caine estava
se mexendo demais e o sangue estava parando de pingar. Suas feridas dos braços
e peito estavam cicatrizadas totalmente só restando o sangue. Ela tomou impulso
e pulou agarrando— se a ele que gritou. Além do peso dele, o dela e a mordida.
Ela não mordeu moderadamente. Estraçalhou parte do pescoço dele. Sugava como se
estivesse faminta há vários dias. Ele gritou e se debateu debaixo dela então
não suportei ficar parada. Agarrei— a pelo cabelo como fazia com ele, mas sem
dó nenhum. Puxei seu cabelo com as duas mãos e com toda a minha força jogando—
a no chão. Ela se assustou quando fiz isso e saiu arranhando todo o corpo dele
na tentativa de se segurar. Ele rosnou e levantou a cabeça fechando os olhos e abrindo
a boca. Subi nela e comecei a batê— la com toda a raiva que estava presa em
mim. Por ela ter me esganado, por ter seqüestrado o meu amor e estar fazendo— o
passar por essa tortura. Fiz até mesmo por ela ter se aproximado dele pela
primeira vez. Soquei— a irregularmente, pois não sabia bem como fazer isso.
Arranquei boa parte do seu cabelo e tentei arranhá— la no rosto para que ela
sentisse ao menos em centésimo do que ele sentia, mas não fiz tudo isso por
mais de um minuto. Ela reagiu me jogando na parede oposta. Fiquei sem fôlego
quando bati minhas costas no concreto e caí. Arfei por uns instantes até ela se
aproximar e me pegar pelo casaco.
— O que você
pensava que estava fazendo? Acha mesmo que pode contra mim? Não sabe que comigo
não se mexe garota? Se pensa que vai conseguir me deter com tapas e arranhões
está muito enganada. Nem imagina o que sou capaz de fazer. Ou melhor, imagina
sim. Já te dei uma amostra do que sou capaz não queira tirar a prova final.
— Calma
Verônica, larga ela.
— Por quê? Porque
você está pedindo? Enxergue— se Caine. Não está em condições de exigir nada, se
toca. É só mais um dos meus discípulos.
Nesse momento
entraram cinco caras no galpão. Sério, não sei de onde vieram, mas se eu não
estivesse nessa situação poderia dizer que eles eram totalmente lindos.
Estavam numa
fila lado a lado. E todos usavam o mesmo estilo de roupa: camisa preta, calça
preta de couro e jaqueta de couro combinando com a calça. O primeiro era loiro,
cabelo curto, barba por fazer, olhos verdes escuros, ar sombrio, alto e forte.
O segundo tinha olhos redondos e castanhos, cabelo castanho cacheado, também
alto, só que mais magro. Tinha um olhar envolvente, manso, mas com uma aura
perigosa em volta de si. O terceiro tinha o cabelo na altura do ombro como o
Caine só que castanho claro quase loiro, boca grossa, um meio sorriso
malicioso, olhos cor de mel, braços e tórax torneados, mais alto que os outros
dois. O quarto tinha o cabelo preto noite, olhos castanhos escuros, pele morena
tipo oliva, muito lindo e o quinto era o mais natural. Tinha a pele negra,
olhos bem escuros, cabelo raspado, traços fortes e tinha uma imposição real no
olhar como se liderasse aquele grupo. Olhou— a reverenciando— a com o um olhar
respeitoso e ela correspondeu, mas percebi que não era apenas isso. Ele a olhou
com um ódio oculto também.
— Apresento o
meu clã pessoal. Thor tem o poder de ler mentes.
— Muito
obrigado garota. – Que poder mais inconveniente. Eles não precisavam saber que
os achei lindos.
— Não tenho
culpa.
— Dá pra parar!?
— Este é
Onaro, sente a aproximação de pessoas. O Danon influencia o pensamento das
pessoas. Loren se comunica através do pensamento com qualquer um que ele quiser
e o Gasel se teletransporta. Cessando as apresentações...
Ela me
entregou a Gasel que me segurou de frente para ela. A Verônica me deu um soco
no estômago que me fez desmaiar.
Nana&Karol
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