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27 janeiro, 2013

Capítulo 32


Quando acordei estava deitado no chão do galpão. A Verônica me rodeava e falava mansamente.
— Querido, como está se sentindo?
— Mal, pior ainda de ter que olhar pra seu rosto.
— Não seja tão agressivo só quero o seu bem.
— Sério?
— Claro.
— Então se mata. – Levantei— me meio zonzo e a encarei. Estava com a visão clara. Ela me pegou pelo pescoço colocando dedo por dedo e apertando gradualmente.
— Meu querido, não seja intolerante. Não quero precisar te machucar.
Dei— lhe um tapa no rosto com toda minha força e ela caiu. Levantou— se irada com os olhos fumegantes de ódio e me jogou contra a parede. Andou até uma sacola que estava no chão ao mesmo tempo que falava.
— Você não sabe como me tratar Caine. Está sendo um garoto mau. Suportei— te por meses, suas manias, seus amigos, sua inútil família e seus gostos infantis. Não está sabendo ser grato.
— Sua va...
Nem pude terminar. Ela segurava algo que jogou no chão antes de voar em mim e me morder novamente arrancando pedaços da minha pele. Tentei lutar contra, mas cada vez mais ela bebia meu sangue e ficava mais forte. Eu enfraquecia mais e mais até que desmaiei. Acordei sentindo uma dor lacerante nos pulsos e tornozelos. Abri os olhos devagar e dei de cara com uma luz nos meus olhos. O sol estava quase se pondo, mas algumas luzes ainda atravessavam o plástico rasgado da minha janela.
O sangue pingava dos meus pulsos e dos tornozelos. Quando consegui olhar estava de braços e pernas abertas pregado na parede com estacas de metal que não faziam nada além de me machucar como faria a qualquer pessoa. Ela se aproximou.
— Em breve nossa amiguinha chegará.
— Que amiguinha?
— Já se esqueceu dela Caine? Nunca pensei que meu poder de sedução fosse tão grande.
— Sua vagabunda! Como se atreve?
— Calma Caine. Não vamos descer o nível. Nunca te vi xingar antes.
— Perdi muito tempo então. —  Ela pulou em mim e me bateu tão forte na cabeça que senti como se estivesse sendo jogado contra o concreto. Desceu e ficou lá caminhando de um lado para o outro enquanto minha cabeça latejava.
— Hum, ela está chegando... Com licença.
A Charlie chegou e desobedecendo minhas ordens de ir embora entrou no galpão. Discutiu com a Verônica, brigou com ela e acabou sendo levada para o escritório pelo clã da bruxa depois de ter sido adormecida pelo soco que a fez desmaiar. A Verônica tinha me mordido de novo. Cada vez que eu começava a me recuperar ela me mordia novamente.
Já era umas onze e meia quando ela foi até a sacola de onde tirou as estacas e puxou um alfanje. Ele tinha a empunhadura verde, uma lâmina larga e curta no fim desta com dois convexos quase na ponta. Havia umas inscrições na sua lateral, que parecia representar o clã ao qual ela pertencia. Minha visão estava começando a se concretizar ela se aproximou apontando o alfanje para mim e diferente do que interpretei na minha visão ela ameaçava sim, mas não a mim e sim a Brianna.
— Pra que essa arma? Pretende me matar?
— Jamais. Já disse que tenho muitos planos pra você.
— E o que vai fazer com ela?
— Estou esperando uma convidada. É a...
— Brianna Comte.
— Como sabe? Viu algo?
— Nada que te interesse.
Ela aproximou a ponta do alfanje no meu peito e como na minha visão a Brianna chegou, mas ela trouxe consigo algo que eu não tinha percebido: ela tinha nas mãos uma espada Viking com a empunhadura preta e o guarda com pontas bem afiadas, sua lâmina era longa e fina, na sua lateral também havia inscrições, mas a dela era diferente junto com elas havia o desenho de um lince representando provavelmente o seu clã.
— Começaram a festa sem mim.
— A Verônica tem problemas com ansiedade. Disse a ela pra te esperar.
— Verônica e seus problemas. Eu sei a solução de um deles. Entrega— me o Caine e nos livramos da ira do seu pai.
— E você acha que me importo com meu pai?
— Pois deveria. Ele não ficará nada satisfeito com seus planos, principalmente os que o envolve, ou melhor, os que não envolvem.
— E você acha que será tão fácil? Acha que depois de tudo que fiz e tudo que arrisquei vou te entregar o Caine de bandeja?
— Porque não experimentam perguntar a minha opinião?
— Porque a sua opinião é a que menos importa.
— Olha Brianna é melhor você sair daqui. Essa não é uma luta para bastardos. Estamos falando de realeza.
— Conhecendo— me tão bem não deveria me dar um conselho tolo como esse. Sabe que não vou embora e que vou levar o Caine comigo, nem que eu tenha que cortar a sua cabeça fora.
Enquanto elas falavam uma dor na minha cabeça maior que a que estava sentindo me fez fechar os olhos com força e rosnando. Era uma dor insuportável, incontrolável, esmagadora. Parecia que minha cabeça ia explodir. No auge dessa dor o meu corpo começou a formigar e a queimar, mas não havia fogo, era dentro de mim. Minhas entranhas pareciam estar em brasa, labaredas subiam dos meus pés até minha cabeça, onde estacionavam.
Nunca havia sentido nada parecido, qualquer outro ser que passasse por isso já haveria morrido, mas eu não. E cada vez mais a dor e a queimação aumentavam, até que não aguentei e comecei a me debater e gritar de dor. Meus pulsos e meus tornozelos queimavam mais do que minha cabeça, faria tudo para que aquilo passasse até mesmo cortá— los fora.
— Não queria que terminasse assim, mas você é prepotente, ambiciosa e maldosa. Não suporto pessoas assim, logo não as quero perto de mim.
Brianna correu na direção da Verônica com a Viking a postos e passou na direção do pescoço dela com uma força que quando cortou o ar a fez girar num movimento rotatório e parar novamente a postos. Seu cabelo girou ao redor dela como um lençol de cachos. A Verônica, que havia abaixado, levantou— se girando o alfanje de um lado ao outro na sua frente como se estivesse cortando água de tão simples e fácil que pareceu. O tilintar das lâminas se chocando foi ensurdecedor para mim, além dos meus olhos que queimavam. Elas lutavam girando ao redor de si, abaixando e pulando uma sobre a outra com as espadas a postos de modo com tanta técnica que pareciam dois cavaleiros medievais, mas não tão brutalmente. Estavam mais para duas dançarinas num balé: postura indefectível, expressão compenetrada e passos corretos e medidos como se tivessem sido coreografados.
À medida que a meia noite ficava mais próxima meu sangue esquentava cada vez mais e senti minhas feridas se fechando ao poucos. Tudo doía demais e eu gritava como nunca imaginei ser capaz. Era ruídos dolorosos, graves e cortantes assim como a luta delas. No auge do meu desespero consegui abrir os olhos e ver as duas feridas frente a frente se olhando com um ódio mortal.
Klanas, supakuotas! – Disse a Verônica.
— Klán, fel! – Disse a Brianna.
Ao mesmo tempo seus clãs apareceram. O da Verônica era composto por Gason, Danon, Thor, Loren e Onaro que empunhavam Espatas. O da Brianna trazia sete homens e três mulheres. Elas eram lindas: uma loira com cabelo curto na altura do queixo, uma morena com cabelo bem curto com franja longa e uma ruiva com o cabelo na cintura em cachos grandes e bem definidos; eram altas, olhos expressivos, expressão forte e compenetrada e postura de guerreiras. Entraram em posição triangular, todos com armas brancas cortantes ou perfurantes. Os três homens de trás estavam lado a lado e usavam arco e flecha com ponta de metal, os outros quatro homens empunhavam adagas Sai e as mulheres – que os lideravam —  empunhavam espadas Espata.
Enquanto as duas corriam uma de frente pra outra e continuavam lutando os outros se enfrentavam como coadjuvantes. As três mulheres correram em direção a Loren e Gasel. A loira e a ruiva puseram as mãos na cabeça e gritaram como se estivessem ouvindo muito barulho então o Loren atacou— as. Ainda assim desviaram e com um golpe conjunto cortaram a cabeça dele.
Gasel correu na direção da morena e quando chegou bem próximo teletransportou— se para trás dela golpeando— a na cabeça. Ela levantou a Espata defendendo— se do golpe. Foi a luta que mais durou.
 Thor atacou três dos homens com as adagas Sai matando um deles com um golpe no pescoço decepando— lhe a cabeça e o braço. Os outros dois fatiaram— no com as adagas de forma bem dolorosa, derrubaram— no ao chão e enfiaram as adagas na região traqueal puxando cada um para um lado com as duas mãos.
Danon foi atacado pelos três homens com arco e flecha. As flechas perfuraram seus braços, abdômen e pernas, mas como estavam muito próximos foi mais fácil atacar os homens da Brianna cortando os arcos e as cabeças. A ruiva atacou o Danon pelas costas cortando sua cabeça com muita raiva. Onaro viu, veio correndo em sua direção e enfiou a Espata nas suas costas virando— a para si. Olhou— a com raiva, aproximou— a de si, tirou a Espata pelas costas e decepou— lhe a cabeça. Dois dos homens das adagas correram para cima dele girando as armas ao redor de si como a Verônica havia feito anteriormente, mas o Onaro foi mais rápido. Virou— se, conseguiu tomar— lhes as adagas e os matou. A loira e o outro homem com adagas continuaram brigando com Onaro. Agora só restava eles três, Gasel e a morena e Verônica e Brianna.
A queimação do meu corpo chegou a um ponto em que não pude mais respirar. Senti como se meu pulmão estivesse se contraindo e o meu sangue não circulasse mais. Não tinha forças para gritar. Fechei os olhos, baixei a cabeça e esperei morrer. De repente a dor passou. Senti uma onda energética ao meu redor e dentro de mim tão forte que me fez arfar. Era como se uma massa de ar entrasse nos meus pulmões me trazendo à vida novamente. Abri os olhos sorrindo, levantei a cabeça gradativamente e olhei na direção da Verônica. Um ódio cresceu dentro de mim me deixando mais vivo e com mais vontade de matá— la. A Verônica se aproximou de mim afastando— me da minha família e dos meus amigos, me transformou e agora planejava me escravizar. E se já não fosse o bastante atacou a pessoa que mais me importava no mundo.
— Verônica. – Minha voz soou tão magistral que todos pararam de lutar gradativamente e me olharam. Ela me olhou atônita.
— Caine o que...
Lentamente as estacas foram se desprendendo da parede e caíram. Desci ereto como se pudesse voar. Na verdade não sabia mais o que era capaz de fazer.
— Onaro, jis turi!
Onaro rodou a espada na sua frente apontando o dorso para mim e atacando— me na direção do ombro. Desviei passando para suas costas. Ele virou— se me olhando nos olhos e parando bruscamente: senti sua pressão arterial, sua respiração ofegante e sua circulação acelerada. Sua artéria carótida estava dilatada e pulsava forte. Olhei— o profundamente e irado então senti sua pressão arterial cair, seu coração acelerar a cento e três batimentos por minuto e aumentando, a sua circulação sanguínea acelerar e ele começou a buscar ar abrindo a boca e pondo a mão no pescoço. Estava causando sintomas de anafilaxia no Onaro. Antes que ele caísse segurei— o pelo cabelo e cravei os dentes no seu pescoço sugando o seu sangue lentamente deliciando— me com todo o poder que o sangue de vampiro trás.
Não pensava em nada, nem na Charlie, nem na minha família, nem em ninguém que não fosse eu e meu acerto de contas com a Verônica. Tudo que me motivava antes pareceu apenas desculpas para que seguisse minha ira e a matasse. Seria prazeroso vê— la sob meu julgo, indefesa. Meu ódio crescia e me cegava de tal forma que não enxergava mais nada além do meu objetivo de vingança.
Quando não havia mais sangue larguei— o no chão, me virei lentamente e fixei os olhos na Verônica que estava aterrorizada.
— Eu te disse que tudo melhoraria. – Ela ria nervosamente.
— Realmente melhorou e vou te mostrar o quanto.
Olhei— a profundamente como havia feito com o Onaro. Dessa vez foi mais rápido, não sei se por causa do meu ódio crescente ou pela prática. Ela levou a mão ao pescoço arfando até cair no chão. Tentei fazer as coisas bem lentamente para que ela sentisse mais dor. A Verônica se debateu e gritou até onde seu ar permitiu. Aproximei— me e levantei— a pelo cabelo e olhei bem no fundo dos seus olhos.
— Querida, sabe que gostei muito de você? Pena que não soube retribuir, agora pagará pelo mal que fez contra mim e a Charlie.
Virei sua cabeça lentamente enquanto ela derramava algumas lágrimas e me olhava implorativa. Quando me preparei para atacá— la duas vozes me interromperam gritando em uníssono.
— Caine para agora!

Nana&Karol

Capítulo 31


Fiquei aflita esperando e nem pensar em dormir enquanto ele não chegasse. Arrumei o quarto, estudei até quando minha paciência permitiu e fiquei vendo TV. Por volta das 11h 30 ele chegou triste. Certamente ninguém havia morrido caso contrário ele estaria bem mais descontrolado.
Fiquei um pouco enciumada quando soube que havia sido uma mulher, mas pensei melhor e cheguei à conclusão de que seria complicado convencer um cara a servir de jantar. A garota passou mal por isso ele ficou daquele jeito. Consolei— o e quando ele se acalmou ficamos abraçados até que dormir.

***

— Não vejo à hora de voltar logo.
— Nem eu. Estou ansioso para o feriado.
— Para o feriado ou para o seu aniversário?
— Para ambos.
— Mas hoje é quinta— feira. Teremos quatro dias e meio para comemorar.  Deixe— me ir agora assim o tempo passa mais rápido.
A Carly estava me esperando como sempre.
— Oi Charlotte bom dia.
— Bom dia Carly e Sra. Johnson.
— Bom dia querida. Planos para o feriado?
— Não muitos só alguns passeios e descanso. E vocês?
— Liverpool. Vamos para a casa dos meus avôs.
— Que legal espero que se divirtam.
Chegamos à escola atrasadas pra variar. Assistimos a nossas aulas e no almoço sentamos juntas, o que era uma novidade essa semana.
— Até que enfim! O que aconteceu hoje?
— Andrew faltou, os pais adiantaram o feriado. Vão para a Itália para a casa dos avós maternos dele. Desculpa te deixar sozinha, mas enquanto o meu pai não aceitar o namoro temos que nos ver escondido. E como estou de castigo o único tempo que temos é a hora do almoço.
— E sua mãe o que disse disso tudo?
— Ela até que apoia, mas não quer ir contra o meu pai e discutir com ele não é o melhor a se fazer.
— Sinto muito por você.
— Tudo bem.
Conversamos mais sobre como ela estava feliz. A Carly e o Andrew haviam se encontrado no sábado e ele a tinha levado para uma das melhores cafeterias da cidade. Eles haviam saído pela tarde e como o clima estava bem calmo a Carly usou um vestido azul Royal e uma legging verde claro com uma sandália baixinha que prendia no calcanhar prendendo o cabelo de modo que algumas mechas ficassem soltas. O Andrew vestia uma calça jeans azul gasta, uma camisa chumbo de manga três quartos e um casaco de couro preto.
Quando eles chegaram a casa dela o pai da Carly já havia chegado do trabalho e começou a discutir com ela sobre ela ter saído com um cara com o estilo do Andrew, ou seja, um roqueiro clássico, digamos assim. Ele ficou com raiva por não ter sido avisado do encontro e mandou o Andrew embora dizendo que não voltasse mais. A Carly pediu desculpas ao Andrew e disse que eles conversariam na escola. Toda essa história a Carly me contou durante a semana em longos telefonemas regados a reclamações e lamentos. Tentei ao máximo consolá— la.
Assisti o resto das aulas, despedi— me da Carly, avisei a Lorenna sobre os planos de Blackpool e fui para a parada de ônibus encontrar o Caine. Ele não estava lá, esperei uns 10 minutos até que comecei a me irritar e fui para casa. Teria que me dar uma boa explicação por ter faltado. Chagando lá coloquei minhas coisas em cima do sofá e fui procurar o Caine em todos os cômodos da casa, mas não o achei. Quando cheguei à cozinha achei um bilhete escrito por ele – ou melhor, pensei que fosse.

Charlie,
Desculpa por não ter ido te buscar.
Encontre— me no galpão.
Caine

Não entendi. Porque ele havia me mandando ir a um lugar no qual me havia proibido de estar? De repente senti uma dor na cabeça quase insuportável; sentei— me e apertei minhas têmporas esperando que a dor passasse. Algo me dizia que eu deveria ir. Troquei de roupa: vesti uma calça jeans azul marinho, uma camiseta lilás, um casaco preto e um tênis All Star preto; arrumei o meu cabelo em um rabo de cavalo meio bagunçado, peguei minha bolsa e sai ao encontro do Caine.
Pequei o mesmo ônibus que havia pegado com ele no dia em que me levou para conhecer o galpão. Quando cheguei tive certa dificuldade para encontrar a rua, pois ainda estava tonta pela dor de cabeça, mas quando a encontrei fui direto ao galpão. Ouvi um barulho de lá de dentro, a porta estava entreaberta então chamei pelo espaço.
— Caine?
— Charlie, sai daqui vá embora. – ele gritou com uma voz embargada de dor e sofrimento. Minha cabeça doeu num estalo.
— O que está acontecendo? – gritei de volta ainda do lado de fora.
— Sai daqui agora!
Sua voz me doeu na alma então não aquentei mais, empurrei a porta e entrei. A visão que tive foi estarrecedora: o meu Caine estava pregado na parede pelos pulsos e tornozelos com estacas de metal ao estilo Homem Vitruviano. Havia sangue seco no seu dorso e nos braços, e pingava algum sangue dos seus pulsos, tornozelos e pescoço. As lágrimas saltaram dos meus olhos com a expressão dele: olhos brancos e sem vida, presas expostas em rosnados de dor; pequenos sinais de arranhões pelo corpo que eu sabia que não estavam assim anteriormente.
Corri para tentar ajudá— lo.
— Vá embora, por favor. – ele falou entre soluços não de choro, mas na tentativa de respirar melhor.
— Mas eu quero te ajudar.
— Eu não preciso de sua ajuda.
— Mas...
— Vá embora! – Nesse momento a Verônica saiu de onde estava escondida nos ouvindo.
— Que cenazinha mais patética.
— Verônica, por favor, solta ele eu te imploro.
— E o que eu ganho em troca?
— Charlie, não.
— O que você quiser.
— A sua vida?
— Não! – ele gritou desesperado
— Qualquer outra coisa, por favor.
— Então você não o ama sua egoísta.
— Quem me garante que você o deixaria livre se eu morresse?
— Terá que arriscar meu bem.
— Por favor. O que você pretende com isso?
— Poder.
— O que o Caine tem a ver com isso?
— Tudo a ver. Hoje a meia noite ele alcançará a supremacia dos seus poderes e estando ao meu lado eu o usarei da forma que melhor que convier.
— E o seu pai Verônica?
— O que tem ele meu amor?
— Ele tem planos para mim não é verdade?
— Os mesmos que eu.
— Vocês pretendem me dividir?
— Não. Pretendo ficar com você só para mim e dar um jeito nele. Seus poderes são preciosos. Além de ter visões tem a capacidade de apagar memórias. Com isso poderei fazê— lo esquecer que um dia se interessou pelos seus dons.
— E a Brianna? Como se livrará dela?
— Ela é outra história. Posso fazer o mesmo.
— Mas não conseguirei. É coisa demais.
— Você não faz ideia de como seus poderes estarão avançados depois da meia noite meu querido. Será demais até para você.
— Mas a Charlie não precisa ficar aqui. Ela irá embora e nunca mais nos atrapalhará.
— Não Caine. Não vou te deixar aqui não queira decidir nada por mim.
— Você não entende. Acha mesmo que vale a pena perder sua vida por mim? Pois te respondo: não! Não se jogue numa tormenta Charlotte. Vai embora.
— Cala a boca Caine. Estou falando com ela. Verônica por favor...
— Não. Estou cansada desse papo furado de vocês. Já falei mais do que precisavam ouvir. Eu dou as cartas aqui e vou começar agora.
O Caine estava se mexendo demais e o sangue estava parando de pingar. Suas feridas dos braços e peito estavam cicatrizadas totalmente só restando o sangue. Ela tomou impulso e pulou agarrando— se a ele que gritou. Além do peso dele, o dela e a mordida. Ela não mordeu moderadamente. Estraçalhou parte do pescoço dele. Sugava como se estivesse faminta há vários dias. Ele gritou e se debateu debaixo dela então não suportei ficar parada. Agarrei— a pelo cabelo como fazia com ele, mas sem dó nenhum. Puxei seu cabelo com as duas mãos e com toda a minha força jogando— a no chão. Ela se assustou quando fiz isso e saiu arranhando todo o corpo dele na tentativa de se segurar. Ele rosnou e levantou a cabeça fechando os olhos e abrindo a boca. Subi nela e comecei a batê— la com toda a raiva que estava presa em mim. Por ela ter me esganado, por ter seqüestrado o meu amor e estar fazendo— o passar por essa tortura. Fiz até mesmo por ela ter se aproximado dele pela primeira vez. Soquei— a irregularmente, pois não sabia bem como fazer isso. Arranquei boa parte do seu cabelo e tentei arranhá— la no rosto para que ela sentisse ao menos em centésimo do que ele sentia, mas não fiz tudo isso por mais de um minuto. Ela reagiu me jogando na parede oposta. Fiquei sem fôlego quando bati minhas costas no concreto e caí. Arfei por uns instantes até ela se aproximar e me pegar pelo casaco.
— O que você pensava que estava fazendo? Acha mesmo que pode contra mim? Não sabe que comigo não se mexe garota? Se pensa que vai conseguir me deter com tapas e arranhões está muito enganada. Nem imagina o que sou capaz de fazer. Ou melhor, imagina sim. Já te dei uma amostra do que sou capaz não queira tirar a prova final.
— Calma Verônica, larga ela.
— Por quê? Porque você está pedindo? Enxergue— se Caine. Não está em condições de exigir nada, se toca. É só mais um dos meus discípulos.
Nesse momento entraram cinco caras no galpão. Sério, não sei de onde vieram, mas se eu não estivesse nessa situação poderia dizer que eles eram totalmente lindos.
Estavam numa fila lado a lado. E todos usavam o mesmo estilo de roupa: camisa preta, calça preta de couro e jaqueta de couro combinando com a calça. O primeiro era loiro, cabelo curto, barba por fazer, olhos verdes escuros, ar sombrio, alto e forte. O segundo tinha olhos redondos e castanhos, cabelo castanho cacheado, também alto, só que mais magro. Tinha um olhar envolvente, manso, mas com uma aura perigosa em volta de si. O terceiro tinha o cabelo na altura do ombro como o Caine só que castanho claro quase loiro, boca grossa, um meio sorriso malicioso, olhos cor de mel, braços e tórax torneados, mais alto que os outros dois. O quarto tinha o cabelo preto noite, olhos castanhos escuros, pele morena tipo oliva, muito lindo e o quinto era o mais natural. Tinha a pele negra, olhos bem escuros, cabelo raspado, traços fortes e tinha uma imposição real no olhar como se liderasse aquele grupo. Olhou— a reverenciando— a com o um olhar respeitoso e ela correspondeu, mas percebi que não era apenas isso. Ele a olhou com um ódio oculto também.
— Apresento o meu clã pessoal. Thor tem o poder de ler mentes.
— Muito obrigado garota. – Que poder mais inconveniente. Eles não precisavam saber que os achei lindos.
— Não tenho culpa.
— Dá pra parar!?
— Este é Onaro, sente a aproximação de pessoas. O Danon influencia o pensamento das pessoas. Loren se comunica através do pensamento com qualquer um que ele quiser e o Gasel se teletransporta. Cessando as apresentações...
Ela me entregou a Gasel que me segurou de frente para ela. A Verônica me deu um soco no estômago que me fez desmaiar.

Nana&Karol