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02 novembro, 2012

Capítulo 28


Não a deixei falar mais nada. Saí correndo e fui ao hospital o mais rápido que pude. Cheguei e a vi lá deitada. Ela chorou despedaçando meu coração. Abracei— a com amor e me desculpei. Como sempre bondosa e altruísta acenou negativamente insinuando que não precisa me desculpar. Quando prometi ir atrás da Verônica ela insistiu veemente que não. Deixei para resolvermos quando ela pudesse falar.
— Queridos, preciso ir agora, está tarde. Amanhã volto para te visitar Charlie. Se precisarem de algo me liguem. Pode me acompanhar Caine?
— Claro. – Logo que saímos do quarto ela começou a falar.
— Caine, acho que é melhor você ficar com isso. – Ela me ofereceu um pequeno bolo de dinheiro.
— Não posso aceitar mãe.
— Aí tem umas £300 vai dar para você passar um bom tempo.
— Não posso viver de mesada.
— E se você estivesse em casa ia viver de que?
— Mãe...
— Caine toma meu celular e se precisar me liga no outro número. Vou mandar algumas roupas suas que ficaram em casa para o galpão. Não quero mais discussões sobre esse assunto, até mais.
Quando minha mãe foi embora e fiquei lá com ela, entre carinhos, beijos, abraços e atenções das quais ela precisava. Pela manhã antes dela acordar saí e comprei uma flor para ela. Quando voltei estava acordada e podia falar. Discutimos sobre a Verônica, mas ficou tudo bem. Agora ela teria que explicar à mãe o que aconteceu.
— Mãe, preciso contar uma coisa. Sofri um pequeno acidente... Não mãe não quebrei nada. Estava atravessando a rua em frente a um parque e não vi uma bicicleta. O garoto bateu em mim, mas nem cai, apenas bati num poste... Sim, estou no hospital em observação e saio ainda hoje... Para que mãe? Não vou pagar esse mico. – Escutei um grito de “Agora!” – Doutor ela quer falar com você. – E sussurrando tapando o fone – Fala alguma coisa. Fala logo se não ela vem até aqui. Rápido Caine. – Peguei o telefone desnorteado. Não sabia o que dizer.
— Alô? Sim Sra. Camarillo ela está bem. Meu nome? Dr. John Simpson. Ela sofreu algumas escoriações no braço esquerdo na altura do deltóide, nas pernas perto do joelho e no pescoço. Disse que bateu no poste quando caiu. Está bem, alguns curativos um analgésico se por acaso ela sentir dor e tudo voltará ao normal. De nada Sra. Camarillo ao seu dispor. Ela quer falar com você.
— Está satisfeita mãe? Estou indo para casa... Sim vou comprar o remédio e ficar em casa descansando. Amanhã estarei nova em folha e irei para a escola normalmente. Não quero perder aula por causa de um arranhãozinho bobo... Também te amo mãe e se precisar de algo ligo tudo bem? Até mais. Nossa ela ficou louca. Disse que se não a deixasse falar com o medico responsável ela viria aqui ou mandaria os Guimarães virem me ver que loucura!
— Tem noção de que menti para sua mãe?
— Se saiu muito bem por sinal.
— Charlotte!
— O que preferia? Que eu contasse que sua ex— namorada vampira quase me esganou?
— Claro que não.
— Então relaxa. Vou contar às meninas. A elas posso falar a verdade.
— Tudo bem.
Sabia que ela estava louca para contar a elas. Só não falou antes porque não podia falar. Ligou falou com uma de cada vez, cruzaram a linha e ela pôs no viva voz.
— Alô meninas?
— Sim, estamos aqui.
— Falem em inglês. Estou ligando do hospital.
— O que?
— O que houve?
— A ex— namorada do Caine me atacou. Quase me esganou.
— O que? De onde ela surgiu? Das trevas?
— Pode— se dizer que sim.
— Caine?
— Sim. De onde ela veio?
— Apareceu na minha casa dizendo que queria voltar e que eu tinha sido selecionado para ficar ao lado do clã dela.
— O que? Que louca.
— Por que justo você foi selecionado?
— Segundo ela por causa das minhas visões.
— Visões?
— Sim. Tenho algumas visões de passado e futuro e descobri ontem que de presente também.
— Foi isso que nos salvou.
— Como são essas visões?
— As tenho de repente, mas principalmente quando toco a marca da mordida que me transformou. São flashes claros e bem reais de coisas que aconteceram, vão acontecer ou estão ocorrendo no momento. A Verônica quer usar esse dom numa disputa com outro clã liderado por uma vampira qual o nome dela mesmo?
— Brianna Comte.
— Isso. Brianna Comte.
— Nossa parece nome de guerra.
— Como assim?
— Nada esquece.
— Sim, elas disputam algo e querem me usar como oráculo. Não vou servir de bola de cristal para ninguém.
— Isso mesmo Caine, manda as duas para...
— Bom gente. Precisamos ir não é mesmo Glorinha?
— É gente, desculpa. E você precisa descansar Char. Depois nos falamos.
— Até mais Caine.
— Até Julie, até Anne.
— Até. Beijos Char.
Desligaram e logo em seguida o médico de verdade entrou.
—  Bom Srtª. Camarillo analisei seus exames, mas não houve nada de grave. Queria conversar sobre o que aconteceu. Como tudo ocorreu?
— O Caine me deixou em casa e foi embora. Jantei e estava vendo TV quando a campainha tocou. Abri e um homem entrou querendo assaltar minha casa. Disse que sabia que eu era estrangeira pelo sotaque e que estrangeiros não são bem— vindos. Disse que não daria nada então ele me agarrou pelo pescoço. Caí no chão e comecei a tossir e gritar então ele saiu correndo do apartamento assustado eu acho.
— Quando estava perto de casa vi que não estava com minha chave. Voltei para procurar e a porta estava aberta. Entrei e a vi no chão.
— Você quer dar queixa, precisa que chame a polícia aqui?
— Não! Não precisa. Meus pais ficariam loucos no Brasil. Não é preciso. Qualquer coisa entro em contato com a polícia.
— Tudo bem. Você está de alta. Esse remédio é para dor de garganta. É um spray e vai adormecer sua garganta caso sinta ardência ou dor.
— Obrigada.
— Cuide— se.
— Estou pronta para ir. Vamos?
— Vai vestida assim? – Ela se olhou e sorriu encabulada. Estava com um camisolão de hospital.
— Preciso me trocar não é?
— Sim, seria melhor. Te espero no corredor.
— Tudo bem.
Alguns minutos depois ela saiu vestida com a roupa que estava ontem: uma calça folgada e uma blusa de mangas leve. Peguei meu casaco e vesti nela.
— Está melhor. Sentia— me melhor em sair com o camisolão.
Rimos e saímos andando. Chamei um táxi e fomos para o apartamento dela. Ela pediu que eu esperasse, foi ao quarto e se trocou. Esperei sentado no sofá e quando ela voltou trouxe um lençol se sentou ao meu lado com as pernas em cima do assento e se encolheu em meu peito nos enrolando com o lençol e segurando minha camisa. Começou a derramar algumas lágrimas.
— Você está bem?
— Sim só estou assustada. Amanhã tenho aula, mas não queria me separar de você.
—  Eu sei que será difícil se acostumar, mas ficará tudo bem. Não vou te deixar. Você irá com a Carly para a escola como sempre e te pegarei na parada do ônibus. Não é bom que saia muito.
— Não pretendo. Se você ficar aqui comigo não terei porque sair.
— Tudo bem. Ficarei, mas temos que nos cuidar para que ninguém me veja. Não será bom você manter um homem na sua casa.
— Não será bom para quem?
Ela riu maliciosamente e me beijou. Ficamos assim por algum tempo e conversamos sobre coisas amenas, nada que envolvesse a Verônica ou a Brianna. A mãe dela ligou novamente.
— Estou bem mamãe. Também te amo e sei que só quer meu bem, mas não precisa tanto desespero, falou com o Dr. Stuart e... O que? Sim claro Dr. Simpson, e está tudo bem... Sim já comprei o remédio. Estou deitada na cama... Sim, estou bem para ir ao colégio não se preocupe. Até mais. Manda um beijo para o papai. Ok. Tchau.
— Tudo bem?
— Sim. Ei, quando teremos um feriado?
— Em breve. Terá a sexta— feira Santa e a segunda de Páscoa.
— Então terei quatro dias de folga?
— Teoricamente sim.
— Por que teoricamente?
— Acha que te deixarei ter folga justo no dia do meu aniversário?
— O que? Quando?
— Na sexta— feira.
— Porque não me disse antes?
— Não havia necessidade. Disse agora, pois estou pensando na minha comemoração.
— Sério? E como você pretende comemorar?
— Prefere que eu diga ou que eu mostre?
— Fica ao seu critério.
Puxei— a para mais perto e a beijei que respondeu da mesma forma apaixonada. Beijávamo— nos cada vez mais e mais apaixonadamente. Agi faminto quase devorando seus lábios. Ela parou de repente.
— Há quanto tempo você não se alimenta?
— O que? – Não era um assunto muito agradável naquele momento.
— Há quanto tempo?
— Não sei, uns quatro eu acho.
— Não está na hora?
— Sim, mas não sei onde arranjar alimento.
— O que faremos?
— O que eu farei? Não sei, só não quero que se preocupe com isso.
— Como não me preocupar?
— Só deixe para lá.
— Tive uma ideia.
— Lá vem você com suas idéias.
— Sério escuta. Você precisa matar para se alimentar?
— Não sei nunca testei. As vezes que bebi foi todo o sangue então não sei se se eu deixar sangue as pessoas ficarão vivas.
— Quer tentar...
— Não! Que ideia é essa?
— Espera, não terminei. Não ia dizer para você me morder. Ia dizer para você tentar ver algo da sua mudança. Concentre— se, talvez funcione. Se fosse algo tão variável assim e independente da sua vontade aquela nojenta não quereria te recrutar.
— Você tem razão deve ser algo que possa controlar com prática.
— Então tenta.
Toquei a marca e não aconteceu nada então comecei a me esforçar para me lembrar do que fiz depois que saí de casa. Minhas lembranças me levavam para uma rua e só. Não passava daí.
— Não dá, não lembro.
— Calma Caine. Foco!
Toquei a marca de novo e fiquei tentando me lembrar, me esforçando. Não vinha nada, não lembrava nada até que quando estava para desistir vi flashes de um jantar, com várias pessoas ao redor da mesa em um brinde. Tirei a mão e perdi a visão.
— Eu vi! Havia uma mesa com várias pessoas. Reconheci a Verônica e vi um homem aparentemente jovem à cabeceira da mesa puxando um brinde. Todos me olhavam. Foi muito real.
— Com certeza. Seus olhos estão brancos. Quer tentar de novo?
— Sim claro.
Pus a mão no pescoço e fiz mais força focando no que tinha acabado de ver. Tudo passava como um filme mudo e meio rápido, mas as coisas eram bem claras, não havia margem para dúvidas. Vi a mim e a Verônica subindo uma escadaria e indo para um lugar... um quarto. Era o quarto que havia visto antes nos outros flashes, todo vermelho. Discuti com a Verônica e ela se aproximou envolvente. Beijamo— nos e acabamos na cama com ela de lingerie sobre mim. Droga! Perdi a visão.
— Perdi de novo.
— O que você viu. – Estava sem jeito de contar. – Conta Caine seja lá o que foi.
— Nós estávamos num quarto discutindo. O quarto que vi das outras vezes. Ela veio para cima de mim...
— E te mordeu?
— Isso ainda não.
— Mas você disse que não...
— Não até aquela noite. Não sei o que houve naquele dia. Nem sabia que as coisas tinham chegado até aquele ponto.
— Tá, não quero falar sobre isso. O que mais importante que isso você viu?
— Nada.
— Para onde estava olhando?
O que? Como ela sabia? Mulheres são terríveis quando querem ser. Fiquei desconcertado, mas tentei esconder minha vergonha.
— Para lugar nenhum.
— Mentira. Precisa ver sua cara. Estava olhando para ela.
— Charlie para.
— Tudo bem não vou brigar com você por causa dela dessa vez. Ela já se meteu demais onde não devia.
— Também acho.
— Você não tem que achar nada.
— Como você quiser.
Abracei— a e ela ainda estava irritada. Falei ao seu ouvido.
— Só acho o que você quiser.
Ela riu e ficamos lá tentando ver mais alguma coisa, mas nada. Ela foi dormir tarde apesar dos meus apelos. Pela manhã deu trabalho para levantar como eu já dei muitas vezes à minha mãe.
— Charlie acorda. A escola.
— Só mais um pouco Caine que saco.
— Não, acorda. Você disse isso há dez minutos. Vamos, anda.
— Que chateação. – Ela se levantou com raiva e bateu a porta do banheiro quando entrou. Fui para a porta do banheiro e falei mais alto para que ela pudesse ouvir.
— Você sabe que precisa ir.
— Sei, mas estou com sono.
— A culpa é sua. Te disse para ir dormir, mas preferiu ficar conversando.
— Tá Caine. A culpa é minha. – Ela falou meio irônica, meio chateada.
— Seu café está pronto.
— Não estou com fome.
— Sabe que precisa comer. Não queimei tudo para agora ter que jogar fora. Vai ter que comer.
Ela saiu do banheiro ainda irritada e quando chegou à cozinha começou a rir descontroladamente. Está certo que queimei o pão e o café parecia horrível, mas não precisava humilhar. Fiz cara de decepção fingida e ela ficou pesarosa.
— Desculpa Caine, mas não pude controlar.
— Tudo bem, quer se desculpar?
— Sim.
— Come então.
— Quero me desculpar, não me auto— flagelar.
Rimos juntos, mas ela acabou comendo o máximo que aquele horror permitiu. Beijamo— nos e ela se foi com a Carly. Passei o dia sem fazer nada de um lado para o outro, vendo TV, fazendo algo para comer para quando ela voltasse e decidi tentar mais algo sobre as visões. Fui tomar um banho e quando toquei a marca dessa vez foi mais fácil. Vi o jantar e tentei focar no quarto. Foi como um filme que é adiantado por capítulos. De repente nos vi no quarto. Beijávamo— nos e ela estava me seduzindo. Beijava meu pescoço faminta e quando menos esperei senti algo incômodo, dolorido. Ela me fez beijar seu pescoço e senti gosto de sangue: ela havia cortado sua nuca e quando senti o sangue na minha boca as coisas pioraram. A mordida queimava muito e no auge da dor e da minha loucura o homem da cabeceira da mesa entrou brigando com ela que tinha se vestido muito rapidamente, mesmo para uma vampira. Foquei nos lábios deles como pude para tentar ler o que eles diziam. Era uma discussão... Sobre algo ser cedo... Ele perguntou se houve troca de sangue. Era isso! Precisava haver troca de sangue para a mudança. Tirei a mão do pescoço e dei um grito de alegria. Contive— me na mesma hora. Saí do banho, me vesti e fiquei consternado. Estava eufórico, louco para contar a ela o que descobri afinal a ideia foi sua. Faltava quase duas horas para ela sair e não agüentava ficar preso entre aquelas paredes. Decidi que precisava de roupas, logo fui para casa buscá— las. Quando arrumei tudo fui para a parada de ônibus esperá— la.

Nana&Karol 

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