Não a deixei
falar mais nada. Saí correndo e fui ao hospital o mais rápido que pude. Cheguei
e a vi lá deitada. Ela chorou despedaçando meu coração. Abracei— a com amor e
me desculpei. Como sempre bondosa e altruísta acenou negativamente insinuando
que não precisa me desculpar. Quando prometi ir atrás da Verônica ela insistiu
veemente que não. Deixei para resolvermos quando ela pudesse falar.
— Queridos,
preciso ir agora, está tarde. Amanhã volto para te visitar Charlie. Se
precisarem de algo me liguem. Pode me acompanhar Caine?
— Claro. –
Logo que saímos do quarto ela começou a falar.
— Caine, acho
que é melhor você ficar com isso. – Ela me ofereceu um pequeno bolo de
dinheiro.
— Não posso
aceitar mãe.
— Aí tem umas
£300 vai dar para você passar um bom tempo.
— Não posso
viver de mesada.
— E se você
estivesse em casa ia viver de que?
— Mãe...
— Caine toma
meu celular e se precisar me liga no outro número. Vou mandar algumas roupas
suas que ficaram em casa para o galpão. Não quero mais discussões sobre esse
assunto, até mais.
Quando minha
mãe foi embora e fiquei lá com ela, entre carinhos, beijos, abraços e atenções
das quais ela precisava. Pela manhã antes dela acordar saí e comprei uma flor
para ela. Quando voltei estava acordada e podia falar. Discutimos sobre a
Verônica, mas ficou tudo bem. Agora ela teria que explicar à mãe o que
aconteceu.
— Mãe, preciso
contar uma coisa. Sofri um pequeno acidente... Não mãe não quebrei nada. Estava
atravessando a rua em frente a um parque e não vi uma bicicleta. O garoto bateu
em mim, mas nem cai, apenas bati num poste... Sim, estou no hospital em
observação e saio ainda hoje... Para que mãe? Não vou pagar esse mico. –
Escutei um grito de “Agora!” – Doutor ela quer falar com você. – E sussurrando
tapando o fone – Fala alguma coisa. Fala logo se não ela vem até aqui. Rápido
Caine. – Peguei o telefone desnorteado. Não sabia o que dizer.
— Alô? Sim
Sra. Camarillo ela está bem. Meu nome? Dr. John Simpson. Ela sofreu algumas
escoriações no braço esquerdo na altura do deltóide, nas pernas perto do joelho
e no pescoço. Disse que bateu no poste quando caiu. Está bem, alguns curativos
um analgésico se por acaso ela sentir dor e tudo voltará ao normal. De nada Sra.
Camarillo ao seu dispor. Ela quer falar com você.
— Está
satisfeita mãe? Estou indo para casa... Sim vou comprar o remédio e ficar em
casa descansando. Amanhã estarei nova em folha e irei para a escola
normalmente. Não quero perder aula por causa de um arranhãozinho bobo... Também
te amo mãe e se precisar de algo ligo tudo bem? Até mais. Nossa ela ficou
louca. Disse que se não a deixasse falar com o medico responsável ela viria
aqui ou mandaria os Guimarães virem me ver que loucura!
— Tem noção de
que menti para sua mãe?
— Se saiu
muito bem por sinal.
— Charlotte!
— O que
preferia? Que eu contasse que sua ex— namorada vampira quase me esganou?
— Claro que
não.
— Então
relaxa. Vou contar às meninas. A elas posso falar a verdade.
— Tudo bem.
Sabia que ela
estava louca para contar a elas. Só não falou antes porque não podia falar.
Ligou falou com uma de cada vez, cruzaram a linha e ela pôs no viva voz.
— Alô meninas?
— Sim, estamos
aqui.
— Falem em
inglês. Estou ligando do hospital.
— O que?
— O que houve?
— A ex—
namorada do Caine me atacou. Quase me esganou.
— O que? De onde
ela surgiu? Das trevas?
— Pode— se
dizer que sim.
— Caine?
— Sim. De onde
ela veio?
— Apareceu na
minha casa dizendo que queria voltar e que eu tinha sido selecionado para ficar
ao lado do clã dela.
— O que? Que
louca.
— Por que
justo você foi selecionado?
— Segundo ela
por causa das minhas visões.
— Visões?
— Sim. Tenho
algumas visões de passado e futuro e descobri ontem que de presente também.
— Foi isso que
nos salvou.
— Como são
essas visões?
— As tenho de
repente, mas principalmente quando toco a marca da mordida que me transformou.
São flashes claros e bem reais de coisas que aconteceram, vão acontecer ou
estão ocorrendo no momento. A Verônica quer usar esse dom numa disputa com
outro clã liderado por uma vampira qual o nome dela mesmo?
— Brianna
Comte.
— Isso.
Brianna Comte.
— Nossa parece
nome de guerra.
— Como assim?
— Nada
esquece.
— Sim, elas
disputam algo e querem me usar como oráculo. Não vou servir de bola de cristal
para ninguém.
— Isso mesmo
Caine, manda as duas para...
— Bom gente.
Precisamos ir não é mesmo Glorinha?
— É gente,
desculpa. E você precisa descansar Char. Depois nos falamos.
— Até mais
Caine.
— Até Julie,
até Anne.
— Até. Beijos
Char.
Desligaram e
logo em seguida o médico de verdade entrou.
— Bom Srtª. Camarillo analisei seus exames, mas
não houve nada de grave. Queria conversar sobre o que aconteceu. Como tudo
ocorreu?
— O Caine me
deixou em casa e foi embora. Jantei e estava vendo TV quando a campainha tocou.
Abri e um homem entrou querendo assaltar minha casa. Disse que sabia que eu era
estrangeira pelo sotaque e que estrangeiros não são bem— vindos. Disse que não
daria nada então ele me agarrou pelo pescoço. Caí no chão e comecei a tossir e
gritar então ele saiu correndo do apartamento assustado eu acho.
— Quando estava
perto de casa vi que não estava com minha chave. Voltei para procurar e a porta
estava aberta. Entrei e a vi no chão.
— Você quer
dar queixa, precisa que chame a polícia aqui?
— Não! Não
precisa. Meus pais ficariam loucos no Brasil. Não é preciso. Qualquer coisa
entro em contato com a polícia.
— Tudo bem.
Você está de alta. Esse remédio é para dor de garganta. É um spray e vai
adormecer sua garganta caso sinta ardência ou dor.
— Obrigada.
— Cuide— se.
— Estou pronta
para ir. Vamos?
— Vai vestida
assim? – Ela se olhou e sorriu encabulada. Estava com um camisolão de hospital.
— Preciso me
trocar não é?
— Sim, seria
melhor. Te espero no corredor.
— Tudo bem.
Alguns minutos
depois ela saiu vestida com a roupa que estava ontem: uma calça folgada e uma
blusa de mangas leve. Peguei meu casaco e vesti nela.
— Está melhor.
Sentia— me melhor em sair com o camisolão.
Rimos e saímos
andando. Chamei um táxi e fomos para o apartamento dela. Ela pediu que eu
esperasse, foi ao quarto e se trocou. Esperei sentado no sofá e quando ela
voltou trouxe um lençol se sentou ao meu lado com as pernas em cima do assento
e se encolheu em meu peito nos enrolando com o lençol e segurando minha camisa.
Começou a derramar algumas lágrimas.
— Você está
bem?
— Sim só estou
assustada. Amanhã tenho aula, mas não queria me separar de você.
— Eu sei que será difícil se acostumar, mas
ficará tudo bem. Não vou te deixar. Você irá com a Carly para a escola como
sempre e te pegarei na parada do ônibus. Não é bom que saia muito.
— Não
pretendo. Se você ficar aqui comigo não terei porque sair.
— Tudo bem.
Ficarei, mas temos que nos cuidar para que ninguém me veja. Não será bom você
manter um homem na sua casa.
— Não será bom
para quem?
Ela riu
maliciosamente e me beijou. Ficamos assim por algum tempo e conversamos sobre
coisas amenas, nada que envolvesse a Verônica ou a Brianna. A mãe dela ligou
novamente.
— Estou bem
mamãe. Também te amo e sei que só quer meu bem, mas não precisa tanto
desespero, falou com o Dr. Stuart e... O que? Sim claro Dr. Simpson, e está
tudo bem... Sim já comprei o remédio. Estou deitada na cama... Sim, estou bem
para ir ao colégio não se preocupe. Até mais. Manda um beijo para o papai. Ok.
Tchau.
— Tudo bem?
— Sim. Ei,
quando teremos um feriado?
— Em breve.
Terá a sexta— feira Santa e a segunda de Páscoa.
— Então terei
quatro dias de folga?
— Teoricamente
sim.
— Por que
teoricamente?
— Acha que te
deixarei ter folga justo no dia do meu aniversário?
— O que?
Quando?
— Na sexta—
feira.
— Porque não
me disse antes?
— Não havia necessidade.
Disse agora, pois estou pensando na minha comemoração.
— Sério? E
como você pretende comemorar?
— Prefere que
eu diga ou que eu mostre?
— Fica ao seu
critério.
Puxei— a para
mais perto e a beijei que respondeu da mesma forma apaixonada. Beijávamo— nos
cada vez mais e mais apaixonadamente. Agi faminto quase devorando seus lábios.
Ela parou de repente.
— Há quanto
tempo você não se alimenta?
— O que? – Não
era um assunto muito agradável naquele momento.
— Há quanto
tempo?
— Não sei, uns
quatro eu acho.
— Não está na
hora?
— Sim, mas não
sei onde arranjar alimento.
— O que
faremos?
— O que eu
farei? Não sei, só não quero que se preocupe com isso.
— Como não me
preocupar?
— Só deixe
para lá.
— Tive uma
ideia.
— Lá vem você
com suas idéias.
— Sério escuta.
Você precisa matar para se alimentar?
— Não sei
nunca testei. As vezes que bebi foi todo o sangue então não sei se se eu deixar
sangue as pessoas ficarão vivas.
— Quer
tentar...
— Não! Que
ideia é essa?
— Espera, não
terminei. Não ia dizer para você me morder. Ia dizer para você tentar ver algo
da sua mudança. Concentre— se, talvez funcione. Se fosse algo tão variável
assim e independente da sua vontade aquela nojenta não quereria te recrutar.
— Você tem
razão deve ser algo que possa controlar com prática.
— Então tenta.
Toquei a marca
e não aconteceu nada então comecei a me esforçar para me lembrar do que fiz
depois que saí de casa. Minhas lembranças me levavam para uma rua e só. Não
passava daí.
— Não dá, não
lembro.
— Calma Caine.
Foco!
Toquei a marca
de novo e fiquei tentando me lembrar, me esforçando. Não vinha nada, não
lembrava nada até que quando estava para desistir vi flashes de um jantar, com
várias pessoas ao redor da mesa em um brinde. Tirei a mão e perdi a visão.
— Eu vi! Havia
uma mesa com várias pessoas. Reconheci a Verônica e vi um homem aparentemente
jovem à cabeceira da mesa puxando um brinde. Todos me olhavam. Foi muito real.
— Com certeza.
Seus olhos estão brancos. Quer tentar de novo?
— Sim claro.
Pus a mão no
pescoço e fiz mais força focando no que tinha acabado de ver. Tudo passava como
um filme mudo e meio rápido, mas as coisas eram bem claras, não havia margem
para dúvidas. Vi a mim e a Verônica subindo uma escadaria e indo para um
lugar... um quarto. Era o quarto que havia visto antes nos outros flashes, todo
vermelho. Discuti com a Verônica e ela se aproximou envolvente. Beijamo— nos e
acabamos na cama com ela de lingerie sobre mim. Droga! Perdi a visão.
— Perdi de
novo.
— O que você
viu. – Estava sem jeito de contar. – Conta Caine seja lá o que foi.
— Nós
estávamos num quarto discutindo. O quarto que vi das outras vezes. Ela veio
para cima de mim...
— E te mordeu?
— Isso ainda
não.
— Mas você
disse que não...
— Não até
aquela noite. Não sei o que houve naquele dia. Nem sabia que as coisas tinham
chegado até aquele ponto.
— Tá, não
quero falar sobre isso. O que mais importante que isso você viu?
— Nada.
— Para onde
estava olhando?
O que? Como
ela sabia? Mulheres são terríveis quando querem ser. Fiquei desconcertado, mas
tentei esconder minha vergonha.
— Para lugar
nenhum.
— Mentira.
Precisa ver sua cara. Estava olhando para ela.
— Charlie
para.
— Tudo bem não
vou brigar com você por causa dela dessa vez. Ela já se meteu demais onde não
devia.
— Também acho.
— Você não tem
que achar nada.
— Como você
quiser.
Abracei— a e
ela ainda estava irritada. Falei ao seu ouvido.
— Só acho o
que você quiser.
Ela riu e
ficamos lá tentando ver mais alguma coisa, mas nada. Ela foi dormir tarde
apesar dos meus apelos. Pela manhã deu trabalho para levantar como eu já dei
muitas vezes à minha mãe.
— Charlie
acorda. A escola.
— Só mais um
pouco Caine que saco.
— Não, acorda.
Você disse isso há dez minutos. Vamos, anda.
— Que
chateação. – Ela se levantou com raiva e bateu a porta do banheiro quando
entrou. Fui para a porta do banheiro e falei mais alto para que ela pudesse
ouvir.
— Você sabe
que precisa ir.
— Sei, mas
estou com sono.
— A culpa é
sua. Te disse para ir dormir, mas preferiu ficar conversando.
— Tá Caine. A
culpa é minha. – Ela falou meio irônica, meio chateada.
— Seu café
está pronto.
— Não estou
com fome.
— Sabe que
precisa comer. Não queimei tudo para agora ter que jogar fora. Vai ter que
comer.
Ela saiu do
banheiro ainda irritada e quando chegou à cozinha começou a rir descontroladamente.
Está certo que queimei o pão e o café parecia horrível, mas não precisava
humilhar. Fiz cara de decepção fingida e ela ficou pesarosa.
— Desculpa
Caine, mas não pude controlar.
— Tudo bem,
quer se desculpar?
— Sim.
— Come então.
— Quero me
desculpar, não me auto— flagelar.
Rimos juntos,
mas ela acabou comendo o máximo que aquele horror permitiu. Beijamo— nos e ela
se foi com a Carly. Passei o dia sem fazer nada de um lado para o outro, vendo
TV, fazendo algo para comer para quando ela voltasse e decidi tentar mais algo
sobre as visões. Fui tomar um banho e quando toquei a marca dessa vez foi mais
fácil. Vi o jantar e tentei focar no quarto. Foi como um filme que é adiantado
por capítulos. De repente nos vi no quarto. Beijávamo— nos e ela estava me seduzindo.
Beijava meu pescoço faminta e quando menos esperei senti algo incômodo,
dolorido. Ela me fez beijar seu pescoço e senti gosto de sangue: ela havia
cortado sua nuca e quando senti o sangue na minha boca as coisas pioraram. A
mordida queimava muito e no auge da dor e da minha loucura o homem da cabeceira
da mesa entrou brigando com ela que tinha se vestido muito rapidamente, mesmo
para uma vampira. Foquei nos lábios deles como pude para tentar ler o que eles
diziam. Era uma discussão... Sobre algo ser cedo... Ele perguntou se houve
troca de sangue. Era isso! Precisava haver troca de sangue para a mudança.
Tirei a mão do pescoço e dei um grito de alegria. Contive— me na mesma hora.
Saí do banho, me vesti e fiquei consternado. Estava eufórico, louco para contar
a ela o que descobri afinal a ideia foi sua. Faltava quase duas horas para ela
sair e não agüentava ficar preso entre aquelas paredes. Decidi que precisava de
roupas, logo fui para casa buscá— las. Quando arrumei tudo fui para a parada de
ônibus esperá— la.
Nana&Karol
Nenhum comentário
Postar um comentário
Muito Obrigada pelo seu comentário!