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02 novembro, 2012

Capítulo 27


O Caine estava arrasado, mas não tinha o direito de me tratar como uma idiota. É claro que eu sabia da dimensão do problema, mas ele estava tão transtornado que não entendeu que só quis amenizar a situação. Também estava com medo daquelas mulheres apesar de estar com muita raiva delas. Aquela nojenta da Verônica me deixou muito, muito irritada. Como ele ficou tanto tempo com ela? Quem ela pensava que era para chegar na casa do MEU namorado e achar que tinha o direito de interferir na vida dele? Ela me irritou de verdade. Se a visse na minha frente de novo a bateria tanto! Só por ter dado em cima dele e tê— lo ameaçado daquele jeito.
Estava nesse pensamento virada contra ele enraivada quando ele me abraçou pelas costas. O pior era ter quer controlar nossos encontros. Ia morrer de saudade do Caine. Não tinha nada de interessante para fazer aqui fora a escola. Nada era interessando quando ele estava longe nem mesmo Londres. Fomos para casa num clima meio tenso. Ele por causa da ameaça a nós—  principalmente por ela ter me citado—  e eu por estar com medo de ficar sem ele, por ele e por mim. Se ficássemos juntos seria melhor. Protegeríamo— nos e não ficaríamos preocupados com o que estaria acontecendo com o outro. Pena que ele não concordava comigo.
— Não vai nem entrar?
— Não. Quanto menos tempo ficarmos juntos será melhor. Preciso ir. Eu te amo muito.
— Também te amo.
Ele se foi e me deixou não por escolha, mas por imposição. Fui ao quarto, tomei um banho, penteei o meu cabelo assanhado que estava úmido quando saí pela manhã, vesti uma roupa confortável e fui comer algo. Fiz macarrão com um tempero melhor que da última vez. Não tinha nada para fazer mesmo e não precisava dormir cedo. Comi vendo TV. Passava um programa de humor, então aumentei o volume e enquanto lavava o que sujei dei boas risadas. Voltei para o sofá e quando me sentei a campainha tocou. Era ele? Levantei empolgada achando que ele tinha mudado de ideia e ficaria comigo de novo, mas quando abri a porta minha cara caiu no chão.
— Sim, em que posso ajudar? – Tentei disfarçar, mas me saí horrível.
— Sumindo das nossas vidas.
— Não estou entendendo. De quem está falando?
— Você sabe bem de quem estou falando. – Fingiria até a morte. O Caine me mandaria agir assim, por precaução.
— Não, não sei. Quem é você?
— Sou a namorada do Caine e você sabe muito bem disso. Vai dizer que já esqueceu que me viu a pouco na casa dele.
— Não saí de casa hoje.
Ela apertou os olhos, irada e entrou no meu apartamento fechando a porta. Veio caminhando na minha direção enquanto eu recuava.
— Não se faça de idiota. Sabe bem que o Caine passou a noite aqui com você – e falou “você” como se fosse cuspir no meu rosto — , vocês foram para a casa dele e enquanto você se escondia como uma ratazana covarde nós conversamos.
— Cala sua boca e sai da minha casa sua cobra. Você não tem o direito e interferir nas nossas vidas.
Droga! Falei demais. Ela também me tirou do sério. Se fosse a Glorinha já tinha partido para cima dela com certeza.
— Oh, agora sabe quem sou e de quem estou falando, sua sonsa.
— Não fala assim comigo! Como é que você vem à minha casa e entra sem ser convidada para me destratar? Não tem noção das coisas, não garota? Não se mete na minha vida nem na do Caine ou...
— Ou o que? – Ela se aproximou de mim me enfrentando. O que eu disse mesmo que faria quando a visse? Fiquei sem palavras para responder à altura.
— Sai da minha casa sua louca. Já disse para sumir. Não cansa de ser enxotada? O Caine não te quer – e falei bem devagar me deliciando com cada sílaba — , ele mesmo disse isso ou você já esqueceu? – Falei no mesmo tom irônico que ela usou quando me fez essa pergunta – Ele te expulsou de lá, da vida dele e sabe por quê? Porque só eu caibo na vida dele a partir de agora. Não tem espaço para você mesmo tendo feito o que fez. Ele não te ama, nunca amou e nem te quer agora.
Cara ela estava me olhando com uma cara de fúria que não sei como tive coragem de falar tudo isso. Estava a ponto de sufocar com essas palavras na garganta, precisa jogar tudo na cara dela. Infelizmente ela não chorou e saiu correndo como era a minha intenção, fez justamente o contrário. Veio na minha direção batendo o salto no chão com muita força e levantou a mão na altura do meu pescoço. Tentei driblar a mão dela, mas a Verônica foi mais rápida. Pôs a mão no meu pescoço e apertou com força. Fiquei sem fôlego e tossi até quando meu ar se esgotou de vez. Meus olhos lacrimejaram enquanto ela se deliciava com cena,
— Vamos ver se quando você estiver fora do meu caminho o Caine não corre de volta para mim. Ele deve ter se encantado com a brasileirinha bronzeada. Tudo que é novidade é bom, mas enjoa. E antes que você o faça enjoar eu cuido de você. Será um favor para ele. Depois ficará grato a mim.
Ela falava com cara de nojo me olhando e apertava cada vez com mais força. De repente ela me largou. Caí no chão com toda força de bruços e fiquei lá escutando coisas vagas, sem ar e quase desmaiando. Não tinha forças nem para abrir os olhos.
— Droga! O que ele faz aqui?
Ela saiu correndo pela porta e em menos de três minutos o Caine entrou correndo pela porta. Ele segurou meu rosto e tocou meu pescoço. Doeu. Chegou perto de mim, levantou e pegou o telefone.
— Alô, preciso de uma ambulância urgente. Acho que foi estrangulamento. Sim, respira, mas com dificuldade...
Sério que eu ainda respirava? Ele passou todas as informações pelo telefone e o meu endereço. Depois correu acho que na direção do quarto e voltou.
— Calma meu amor tudo ficará bem. Estou aqui e você tinha razão: não podemos nos separar. Ficarei com você até quando puder. Eu te amo te amo mais que tudo.
Estava mais tranqüila por tê— lo ao meu lado e por ela ter ido embora. Pedi a Deus intimamente para nunca nos separar. Alguns minutos depois chegaram várias pessoas. Mexeram em mim cuidadosamente, me puseram numa maca com um balão de oxigênio e fizeram alguns exames clínicos. O Caine explicou que quando chegou me encontrou no chão e ligou para alguém. Algum tempo depois a mãe dele chegou e me desceram para uma ambulância. Ela estava comigo.
— Calma querida ficará tudo bem.
Fiz todo o esforço que pude e consegui falar.
— Caine...
— O Caine não está aqui, mas logo chegará. Nós te amamos e cuidaremos de você.
Ela falava muitas palavras carinhosas comigo e me acalmava, mas eu queria o Caine. Chegamos bem rápido ao hospital e lá fizeram exames e falaram muito. Era mais confortável para mim ficar com os olhos fechados, mas sempre tive bastante noção de sons e não era difícil saber o que se passava ao meu redor mesmo sem enxergar. Depois de muito ir e vir de médicos e enfermeiros constataram que eu ficaria sem poder falar por algumas horas só para que minhas cordas vocais voltassem ao normal. Estava inflamado; deve ter sido por causa da tosse enquanto ela apertava. A Lorenna entrou no quarto quando foi autorizado.
— Você não pode falar. Precisa descansar suas cordas vocais para não prejudicar sua voz. Vou fazer umas perguntas e você responde balançando a cabeça ok?
Acenei positivamente.
— Está sentindo dor em algum lugar?
Acenei negativamente.
— Precisa de algo?
Novamente acenei negativamente.
— Quer que eu ligue para o Caine agora?
Acenei positivamente tão enfática que ela sorriu.
— Tudo bem querida já imaginava nem sei por que perguntei. Vou ligar agora mesmo. Ele deve estar totalmente aflito.
Ela pegou o celular e discou o numero que devia ser o da minha casa.
— Caine? Pode vir. Ela acordou e está bem... Ela não pode falar agora... Ela precisa descansar a voz... Não demora falando se não ela vai querer falar. Só um instante.
— Charlie? Me perdoa meu amor. Eu te amo tanto. Você está bem?
— Sim Caine, vem para cá, por favor. Preciso de você. —  Ele desligou o telefone.
— Charlie! Você não pode falar.
Olhei para ela desculpando— me e ela entendeu.
— Ele desligou?
Acenei positivamente. Ela desligou. O hospital ficava a uns dez minutos de distância da minha casa, mas em uns seis minutos ele chegou. Entrou no quarto e me olhou desesperado. Chorei e estendi a mão na direção dele. Ele veio rapidamente na minha direção segurou minha mão e me puxou levemente para um forte abraço. Não sentia dor nem nada do tipo, mas só de alívio chorei emocionadamente. Ele me abraçava cada vez mais forte e sussurrava ao meu ouvido.
— Por favor, me perdoa. Foi tudo culpa minha. Não deveria ter te deixado sozinha. – O larguei e fiz que não com a cabeça franzindo o cenho como se estivesse dizendo que a culpa não foi dele que me abraçou novamente. – Você é tudo para mim, minha vida, minha alma, meu ar. Se algo de grave tivesse acontecido eu morreria. Isso não vai ficar assim. Vou atrás dela e ela vai se arrepender de ter ido ao seu encontro, de ter voltado e interferido em nossas vidas.
Como ele sabia que tinha sido ela. Poderia ter sido um assalto. E como ele chegou tão rápido. Não tinha parado para pensar nisso até agora. Olhei— o confusa e interrogativa. Ele me olhou com um sorriso.
— Eu te vi. Vi vocês brigando e ela se aproximar de você e senti que não por um bom motivo então corri até sua casa e te achei no chão. Infelizmente ela já havia ido embora, mas não vai conseguir se esconder por muito tempo. Vou caçá— la até o inferno e fazer ela se arrepender de ter chegado perto de você.
Olhei— o assustada e fiz que não com a cabeça. Não era para ele se vingar. Não era para ele se arriscar. Precisava falar, mas quando tentei minha garganta ardeu me lembrando que era preciso repousar. Segurei firme o braço e a camisa dele, olhei no fundo dos seus olhos e acenei negativamente. Ele me olhou por uns instantes, mas desviou o olhar e me abraçou. Sabia que ele não me obedeceria e fiquei irritada com isso. Não retribui o abraço e ele me olhou novamente. Olhei para ele com um rosto chateado.
— Sei que você não quer isso, mas precisa ser assim. Se eu não for atrás dela ela virá atrás de nós. De você novamente então é melhor acabar com isso.
Olhei para a janela irritada. Depois a desobediente era eu. Que droga! Será que ele não percebia que estava zelando pelas nossas vidas, pela nossa união. Sabia óbvio, que ela viria atrás de nós, mas por enquanto não. Ela sabia que ele estava irritado com ela e não se arriscaria tanto sabendo de todo o potencial dele. Já havia feito muita bobagem até aqui e não faria mais uma por capricho. Então não havia tanta pressa para ele sair com tanta euforia trás dela e guiado pelo sentimento de vingança. Isso nunca dava certo.
— Tudo bem. Espero você melhorar para conversarmos sobre o que vamos fazer.
— Também acho que será melhor assim. Guiado pelo ódio e impulsividade você não vai conseguir nada além de se matar e eu não agüentaria isso novamente. Nós te ganhamos, eu de volta, e não queremos te perder para ela. Realmente quer dar esse gostinho à Verônica?
— Claro que não. Vocês têm razão.
— Sempre temos razão.
Ela se aproximou e nos abraçamos sorrindo. Ela afagou nossas cabeças me deu um beijo no rosto e um na testa dele.
— Preciso sair um minuto para ligar para o Richard. Ele deve estar preocupado. Saí dizendo que a filha de uma amiga estava mal e precisava de ajuda. Com licença.
Quando ela saiu ele me abraçou de novo forte e me beijou delicadamente no pescoço. Fiz cara de “deve estar horrível” ao pé que ele respondeu.
— Não está tão ruim. Terá que usar cachecol por uns dias, mas aqui isso não será problema. Ficará ainda mais linda.
Sorri para ele e me aproximei para um beijo. Ele me olhou duvidoso e respondi com um olhar tipo “não posso falar. Só falar.” Então ele me abraçou forte e me beijou apaixonadamente e ansiosamente entre sussurros de “eu te amo”. Quando nos acalmamos ele se sentou ao meu lado com uma perna em cima da maca e fiquei encostada ao seu peio descansando.
— Queridos, preciso ir agora, está tarde. Amanhã volto para te visitar Charlie. Se precisarem de algo me liguem. Pode me acompanhar Caine?
— Claro. – Ele me olhou como se pedisse licença e seguiu— a.
Ela me beijou no rosto e se foram. Pouco depois ele voltou e ficamos lá: ele falava e eu ouvia e sempre que a enfermeira estava chegando ele se levantava rapidamente e se sentava na poltrona ao lado da cama. Quando ela saia ele voltava.
— O que quer saber?
Apontei para ele e fiz um gesto que demonstrava algo pequeno. Queria saber da infância dele.
— Quer saber sobre mim quando eu era criança?
Acenei positivamente.
— Bom, eu sempre fui uma criança tranqüila. – Olhou— me irônico e riu. – dei muito trabalho à minha mãe. Já fugi de casa por brincadeira, já matei um peixinho. Uma vez derrubei a cinza da lareira no tapete novo dela. Minha mãe quase teve um infarto. Fiquei um mês sem TV. Foi um martírio para mim. Era viciado em vídeo game até os doze anos. Depois achei algo mais divertido para fazer: comecei a namorar e esqueci o vídeo game.
Bati levemente nele que gargalhou. Sorri também e fiz sinal para que continuasse.
— Não tenho muito que falar. Sempre tive muitos amigos, era bom aluno naturalmente, as pessoas gostavam de mim de verdade. Pena que perdi tudo isso agora.
Olhei— o e ele estava com um ar vago, reticente então cutuquei sua barriga e apontei para mim. Ele me olhou declarativo e me beijou.
— Realmente você é mais importante que tudo isso que citei.
Ficamos assim até que dormi. Acordei pela manhã com a enfermeira ao meu lado olhando uma ficha.
— Está tudo bem com você? Precisa de algo?
Respondi com a cabeça sim para a primeira pergunta e não para a segunda.
— Já pode falar agora meu bem. Só não exagere. Vá começando devagar. Vai doer um pouquinho, mas é normal em alguns minutos passará.
— Ainda bem. Não agüentava mais essa situação. Nunca fui boa em mímica. Sabe onde está meu acompanhante?
— Saiu quando entrei. Disse que voltava logo.
— Obrigada.
Ela sorriu e saiu. Realmente senti certa ardência na garganta e fiquei calada esperando que ele voltasse. Logo, logo ele apareceu trazendo uma florzinha na mão.
— Bom dia, dorminhoca.
— Bom dia meu amor.
— Já pode falar mesmo ou está burlando as regras?
— Estou oficialmente liberada.
— Para você. Eu te amo.
— Obrigada. Também te amo.
— Já comeu.
— Não, vai comer agora. – A enfermeira entrou na mesma hora com uma bandeja com suco, café e uma papinha com um jeito bem estranho. – É para você não engolir nada que machuque sua garganta.
— Tudo bem. – Comi tudo e a papinha estava muito boa. Era aveia com mel e alguma outra coisa que não identifiquei. Quando acabei o Caine me olhava surpreso.
— Sua cozinha é bem desfavorecida para alguém que come tanto.
— Você só me vê comendo quando estou faminta. Não como tanto assim normalmente.
— Vou fingir que acredito. Mas, deixamos algo para hoje lembra?
— Sim, mas não queria.
— O que aconteceu ontem?
— Ela tocou a campainha e como pensei que era você abri logo.
— Te disse para se cuidar.
— Tudo bem já entendi que deveria ter obedecido, mas posso continuar? – Ele me olhou sério. – Ela foi entrando e fingi que não sabia quem ela era. Ela sabia que estava na sua casa ontem. Ela sabia coisa demais e começou a me humilhar. Temos de convir que ninguém ficaria calado ouvindo desaforo então disse para ela sumir que você não a queria. Ela me ameaçou e me esganou. Depois xingou e disse que não deveria estar lá e saiu. Um segundo depois você chegou e já sabe o resto.
— Não deveria tê— la enfrentado.
— Eu sei, mas...
— Charlie não estamos falando de uma ex— namorada ciumenta. Não apenas isso. Ela é uma vampira poderosa e não há páreo entre vocês. Nem entre eu e ela.
— Sei disso, mas não pensei na possibilidade dela querer me matar.
— Te alertei tanto...
— Olha, não preciso de mais sermões. Senti na pele que deveria ter sido mais cautelosa, mas não fui. Passou e agora vou me precaver mais está bem?
— Tudo bem. Não quero te chatear, só quero cuidar de você. Não quero que passe por nada disso de novo.
— Tudo bem e eu só não quero que brigue comigo. Ela iria adorar isso.
— E isso será que a agradaria?
Ele se aproximou com um olhar apertado e perigoso e me beijou como ontem, mas mais rapidamente se afastando e me deixando com ar de “O que? Não terminei.”.
— Com certeza ela não acharia legal. – Rimos. – Preciso ligar para casa para contar que fui atropelada.
— Tudo bem. Ele me deu o telefone e comecei a pensar em alguma desculpa para dar.

Nana&Karol

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