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21 outubro, 2012

Capítulo 26


Nem pude acreditar no que estava vendo. A Verônica! Esperei tanto por explicações e ela me aparece justo quando estava começando a aprender a viver sozinho. O que será que passou pela cabeça dela? Será que achou que eu a perdoaria e ficaria tudo bem? A minha vontade era de estraçalhá— la e de queimar cada parte do seu corpo. Estúpida, víbora. De onde tinha vindo toda aquela raiva?
–Não venha me dizer que você não soube se virar muito bem. Até outra já colocou no meu lugar. – Meu sangue congelou e ferveu diversas vezes sob minha pele â medida que ela falava. Como tinha coragem de mencionar quem quer que fosse que eu amasse? Será que não se dava conta do perigo que corria?
— Não abre sua boca para falar de mim nem de ninguém que faça parte da minha vida.
— Também faço parte da sua vida quer queira quer não. Você está assim hoje por minha causa e isso nunca poderá mudar.
— Quer dizer que você assume?
— Hoje sim. Você está quase no tempo de aumentar seus poderes. Só precisei escavar o terreno. Será mais poderoso que muitos e ficaremos juntos para sempre.
— Se tivesse que passar a eternidade ao seu lado me degolaria antes.
— Não me trata assim. Mostrei— te um mundo novo, uma vida nova e agora você cospe em tudo isso. O que aconteceu com você Caine?
— Aconteceu o que já deveria ter acontecido: abri os olhos para enxergar quem você realmente é. Uma bruxa, uma sanguinária e interesseira. Minhas visões agora fazem sentido.
— Já? Desde quando começou?
— Não importa. Nada que se refira a mim te importa agora.
— É claro que sim. Se você está nessas condições hoje é por minha causa. Eu disse a ele que não importaria o tempo. Você é impetuoso, corajoso e além de tudo poderoso. Suportaria bem e se adaptaria facilmente.
— Não sei a quem se refere, mas se fui tudo isso foi por minha causa. Não poderia conviver comigo mesmo se tivesse agido diferente.
— Claro que não. Você sempre foi o garotinho da mamãe protegido do mundo e até de você mesmo. Nunca se deixou viver nem se libertar.
— Já te mandei embora. O que veio fazer aqui?
— Te buscar.
— Para que?
— Para seguir comigo. Quando tudo começar você será...
— De novo essa história? Quando o que começar?
— Quando a disputa pelos mais poderosos começar. Já estão quase todos selecionados e você é o mais precioso do meu clã. Todos são fortes ou inteligentes, mas você é tudo isso e ainda tem visões.
— Não faço parte desse seu clã. E o que as visões têm a ver?
— Será mesmo que você não enxerga? Com um poder desses poderíamos antecipar muitas coisas.
— Não sabia que seria essa a intenção dela. Usar— me como um oráculo.
— De quem diabos está falando?
— Daquela mulher que esteve aqui atrás de mim. Parecia com você.
— A Brianna Comte esteve aqui? Aquela vaca usurpadora!
— Quem é Brianna Comte?
— É uma mulher sem escrúpulos e sem moral.
— De que você está falando? Escrúpulos e moral? Nem sabe o que é isso. Nunca os usou na vida.
— Não me trata assim, já te falei.
— Vai embora, vai. Nunca mais aparece. Não vou servir a ninguém, muito menos a você sua falsa, mentirosa, traiçoeira. Some da minha vida.
— Vai se arrepender de ter me tratado assim Caine Ventrue. Não conhece o poder da minha vingança.
— Acha que me importo com algo que venha de você Verônica? – A segurei pelo pescoço e apertei até que ela realmente ficou amedrontada. – É a última vez que te aviso Verônica Malkavian: some daqui e não passa nem perto da minha família nem de mim. Nunca mais quero ver sua cara na minha frente. Vai embora agora.
Disse a última frase gritando e a soltei. Ela me olhou fulminante de raiva e deu as costas. Saiu pisando tão forte que pensei que seu salto fosse quebrar. Fechou a porta com tanta força que fez tudo estrondar e uma parte do reboco da parede cair.
A pressão que ela exerceu sobre mim foi tão grande que não agüentei. Foi algo sobre— humano, mais que o vampirismo e mais que tudo que já me aconteceu. Subi desolado e quando olhei a Charlie tão indefesa, tão curiosa ali agachada perto do vidro chorei. Ela levantou correndo e me abraçou com toda sua força. Retribui da mesma forma e quase tirei seu fôlego.
— Ela é...
— A Verônica. Eu sei. –Solucei ainda mais. – Calma meu amor ficará tudo bem. O dia foi intenso, mas tudo acabará. Fica tranqüilo.
— Eu te amo tanto Charlie.
— Também te amo Caine. Senta aqui vem. – Sentamos no colchonete e fiquei abraçado a ela.
— Ela não tinha o direito de aparecer aqui. Ela não tinha o direito de te mencionar. Nenhuma das duas.
— Isso não importa.
— Claro que importa. Se elas falaram é porque sabem o que sentimos um pelo outro. Não sei se serei capaz de te proteger quando elas começarem essa briga estúpida por mim. Você ouviu o que ela disse? Fui selecionado. Que droga! Não sou um objeto. Não vou servir a nenhuma delas.
— Não precisa servir a ninguém. Podemos... ir embora daqui.
— Não adiantaria. Elas realmente me querem e não vão desistir tão facilmente. Você está correndo risco comigo e isso é a única coisa que me importa. Não me preocupo comigo. Estou morto para o mundo e não farei falta a ninguém, mas você tem uma vida e não tenho o direito de colocá— la em risco.
— Se acalma Caine. Vai dar tudo certo.
— Será que você está realmente entendendo a gravidade da situação?
— Claro que estou Caine. Não sou uma criança indefesa como você pensa. Só que estou tentando te acalmar. Não vai adiantar todo esse desespero. Precisa pensar na situação friamente.
Agora ela tinha me surpreendido. Falou como um comandante numa guerra. Estava sendo estúpido e ela logo viu isso. Charlie virou de costas e ficou com os braços cruzados olhando para baixo pela janela. Abracei— a pelas costas, mas ela continuou na mesma posição.
— Sei que estou descontrolado, mas é que não consigo nem imaginar a hipótese de te ver nas mãos daquelas duas cobras. Será a primeira que elas procurarão para tentar me coagir e não estou disposto a te perder para ninguém, muito menos para elas.
— Não irá me perder para ninguém. Daremos um jeito.—  Ela me abraçou e ficamos assim por alguns minutos.
— Precisamos ir. Tenho que te deixar em casa e voltar para cá. De hoje em diante nos veremos mais rapidamente e de preferência longe da sua casa. Não quero te entregar nas mãos delas.
— Isso não, por favor. Não é justo que elas interfiram assim em nossas vidas.
— Não cabe a nós decidir.
— E quanto a eu conseguir tudo o que quiser de você? – Ela falou entre um meio sorriso e passando a mão pelo meu peito até laçar meu pescoço e ficar bem próxima a mim.
— Tudo que depender de mim, mas como já disse não está ao meu alcance.
— Droga! – Ela me largou e fez uma cara de raiva. – Se antes já era complicado te ver imagina agora. Tenho vontade de matá— las. Que droga Caine.
Ela choramingou e derramou uma lágrima, mas prontamente a enxugou com rudeza. Abracei— a com força e falei ao seu ouvido.
— Será por algum tempo. Só enquanto resolvo isso com mais calma. Tem paciência, por favor.
— Só por você.
— Precisamos ir enquanto é cedo. Você também precisa comer algo. Está desde ontem sem comer direito. Vamos.
— Você passou seis dias sem comer.
— Não vou nem te responder.
Olhei— a irônico e ela sorriu. Peguei— a pelas pernas e a pus no ombro. Ela deu um gritinho e se segurou. Desci a escada enquanto ela falava sobre como iríamos nos ver.
— Você pode me buscar na escola.
— Não.
— Me apanhar no café depois da aula.
— Não.
— Caramba Caine e onde será?
— Num lugar aberto o qual você não freqüente costumeiramente.
— Se elas tiverem de aparecer será em qualquer lugar.
— Mas se prevenir é sempre bom.
— Nossa que horror. Nem eu estou tão temerosa assim.
— Mas deveria estar.
— Tá, me põe de volta no chão. – A pus de volta no pé da escada. – Quero ir para casa. Já que terei que ficar sozinha não vou mais adiar a separação.
— Já pensou em ser atriz? Tipo, filmes de drama, guerras. Faria muito sucesso em Hollywood.
— Cala a boca Caine.
Ela me bateu e a beijei. Levei— a para casa sempre olhando para os lados para me certificar de não estar sendo seguido. Quando chegamos subi, mas não entrei.
— Não vai nem entrar?
— Não. Quanto menos tempo ficarmos juntos será melhor. Preciso ir. Eu te amo muito.
— Também te amo.
Beijamo— nos e fui para casa. Estava preocupado com ela, mas seria pior ficarmos juntos. Elas iriam onde eu estivesse e se eu estivesse com a Charlie ela também estaria em risco. Como disse não me importava comigo, apenas com ela e com meus pais no momento. Falaria com minha mãe. Não poderíamos nos ver mais com freqüência para a segurança dela. Cheguei  em casa rapidamente. Se algo tivesse de acontecer que fosse aqui longe de tudo e das pessoas que amo. Seria melhor. Fiquei alerta a qualquer barulho, qualquer coisa que denunciasse a aproximação de alguém. Estava deitado no meu colchonete com o braço atrás da cabeça quando senti meu coração apertado. Era como se o ar tivesse sido retirado de mim. Fiquei gelado e instintivamente toquei a marca. Tive outra daquela sensação de estar voando para algum lugar. Vi a Charlie em casa na frente da TV. Alguém tocou a campainha e ela abriu sem olhar quem era. Não Charlie, não deveria agir assim. Não foi isso que combinamos. Uma mulher entrou e a acuou. Ela estava impetuosa, corajosa e isso irritou a mulher. Falaram, gritaram então a mulher se aproximou. Acabou. Tudo foi embora. Esforcei— me para ver mais, mas fora minha visão que estava muito mais clara, meus olhos aguçados e provavelmente brancos não vi mais nada. Desci correndo e fui à casa da Charlie o mais rápido que pude. Procurei ruas que adiantassem meu caminho e em menos de dez minutos estava lá. Subi correndo e encontrei a porta aberta. Logo a vi deitada no chão estendida de bruços. Seu pescoço tinha marcas avermelhadas que logo ficariam roxas. Senti sua respiração e chegando mais perto ouvi sua pulsação. Estava fraca. Liguei para a ambulância. Meus olhos. Corri ao banheiro e olhei. Estavam brancos ainda então fiz um esforço tentando pensar no azul comum e quando abri estavam normais. Voltei correndo para a sala e fiquei conversando com ela.
— Calma meu amor tudo ficará bem. Estou aqui e você tinha razão: não podemos nos separar. Ficarei com você até quando puder. Eu te amo, te amo mais que tudo.
Estava assim quando a ambulância chegou. Perguntaram o que tinha acontecido, mas não sabia responder. Disse que a encontrei no chão quando cheguei. Enquanto a arrumavam fiquei pensando como iria até o hospital. Um morto acompanhando um doente, impossível. Pensei na minha mãe e liguei para o celular dela.
— Alô?
— Alô, quem fala?
— Mãe. Preciso de você.
— Oh... Janete? O que houve?
— A Charlie. Ela não está bem.
— O que? O que houve com ela?
— Ela está mal, mãe. Preciso que a acompanhe ao hospital, você sabe que não posso.
— Claro querida, não se preocupe te ajudo com a Amanda. Estarei aí logo, logo. Fica calma ficará tudo bem.
Sabia que disfarçava, pois meu pai deveria estar perto. Fizeram os primeiros socorros lá no apartamento e isso deu tempo para que minha mãe chegasse. Ela entrou correndo e me abraçou.
— O que houve querido? – A puxei para um canto sem tirar os olhos da Charlie. Estava sem saber o que fazer desesperado.
— A Verônica apareceu no galpão e a Charlie estava lá, mas elas não se viram. Expulsei— a e ela disse que me queria e que não desistiria. Ela sabia da Charlie mãe. Tive uma visão dela aqui e corri o máximo que pude para evitar, mas ela já havia ido embora quando cheguei. Foi por minha causa que aquela víbora a atacou. O que faço mãe?
— Calma Caine ela ficará bem.
Derramei uma lágrima de desespero e ela afagou meu cabelo como quando criança.
— Preciso de alguém para acompanhá— la para preencher os documentos.
— Eu vou. Espera um minuto, vou pegar a bolsa dela. Não se preocupa querido cuidarei da Charlie o melhor que puder.
Levaram— na e minha mãe foi com eles. Fiquei lá em estado de desespero e ira contra a Verônica. Ah! quando pusesse as mãos naquela peçonhenta a mataria da pior forma possível. Ela não podia voltar de forma catastrófica à minha vida e achar que tem o direito de mudar tudo. Estava sem agüentar de ansiedade, andava de um lado para o outro, passava as mãos pelo cabelo, olhava as fotos dela sorrindo e não agüentava. De repente o telefone tocou. Atendi entre lágrimas.
— Mãe?
— Caine? Pode vir. Ela acordou e está bem.
— Me deixa ouvir a voz dela, por favor.
— Ela não pode falar agora.
— O que houve de errado?
— Ela precisa descansar a voz.
— Só preciso ouvir um sussurro, só isso.
— Não demora falando se não ela vai querer falar. Só um instante.
— Charlie? Me perdoa meu amor. Eu te amo tanto. Você está bem?
— Sim Caine, vem para cá, por favor. Preciso de você.

Nana&Karol 

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