Jurava que ela estava começando a agir como devia e me
mandando embora. Cada vez que estava com ela o meu único problema era ir
embora. Ela me puxou e me beijou. A cada beijo sabia que ela me amava e por
isso a amava mais ainda. Era triste ter que deixá— la lá sozinha e ir para
minha vida sem graça. Quem colocava cor nos meus dias e me dava forças para
seguir era ela agora. Sem Charlie ficava triste e sem ânimo para nada.
Levantei— a do chão num abraço e a levei para o sofá. Recostei— me com ela
sobre mim e ficamos nos beijando por um bom tempo.
— Nunca imaginei que pudesse amar tanto alguém.
Disse— lhe ao ouvido ao pé que ela me beijou mais
vorazmente. O efeito que minhas palavras tinham sobre ela era muito bom.
Ficamos assim até o momento em que ela segurando meu cabelo escorreu o braço do
sofá o puxou meu cabelo sem querer. Minha cabeça foi puxada para trás e arfei
como se tivesse sendo acuado. Nem eu entendi bem o aconteceu. Meus olhos
ficaram brancos, mas não pelo puxão e sim pelo beijo. Ela me deixava assim. Só
não entendi bem minhas presas. Estavam expostas e não conseguia controlar,
assim como os olhos. Percebi no rosto dela receio e fiquei temeroso que ela
estivesse com medo de mim. Desculpei— me até quando pude ter a certeza de que
ela não tinha ficado receosa. Falamos sobre quanto tempo estávamos sozinhos.
Pouco tempo para ambos e isso me deixou enciumado. Não queria pensar que ela
tinha tido outros namorados antes de mim. Não é machismo é que ela era tão
perfeita que ninguém, nem mesmo eu era digno dela. Ela pediu para que eu
sorrisse em troca de me desculpar. Minhas presas estavam expostas então fiquei
com vergonha. Baixei os olhos ainda esperando que ela desistisse, mas ela
levantou minha cabeça pondo a mão delicadamente no meu queixo. Abri os olhos
quando ela os beijou. Estava maravilhada. Até parece que é uma visão muito
agradável. Devia estar achando muito legal como acharia um filme de ficção
científica. Falamos sobre as possibilidades de minhas presas surgirem e não
chegamos à conclusão nenhuma então nos beijamos novamente. Mais que de repente
ela parou e me mandou abrir a boca. Achei muito estranho. O que ela pretendia
com aquilo tudo? Abri já que a ansiedade dela era tanta. Ela queria ver minhas
presas voltando ao lugar. Na verdade nem senti diferença. Ela disse que elas
contraíram. Senti— me ridículo diante daquela situação. Parecia uma experiência
sendo visualizada, só faltava as anotações e o jaleco, mas entendi seus
argumentos. Ela queria me entender e eu também então deixei para lá. Na saída
ela tocou num assunto que me feriu. Perguntou se poderia falar com minha mãe.
Disse— lhe veementemente que não e esperei que ela tivesse compreendido. Só eu
sei o que foi ver a dor nos olhos na minha mãe aquele dia e nunca mais iria
querer ver aquilo de novo. Logo ela e meu pai superariam e todos ficariam bem.
Para que remexer numa ferida fechada? Não havia necessidade. Fui para casa
pensando nisso e em outro problema que pensando friamente era mais grave.
Estava pondo a Charlie em perigo ficando tanto tempo sem me alimentar.
Precisava achar uma solução. Estava pensando nisso quando fui surpreendido com
a porta do galpão aberta. Fiquei em alerta e entrei cuidadosamente olhando para
todos os lados. Vi uma figura se aproximar se remexendo num rebolado sério e ao
mesmo tempo sensual.
— Quem é você?
— Quem é você?
— O que faz aqui. Esta é minha casa e você entrou sem ser
convidada. O que quer aqui.
Quase não consegui responder. A mulher era muito linda.
Muito sensual. Usava uma calça preta colada com uma bota de cano longo até o
joelho e salto finíssimo assim como o cordão que a amarrava. Sua blusa era
folgada vinho com mangas compridas e cordões no punho, mas ficava justa
destacando sua cintura fina e seus seios grandes por causa de um espartilho
preto que ela usava. Seu cabelo era ondulado e castanho avermelhado e lhe caia
até o colo. Seus olhos delineados de preto eram cintilantes na pouca luz e me
pareceram perigosos e ameaçadores apesar de tentadores. Sua boca era esculpida
assim como a de Charlie e estava com um batom vermelho cádmio. Seu corpo todo
era perfeito e ela deveria ter no mínimo 1,75 de altura sem o salto. Veio caminhando
perigosamente como a Verônica da primeira vez que nos vimos.
— Desculpe— me pela inconveniência, mas nós vampiros não
precisamos de autorização para entrar.
— Mas educação é sempre válida.
— Chega desse papo. Sei que você é um novato e que está sem
se alimentar a muito tempo. É muito talentoso. Expõe— se à luz solar, convive
com seres humanos – quando ela disse isso meu coração gelou. Charlie. – e sente
fome muito mais rápido que os vampiros comuns.
Senti— me acuado. Ela sabia mais de mim que eu mesmo. Como
ela sabia daquilo?
— Como você sabe disso?
— Tenho informantes. Sei de tudo ouço tudo, vejo todas as
coisas e estou em todos os lugares. É uma honra para você me receber. Não
deveria me tratar dessa forma. Nenhum dos meus súditos me trata assim.
— Acontece que não sou seu súdito nem pretendo.
— Não mesmo? Nem sabe o que está em jogo.
— Barganhar minha liberdade é o suficiente para não
aceitar.
— Não estou barganhando nada. Digo o que quero e faço com
que você aceite.
— Não, obrigado não estou interessado.
— Nem se soubesse que posso te fornecer informações sobre
sua transformação?
Como ela sabia o que eu queria? Quem seria essa mulher
ardilosa? Fiquei tentado a ouvi— la, mas não cederia.
— Nem assim.
— Mentira. Posso te adiantar que a Verônica Malkavian – e
cuspiu no chão— tem tudo a ver com isso.
— Fala logo.
— Não é bem assim. Preciso de garantias.
— Que garantias?
— De que posso contar com você.
— Contar com o que?
Ela se aproximou de mim e passou para as minhas costas
chegando bem próximo ao meu ouvido e segurando meu cabelo para um lado tão
delicadamente que quase não senti. Estava paralisado com as atitudes dela, mas
essa quietude não era de mim. Sabia que ela estava fazendo algo. Pelo menos
achava.
— Com a garantia de que quando tudo começar você ficará ao
meu lado.
— Tudo o que? Do que está falando.
— De coisas demais para uma só visita. Pense bem em mim e
não se esqueça das minhas palavras. Tenho certeza de que não será difícil. Por
hoje dou— lhe apenas uma prévia do que te aguarda.
Ela estava encostada a minhas costas quando senti um cheiro
de sangue. Era inebriante mais que todos os outros cheiros que havia sentido.
Nem quando me alimentei. Era insuportável ficar ali. Senti minha visão nublar e
aguçar no mesmo momento. Provavelmente meus olhos estariam brancos e minhas
presas a mostra. Ela passou a mão para frente na direção da minha boca. Segurei
descontroladamente seu pulso e suguei por alguns instantes. Ela retirou— o
depois e o pôs na boca. Logo não havia ferimento lá.
— Pense bem no que te aguarda.
E foi embora sem mais explicações. O sangue que suguei
seria equivalente à quantidade de sangue doada para transfusões. Não era o
suficiente para matar, nem ao menos fazer mal, mas me saciou de uma forma que
senti que poderia passar mais um mês sem me alimentar. Nos humanos quanto mais
eu bebia mais ficava sedento. Tanto que suguei os dois a ponto de ficarem
totalmente sem sangue e com ela foi o contrário. Quanto mais sugava mais ficava
satisfeito. Seria diferente beber sangue de vampiro ou ela em especial faria
isso.
Lembrei da palavra. Especial. Verônica sempre a pronunciava
e agora essa mulher me aparece me dizendo que era diferente. Não queria que
isso se prolongasse. Quando consegui me mexer subi e me deitei. Passei a noite
toda pensando no que aconteceu e entrei pelo dia. Esqueci de tudo que não fosse
aquilo. Aquela mulher deslumbrante havia mexido comigo de uma forma diferente.
Como a Verônica havia feito. Foi mais carnal que emocional. Ela me pareceu a
tentação em pessoa e com certeza estava querendo parecer assim pelo jeito como
agia e falava. Suas palavras escorriam de seus lábios como uma melodia. Seu
olhar prendia suas vítimas, pois considero que a olha como uma vítima. Tentei
escapar à imagem dela e me senti desconfortável com isso. Comecei a esquecer
dela e percebi que tinha algo a fazer. Queria me lembrar, mas não conseguia.
Passei a mão pelo cabelo e percebi que estava solto. Fazia calor onde estaria
meu elástico? Levantei e procurei pela mesa, no chão desci e fui ao banheiro.
Quando me olhei no espelho e vi meus olhos foi como um estalo na minha cabeça.
Charlie. Precisava vê— la. Meus olhos ficaram preocupados e irados, mas não
sentia raiva. Achei estranho. Peguei uma roupa, tomei um banho e corri para a
casa dela. Subi rápido, pois sabia que estava atrasado. Precisava contar o que
tinha acontecido. Baixei os olhos para procurar a campainha, mas não cheguei a
tocá— la. Alguém abriu a porta e logo vi onde estavam meus olhos irados.
Estavam na minha mãe. O que ela fazia ali? O que a Charlie fez? Disse para
ficar quieta. Ela não podia fazer isso. Minha mãe. Ela já saberia? Diante de
mim todos os sentimentos possíveis passaram pelos seus olhos de raiva a amor.
Ela desmaiou e antes que tocasse o chão segurei— a e a
levantei ao colo.
— O que você fez Charlotte. Disse— lhe para não procurá—
la.
— Desculpa só quis te ajudar.
— Mas não o fez. Nem à minha mãe. O que ela sabe.
— Eu... eu...
— O que ela sabe? O que você contou?
— Contei...tudo.
Nesse momento de discussão enquanto segurava minha mãe que
já estava no sofá ela acordou. Abriu os olhos lentamente em meio ao nosso
silêncio. Estava pálida e procurou ar. Olhou em volta e seus olhos pararam no
meu rosto. Lágrimas escorreram aos pulos pelo seu rosto.
— Caine.
Ela me abraçou com força agarrada ao meu pescoço. Parecia
que ia quebrar meu pescoço com tanta força. Ela chorava copiosamente e molhou
minha roupa num instante. Ela segurou meu cabelo (porque todos faziam isso?),
se afastou, apalpou meu rosto, meus olhos, minha boca, meus ombros, meu peito,
minhas mãos e chorando me abraçou de novo.
— Como isso aconteceu? O que houve? Porque não apareceu?
— Mãe entende que seria difícil. Até tentei, mas você
desmaiou e acabei sabendo da minha morte.
— Eu sabia que não estava louca. Vi— te me chamar, gritar
por mim. O Rich disse que deveria me conformar, mas sentia que estava errado.
— Mãe não sou a mesma pessoa de antes. Estou diferente do
que já fui um dia. Não sobrou mais nada de mim.
— Então é verdade? Tudo é verdade?
— Sim. Não sei se você sabe tudo, mas o que sabe é verdade.
— Então você é um...vampiro é isso?
— Sim. agora eu sou isso.
— Não isso. Esse. Meu filho você nunca deixará de ser meu
Caine seja como estiver. Nunca.
— Mãe você não entende. Não sou mais nem... humano. Sou um
animal.
— Não! Quem te disse isso. Se ela te aceitou porque não eu?
Sou sua mãe e não importa o que seja ou faça sempre te amarei e te aceitarei.
Eu te amo.
Quando ela falou na Charlie lembrei que ela deveria estar
ali em algum lugar, mas não estava.
— Mãe, você não entende.
— Claro que entendo. Se você tem que beber sangue para
sobreviver agora isso não importa. O que importa é ter você vivo ao meu lado.
— Tudo bem mãe. Desculpa por não ter aparecido antes, mas
achei que te mataria de susto.
— Morrer quase morri quando a polícia chegou na minha casa
dizendo que você não havia sobrevivido a um acidente. Tive que reconhecer seu
corpo não foi fácil suportar. E quando aquela víbora apareceu na minha casa
dizendo que sentia muito quase a matei. Eu disse que você não deveria ter ido.
Aquela mulher nunca me desceu na garganta. Depois se mudou com a desculpa de
que não suportaria. Que falsa. Crápula mentirosa. Quase a matei naquele dia.
— Sei que o que vou dizer parece loucura, mas não me lembro
de nada do dia do jantar ate aquele dia em que me viu na janela. Nem me lembro
do jantar. Lembro de estar indo, mas não de ter chegado nem nada assim. Acordei
numa cabana numa reserva e sai ensandecido. Fui para casa e quando soube de
tudo saí andando e foi aí que me alimentei a primeira vez. Foi horrível ,mãe.
Estava com fome, mas nunca imaginaria que fosse aquele tipo de sede.
Comecei a chorar com a lembrança e minha mãe também. Foi
até engraçado ver o olhar dela. Parecia como “Oh meu amor calma, você caiu, mas
vai passar”. Ela me abraçou e senti segurança novamente. Quando me acalmei
continuei.
— Encontrei um galpão e fiquei lá. Na verdade estou morando
lá. Quando conheci a Charlie estava com uma garota. Uma amiga que conheci
depois da mudança. Ela é muito legal. A Charlie é muito especial. Eu a amo
muito. Foi algo repentino e apaixonante. Não é nada do que foi com a Verônica,
nem parecido. Com ela era mais físico e com a Charlie é emocional. Sinto que
não consigo passar um dia sem vê— la, sem tocá— la. É demais. É tudo.
— Oh meu filho nunca te vi assim nem com aquela monstra.
Essa garota me pareceu louca, mas agora vejo que era coragem. Se ela passou por
cima de um desejo seu para me procurar deve ser muito forte. Você é tão
persuasivo!
— Mãe! Ela deve estar escutando, não revele meus segredos.
Charlie vem cá.
Nós rimos e ela apareceu do quarto. Estava com as mãos para
trás cabeça baixa e sem a farda. Vestia um vestido comum rosa e estava mais
deslumbrante que nunca. Nessa hora percebi que nem aquela mulher de ontem seria
capaz de vencer a Charlie em qualquer coisa que fosse muito menos em beleza e
no meu amor.
— Não estava ouvindo. Não tudo.
Todos riram com ela sem graça. Estava tão linda, parecia
uma criança que tinha aprontado. Nessa hora minha mãe levantou e a olhou
profundamente.
— Charlie. Preciso me desculpar por ter desconfiado de
você. Sei que não deveria, mas nunca poderia imaginar que o que falava era
verdade.
— Eu sei bem. Sabia que não seria fácil te convencer a vir
aqui. Sei que não é fácil saber que seu filho “morto” está vivo. Nem sei como
aceitou vir à minha casa Sra. Ventrue.
— Me chame de Lorenna afinal sou sua sogra.
Nesse momento nos olhamos e tive vontade de beijá— la. Seus
olhos derramavam sinceridade quando gritavam seu amor por mim e eu agradecia a
Deus por ser correspondido.
— Posso te dar um abraço?
— É claro. — Charlie
foi pega de supetão. Ela tomou um susto, mas abraçou minha mãe carinhosamente.
— Obrigada por ter me trazido de volta um sentido para
viver.
— Agora temos o mesmo bom motivo para viver.
Elas sorriram e um celular tocou. Era da minha mãe. Ela
abriu a bolsa e pegou— o olhando o visor.
— É o Rich. Desde o acidente ele me liga sempre que me
atraso. Hoje ele demorou muito a ligar.
— Mas não fala nada. Pelo menos por enquanto.
— Alô Rich. Não, não, estou bem. É que passei num café para
comprar uma sobremesa para o jantar e a fila está grande. Não vou demorar mais.
Já, já serei atendida. Em meia hora chego em casa. Também te amo e não se
preocupe meu amor. Chego logo. Até mais.
— Que saudade de ouvir a voz dele.
— Você pode ouvir tanto assim?
— Agora sim.
— Não é de todo ruim. – Todos riram.
— Como viram preciso ir. E ainda tenho que comprar uma
sobremesa.
— Aqui perto tem um café belíssimo e as sobremesas são uma
delícia. Fica a umas três quadras seguindo a rua direto à esquerda.
— Obrigada Charlie. Meu filho quando nos vemos de novo?
— Quando você quiser contanto que papai não descubra. Não
quero contar por agora. Sua reação foi ótima, mas não sei como será a dele.
— Tudo bem querido, como você quiser. Agora preciso ir.
Amanhã falo com a Charlie e digo se dará para nos vermos.
— Ok. Até amanhã então. Eu te amo mãe e obrigado por tudo.
— De nada meu filho. Eu que agradeço a Deus por você ter
ficado vivo.
— Obrigada Charlie por tudo.
— De nada Sra... Lorenna.
Minha mãe nos abraçou e se foi apressada. Estava muito
melhor do que quando a vi pela ultima vez. Estava se recuperando bem e agora
seria tudo diferente. Quando a Charlie fechou a porta estava perto do sofá.
Quando ela se virou imediatamente cheguei perto dela e a puxei pela cintura
para um beijo que esperava desde que vi minha mãe de volta a si e me aceitando.
Foi melhor que todos os outros. Estava agradecido e mais apaixonado pela pessoa
que ela era. Não era apenas a doce, meiga e linda Charlie. Era uma outra
Charlie forte, determinada e corajosa por trás daquela. Beijei— a com amor
levantando— a do chão. Após alguns minutos paramos e a puxei para o sofá.
— Te disse para não ir.
— Caine não começa. Você viu que tudo se resolveu e que foi
melhor por que...
Calei— a com um beijo.
— Obrigada Charlie. Não sei o que faria sem você. Agora
preciso contar algo que aconteceu ontem a noite. Foi estranho demais. Vim por
isso.
— Só por isso?
— Não. Quando me olhei no espelho vi raiva e preocupação
que não eram minhas. Lembrei de você e senti que precisava vir aqui, mas isso
vem depois.
— E o que vem antes?
— Quando cheguei em casa estava aberto. Uma mulher estava
lá dentro. Era linda demais e muito sedutora e me propôs ficar ao lado dela
quando tudo começasse. Não sei a que tudo ela se referia, mas disse que sabia
muita coisa sobre minha transformação inclusive que a Verônica tinha muito a
ver com isso.
— Linda e sedutora?
— Charlie! Falei tantas coisas importantes e você só
escutou isso que foi o que menos importou?
— Tem certeza?
— Tenho.
— Mesmo? – Ela me olhou muito desconfiada. Não conseguia
mentir para ela. Teria que contar tudo.
— Não sei.
— Continua.
— Fiquei paralisado com ela perto de mim, mas senti que não
era de mim também. Ela cortou o pulso e pôs na minha boca. – Ela me olhou
enraivada e enojada. Parecia que ia me fuzilar com os olhos. – Por favor,
Charlie tente entender. Estou a uma semana sem me alimentar o que você queria
que eu fizesse vendo sangue escorrendo na minha frente. Foi mais forte que eu.
— Você poderia ter ao menos resistido.
— E você acha que eu não tentei? Claro que sim, mas é como
disse, foi mais forte que eu. Bebi muito pouco, mas me saciou de uma forma que
aqueles dois não fizeram com todo o sangue do corpo deles.
— Será que é porque foram homens?
— Claro que não, não tem nada a ver. Ela é uma vampira e
isso deve ter influenciado.
— Eu sei que você precisava comer, mas não me conformo. Não
gosto da ideia de uma vampira linda ao seu lado.
— Você está enciumada e isso está tirando seu foco. O que
importa é o fato dela saber muito a meu respeito. Mais que nós.
— Parece que todos sabem mais a seu respeito que eu não é?
— Claro que não. O que sei você sabe.
— Nem tanto. Você nunca me contou sobre a Verônica.
— Ela não importa mais para mim.
— Claro que importa. Ele tem tudo a ver com sua mudança.
— Falo no sentido emocional.
— Caine, por favor, não fala mais nada. Preciso ficar sozinha.
Volta amanhã tudo bem?
— Tudo bem. Agora pensa direito no que você fez. Preciso de
você. Não me deixa agora depois de tudo que passamos. Não iria conseguir
sozinho.
— Claro que não vou te abandonar. Só preciso pensar um
pouco. Nesse estado não vou poder te ajudar e não quero te prejudicar o que
seria muito pior. Por favor, amanhã.
— Tudo bem.
Fui para casa muito triste com ela. Não queria perdê— la.
Se ela tinha ficado assim sem saber de tudo imagine se tivesse contado tudo que
senti com aquela mulher ali.
Nana&Karol
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