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12 outubro, 2012

Capítulo 22


Jurava que ela estava começando a agir como devia e me mandando embora. Cada vez que estava com ela o meu único problema era ir embora. Ela me puxou e me beijou. A cada beijo sabia que ela me amava e por isso a amava mais ainda. Era triste ter que deixá— la lá sozinha e ir para minha vida sem graça. Quem colocava cor nos meus dias e me dava forças para seguir era ela agora. Sem Charlie ficava triste e sem ânimo para nada. Levantei— a do chão num abraço e a levei para o sofá. Recostei— me com ela sobre mim e ficamos nos beijando por um bom tempo.
— Nunca imaginei que pudesse amar tanto alguém.
Disse— lhe ao ouvido ao pé que ela me beijou mais vorazmente. O efeito que minhas palavras tinham sobre ela era muito bom. Ficamos assim até o momento em que ela segurando meu cabelo escorreu o braço do sofá o puxou meu cabelo sem querer. Minha cabeça foi puxada para trás e arfei como se tivesse sendo acuado. Nem eu entendi bem o aconteceu. Meus olhos ficaram brancos, mas não pelo puxão e sim pelo beijo. Ela me deixava assim. Só não entendi bem minhas presas. Estavam expostas e não conseguia controlar, assim como os olhos. Percebi no rosto dela receio e fiquei temeroso que ela estivesse com medo de mim. Desculpei— me até quando pude ter a certeza de que ela não tinha ficado receosa. Falamos sobre quanto tempo estávamos sozinhos. Pouco tempo para ambos e isso me deixou enciumado. Não queria pensar que ela tinha tido outros namorados antes de mim. Não é machismo é que ela era tão perfeita que ninguém, nem mesmo eu era digno dela. Ela pediu para que eu sorrisse em troca de me desculpar. Minhas presas estavam expostas então fiquei com vergonha. Baixei os olhos ainda esperando que ela desistisse, mas ela levantou minha cabeça pondo a mão delicadamente no meu queixo. Abri os olhos quando ela os beijou. Estava maravilhada. Até parece que é uma visão muito agradável. Devia estar achando muito legal como acharia um filme de ficção científica. Falamos sobre as possibilidades de minhas presas surgirem e não chegamos à conclusão nenhuma então nos beijamos novamente. Mais que de repente ela parou e me mandou abrir a boca. Achei muito estranho. O que ela pretendia com aquilo tudo? Abri já que a ansiedade dela era tanta. Ela queria ver minhas presas voltando ao lugar. Na verdade nem senti diferença. Ela disse que elas contraíram. Senti— me ridículo diante daquela situação. Parecia uma experiência sendo visualizada, só faltava as anotações e o jaleco, mas entendi seus argumentos. Ela queria me entender e eu também então deixei para lá. Na saída ela tocou num assunto que me feriu. Perguntou se poderia falar com minha mãe. Disse— lhe veementemente que não e esperei que ela tivesse compreendido. Só eu sei o que foi ver a dor nos olhos na minha mãe aquele dia e nunca mais iria querer ver aquilo de novo. Logo ela e meu pai superariam e todos ficariam bem. Para que remexer numa ferida fechada? Não havia necessidade. Fui para casa pensando nisso e em outro problema que pensando friamente era mais grave. Estava pondo a Charlie em perigo ficando tanto tempo sem me alimentar. Precisava achar uma solução. Estava pensando nisso quando fui surpreendido com a porta do galpão aberta. Fiquei em alerta e entrei cuidadosamente olhando para todos os lados. Vi uma figura se aproximar se remexendo num rebolado sério e ao mesmo tempo sensual.
— Quem é você?
— Quem é você?
— O que faz aqui. Esta é minha casa e você entrou sem ser convidada. O que quer aqui.
Quase não consegui responder. A mulher era muito linda. Muito sensual. Usava uma calça preta colada com uma bota de cano longo até o joelho e salto finíssimo assim como o cordão que a amarrava. Sua blusa era folgada vinho com mangas compridas e cordões no punho, mas ficava justa destacando sua cintura fina e seus seios grandes por causa de um espartilho preto que ela usava. Seu cabelo era ondulado e castanho avermelhado e lhe caia até o colo. Seus olhos delineados de preto eram cintilantes na pouca luz e me pareceram perigosos e ameaçadores apesar de tentadores. Sua boca era esculpida assim como a de Charlie e estava com um batom vermelho cádmio. Seu corpo todo era perfeito e ela deveria ter no mínimo 1,75 de altura sem o salto. Veio caminhando perigosamente como a Verônica da primeira vez que nos vimos.
— Desculpe— me pela inconveniência, mas nós vampiros não precisamos de autorização para entrar.
— Mas educação é sempre válida.
— Chega desse papo. Sei que você é um novato e que está sem se alimentar a muito tempo. É muito talentoso. Expõe— se à luz solar, convive com seres humanos – quando ela disse isso meu coração gelou. Charlie. – e sente fome muito mais rápido que os vampiros comuns.
Senti— me acuado. Ela sabia mais de mim que eu mesmo. Como ela sabia daquilo?
— Como você sabe disso?
— Tenho informantes. Sei de tudo ouço tudo, vejo todas as coisas e estou em todos os lugares. É uma honra para você me receber. Não deveria me tratar dessa forma. Nenhum dos meus súditos me trata assim.
— Acontece que não sou seu súdito nem pretendo.
— Não mesmo? Nem sabe o que está em jogo.
— Barganhar minha liberdade é o suficiente para não aceitar.
— Não estou barganhando nada. Digo o que quero e faço com que você aceite.
— Não, obrigado não estou interessado.
— Nem se soubesse que posso te fornecer informações sobre sua transformação?
Como ela sabia o que eu queria? Quem seria essa mulher ardilosa? Fiquei tentado a ouvi— la, mas não cederia.
— Nem assim.
— Mentira. Posso te adiantar que a Verônica Malkavian – e cuspiu no chão—  tem tudo a ver com isso.
— Fala logo.
— Não é bem assim. Preciso de garantias.
— Que garantias?
— De que posso contar com você.
— Contar com o que?
Ela se aproximou de mim e passou para as minhas costas chegando bem próximo ao meu ouvido e segurando meu cabelo para um lado tão delicadamente que quase não senti. Estava paralisado com as atitudes dela, mas essa quietude não era de mim. Sabia que ela estava fazendo algo. Pelo menos achava.
— Com a garantia de que quando tudo começar você ficará ao meu lado.
— Tudo o que? Do que está falando.
— De coisas demais para uma só visita. Pense bem em mim e não se esqueça das minhas palavras. Tenho certeza de que não será difícil. Por hoje dou— lhe apenas uma prévia do que te aguarda.
Ela estava encostada a minhas costas quando senti um cheiro de sangue. Era inebriante mais que todos os outros cheiros que havia sentido. Nem quando me alimentei. Era insuportável ficar ali. Senti minha visão nublar e aguçar no mesmo momento. Provavelmente meus olhos estariam brancos e minhas presas a mostra. Ela passou a mão para frente na direção da minha boca. Segurei descontroladamente seu pulso e suguei por alguns instantes. Ela retirou— o depois e o pôs na boca. Logo não havia ferimento lá.
— Pense bem no que te aguarda.
E foi embora sem mais explicações. O sangue que suguei seria equivalente à quantidade de sangue doada para transfusões. Não era o suficiente para matar, nem ao menos fazer mal, mas me saciou de uma forma que senti que poderia passar mais um mês sem me alimentar. Nos humanos quanto mais eu bebia mais ficava sedento. Tanto que suguei os dois a ponto de ficarem totalmente sem sangue e com ela foi o contrário. Quanto mais sugava mais ficava satisfeito. Seria diferente beber sangue de vampiro ou ela em especial faria isso.
Lembrei da palavra. Especial. Verônica sempre a pronunciava e agora essa mulher me aparece me dizendo que era diferente. Não queria que isso se prolongasse. Quando consegui me mexer subi e me deitei. Passei a noite toda pensando no que aconteceu e entrei pelo dia. Esqueci de tudo que não fosse aquilo. Aquela mulher deslumbrante havia mexido comigo de uma forma diferente. Como a Verônica havia feito. Foi mais carnal que emocional. Ela me pareceu a tentação em pessoa e com certeza estava querendo parecer assim pelo jeito como agia e falava. Suas palavras escorriam de seus lábios como uma melodia. Seu olhar prendia suas vítimas, pois considero que a olha como uma vítima. Tentei escapar à imagem dela e me senti desconfortável com isso. Comecei a esquecer dela e percebi que tinha algo a fazer. Queria me lembrar, mas não conseguia. Passei a mão pelo cabelo e percebi que estava solto. Fazia calor onde estaria meu elástico? Levantei e procurei pela mesa, no chão desci e fui ao banheiro. Quando me olhei no espelho e vi meus olhos foi como um estalo na minha cabeça. Charlie. Precisava vê— la. Meus olhos ficaram preocupados e irados, mas não sentia raiva. Achei estranho. Peguei uma roupa, tomei um banho e corri para a casa dela. Subi rápido, pois sabia que estava atrasado. Precisava contar o que tinha acontecido. Baixei os olhos para procurar a campainha, mas não cheguei a tocá— la. Alguém abriu a porta e logo vi onde estavam meus olhos irados. Estavam na minha mãe. O que ela fazia ali? O que a Charlie fez? Disse para ficar quieta. Ela não podia fazer isso. Minha mãe. Ela já saberia? Diante de mim todos os sentimentos possíveis passaram pelos seus olhos de raiva a amor.
Ela desmaiou e antes que tocasse o chão segurei— a e a levantei ao colo.
— O que você fez Charlotte. Disse— lhe para não procurá— la.
— Desculpa só quis te ajudar.
— Mas não o fez. Nem à minha mãe. O que ela sabe.
— Eu... eu...
— O que ela sabe? O que você contou?
— Contei...tudo.
Nesse momento de discussão enquanto segurava minha mãe que já estava no sofá ela acordou. Abriu os olhos lentamente em meio ao nosso silêncio. Estava pálida e procurou ar. Olhou em volta e seus olhos pararam no meu rosto. Lágrimas escorreram aos pulos pelo seu rosto.
— Caine.
Ela me abraçou com força agarrada ao meu pescoço. Parecia que ia quebrar meu pescoço com tanta força. Ela chorava copiosamente e molhou minha roupa num instante. Ela segurou meu cabelo (porque todos faziam isso?), se afastou, apalpou meu rosto, meus olhos, minha boca, meus ombros, meu peito, minhas mãos e chorando me abraçou de novo.
— Como isso aconteceu? O que houve? Porque não apareceu?
— Mãe entende que seria difícil. Até tentei, mas você desmaiou e acabei sabendo da minha morte.
— Eu sabia que não estava louca. Vi— te me chamar, gritar por mim. O Rich disse que deveria me conformar, mas sentia que estava errado.
— Mãe não sou a mesma pessoa de antes. Estou diferente do que já fui um dia. Não sobrou mais nada de mim.
— Então é verdade? Tudo é verdade?
— Sim. Não sei se você sabe tudo, mas o que sabe é verdade.
— Então você é um...vampiro é isso?
— Sim. agora eu sou isso.
— Não isso. Esse. Meu filho você nunca deixará de ser meu Caine seja como estiver. Nunca.
— Mãe você não entende. Não sou mais nem... humano. Sou um animal.
— Não! Quem te disse isso. Se ela te aceitou porque não eu? Sou sua mãe e não importa o que seja ou faça sempre te amarei e te aceitarei. Eu te amo.
Quando ela falou na Charlie lembrei que ela deveria estar ali em algum lugar, mas não estava.
— Mãe, você não entende.
— Claro que entendo. Se você tem que beber sangue para sobreviver agora isso não importa. O que importa é ter você vivo ao meu lado.
— Tudo bem mãe. Desculpa por não ter aparecido antes, mas achei que te mataria de susto.
— Morrer quase morri quando a polícia chegou na minha casa dizendo que você não havia sobrevivido a um acidente. Tive que reconhecer seu corpo não foi fácil suportar. E quando aquela víbora apareceu na minha casa dizendo que sentia muito quase a matei. Eu disse que você não deveria ter ido. Aquela mulher nunca me desceu na garganta. Depois se mudou com a desculpa de que não suportaria. Que falsa. Crápula mentirosa. Quase a matei naquele dia.
— Sei que o que vou dizer parece loucura, mas não me lembro de nada do dia do jantar ate aquele dia em que me viu na janela. Nem me lembro do jantar. Lembro de estar indo, mas não de ter chegado nem nada assim. Acordei numa cabana numa reserva e sai ensandecido. Fui para casa e quando soube de tudo saí andando e foi aí que me alimentei a primeira vez. Foi horrível ,mãe. Estava com fome, mas nunca imaginaria que fosse aquele tipo de sede.
Comecei a chorar com a lembrança e minha mãe também. Foi até engraçado ver o olhar dela. Parecia como “Oh meu amor calma, você caiu, mas vai passar”. Ela me abraçou e senti segurança novamente. Quando me acalmei continuei.
— Encontrei um galpão e fiquei lá. Na verdade estou morando lá. Quando conheci a Charlie estava com uma garota. Uma amiga que conheci depois da mudança. Ela é muito legal. A Charlie é muito especial. Eu a amo muito. Foi algo repentino e apaixonante. Não é nada do que foi com a Verônica, nem parecido. Com ela era mais físico e com a Charlie é emocional. Sinto que não consigo passar um dia sem vê— la, sem tocá— la. É demais. É tudo.
— Oh meu filho nunca te vi assim nem com aquela monstra. Essa garota me pareceu louca, mas agora vejo que era coragem. Se ela passou por cima de um desejo seu para me procurar deve ser muito forte. Você é tão persuasivo!
— Mãe! Ela deve estar escutando, não revele meus segredos. Charlie vem cá.
Nós rimos e ela apareceu do quarto. Estava com as mãos para trás cabeça baixa e sem a farda. Vestia um vestido comum rosa e estava mais deslumbrante que nunca. Nessa hora percebi que nem aquela mulher de ontem seria capaz de vencer a Charlie em qualquer coisa que fosse muito menos em beleza e no meu amor.
— Não estava ouvindo. Não tudo.
Todos riram com ela sem graça. Estava tão linda, parecia uma criança que tinha aprontado. Nessa hora minha mãe levantou e a olhou profundamente.
— Charlie. Preciso me desculpar por ter desconfiado de você. Sei que não deveria, mas nunca poderia imaginar que o que falava era verdade.
— Eu sei bem. Sabia que não seria fácil te convencer a vir aqui. Sei que não é fácil saber que seu filho “morto” está vivo. Nem sei como aceitou vir à minha casa Sra. Ventrue.
— Me chame de Lorenna afinal sou sua sogra.
Nesse momento nos olhamos e tive vontade de beijá— la. Seus olhos derramavam sinceridade quando gritavam seu amor por mim e eu agradecia a Deus por ser correspondido.
— Posso te dar um abraço?
— É claro. —  Charlie foi pega de supetão. Ela tomou um susto, mas abraçou minha mãe carinhosamente.
— Obrigada por ter me trazido de volta um sentido para viver.
— Agora temos o mesmo bom motivo para viver.
Elas sorriram e um celular tocou. Era da minha mãe. Ela abriu a bolsa e pegou— o olhando o visor.
— É o Rich. Desde o acidente ele me liga sempre que me atraso. Hoje ele demorou muito a ligar.
— Mas não fala nada. Pelo menos por enquanto.
— Alô Rich. Não, não, estou bem. É que passei num café para comprar uma sobremesa para o jantar e a fila está grande. Não vou demorar mais. Já, já serei atendida. Em meia hora chego em casa. Também te amo e não se preocupe meu amor. Chego logo. Até mais.
— Que saudade de ouvir a voz dele.
— Você pode ouvir tanto assim?
— Agora sim.
— Não é de todo ruim. – Todos riram.
— Como viram preciso ir. E ainda tenho que comprar uma sobremesa.
— Aqui perto tem um café belíssimo e as sobremesas são uma delícia. Fica a umas três quadras seguindo a rua direto à esquerda.
— Obrigada Charlie. Meu filho quando nos vemos de novo?
— Quando você quiser contanto que papai não descubra. Não quero contar por agora. Sua reação foi ótima, mas não sei como será a dele.
— Tudo bem querido, como você quiser. Agora preciso ir. Amanhã falo com a Charlie e digo se dará para nos vermos.
— Ok. Até amanhã então. Eu te amo mãe e obrigado por tudo.
— De nada meu filho. Eu que agradeço a Deus por você ter ficado vivo.
— Obrigada Charlie por tudo.
— De nada Sra... Lorenna.
Minha mãe nos abraçou e se foi apressada. Estava muito melhor do que quando a vi pela ultima vez. Estava se recuperando bem e agora seria tudo diferente. Quando a Charlie fechou a porta estava perto do sofá. Quando ela se virou imediatamente cheguei perto dela e a puxei pela cintura para um beijo que esperava desde que vi minha mãe de volta a si e me aceitando. Foi melhor que todos os outros. Estava agradecido e mais apaixonado pela pessoa que ela era. Não era apenas a doce, meiga e linda Charlie. Era uma outra Charlie forte, determinada e corajosa por trás daquela. Beijei— a com amor levantando— a do chão. Após alguns minutos paramos e a puxei para o sofá.
— Te disse para não ir.
— Caine não começa. Você viu que tudo se resolveu e que foi melhor por que...
Calei— a com um beijo.
— Obrigada Charlie. Não sei o que faria sem você. Agora preciso contar algo que aconteceu ontem a noite. Foi estranho demais. Vim por isso.
— Só por isso?
— Não. Quando me olhei no espelho vi raiva e preocupação que não eram minhas. Lembrei de você e senti que precisava vir aqui, mas isso vem depois.
— E o que vem antes?
— Quando cheguei em casa estava aberto. Uma mulher estava lá dentro. Era linda demais e muito sedutora e me propôs ficar ao lado dela quando tudo começasse. Não sei a que tudo ela se referia, mas disse que sabia muita coisa sobre minha transformação inclusive que a Verônica tinha muito a ver com isso.
— Linda e sedutora?
— Charlie! Falei tantas coisas importantes e você só escutou isso que foi o que menos importou?
— Tem certeza?
— Tenho.
— Mesmo? – Ela me olhou muito desconfiada. Não conseguia mentir para ela. Teria que contar tudo.
— Não sei.
— Continua.
— Fiquei paralisado com ela perto de mim, mas senti que não era de mim também. Ela cortou o pulso e pôs na minha boca. – Ela me olhou enraivada e enojada. Parecia que ia me fuzilar com os olhos. – Por favor, Charlie tente entender. Estou a uma semana sem me alimentar o que você queria que eu fizesse vendo sangue escorrendo na minha frente. Foi mais forte que eu.
— Você poderia ter ao menos resistido.
— E você acha que eu não tentei? Claro que sim, mas é como disse, foi mais forte que eu. Bebi muito pouco, mas me saciou de uma forma que aqueles dois não fizeram com todo o sangue do corpo deles.
— Será que é porque foram homens?
— Claro que não, não tem nada a ver. Ela é uma vampira e isso deve ter influenciado.
— Eu sei que você precisava comer, mas não me conformo. Não gosto da ideia de uma vampira linda ao seu lado.
— Você está enciumada e isso está tirando seu foco. O que importa é o fato dela saber muito a meu respeito. Mais que nós.
— Parece que todos sabem mais a seu respeito que eu não é?
— Claro que não. O que sei você sabe.
— Nem tanto. Você nunca me contou sobre a Verônica.
— Ela não importa mais para mim.
— Claro que importa. Ele tem tudo a ver com sua mudança.
— Falo no sentido emocional.
— Caine, por favor, não fala mais nada. Preciso ficar sozinha. Volta amanhã tudo bem?
— Tudo bem. Agora pensa direito no que você fez. Preciso de você. Não me deixa agora depois de tudo que passamos. Não iria conseguir sozinho.
— Claro que não vou te abandonar. Só preciso pensar um pouco. Nesse estado não vou poder te ajudar e não quero te prejudicar o que seria muito pior. Por favor, amanhã.
— Tudo bem.
Fui para casa muito triste com ela. Não queria perdê— la. Se ela tinha ficado assim sem saber de tudo imagine se tivesse contado tudo que senti com aquela mulher ali.

Nana&Karol

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