Quando ele
saiu do banheiro eu estava sentada no chão com os joelhos encostados no peito.
Havia acabado de falar sobre a transformação. Caine não queria tocar no assunto
e tivemos uma pequena discussão onde pusemos em questão até o amor que
sentíamos um pelo outro. Tinha certeza do que sentia e sabia, dentro do meu
coração, que era recíproco. Comecei a chorar e ele me abraçou de modo que me
senti tão protegida quanto se estivesse com meus pais ou com as meninas.
Com os braços
dele ao meu redor senti que nada de ruim poderia me acontecer, que aquele era o
lugar no qual me sentiria mais amada. Era como se uma corrente elétrica
estivesse nos envolvendo e nos unindo para sempre.
Não queria me
afastar dele nunca mais, mas ele precisava se vestir e foi essa desculpa que
nos afastou. Fiquei muito, muito sem graça quando ele me lembrou que estava só
de toalha. Para mim não fazia diferença como ele estava vestido; daquele jeito
era até melhor, mas tinha que sair afinal por maior que fosse a tentação não
estava preparada para vê— lo se trocar.
Sentei no sofá
e tentei pôr meus pensamentos em ordem. Estava completamente apaixonada por um
vampiro britânico muito lindo e perfeito que, aliás, estava se trocando no meu
quarto e que há poucos instantes tinha se declarado para mim. Era demais para
um só dia, mas estava lidando com tudo até que bem.
Ele saiu do
quarto sem camisa e pude observar melhor o seu dorso: braços, peito e abdome
definidos, mas não exageradamente. Rosto com formas angelicais apesar da
expressão forte e decidida. Adorei seu cabelo. Caras com cabelo comprido sempre
me encantaram apesar de nunca ter namorado um.
Caine veio na
minha direção. Tinha que acalmar meus pensamentos, então decidi trocar de roupa
também. Ele me elogiou dizendo que adorava minha farda, mas confusa como estava
comigo nada do que ele dissesse me faria continuar ali. Fui para o quarto,
prendi meu cabelo com o elástico dele, tirei a roupa, dobrei tomei uma ducha
rápida e procurei uma roupa qualquer. Queria ver se ele me acharia bonita
vestida daquele jeito: uma calça moletom e uma blusinha rosa claro.
Saí, ele
estava sentado no sofá e me olhou como se eu estivesse vestida para uma grande
ocasião. Pensei comigo mesma como seria possível alguém ser como ele. Estava
horrível, mas mesmo assim Caine me achava deslumbrante. Ele falou sobre como os
brasileiros são tratados pelos ingleses quando citou que precisava sair cedo.
Sempre me disseram que as brasileiras principalmente são discriminadas na
Europa. Sempre são vistas como mulheres fáceis de conquistar e interesseiras, o
que deixa claro que eles nos veem como prostitutas. Apesar de ter sido bem
tratada, Caine me advertiu que nunca desse margem para que os vizinhos
falassem, para não manchar minha reputação. Além de viver sozinha ficar
recebendo um cara que dorme aqui ou sai muito tarde não seria uma boa. Além do
mais tem meus pais. Não queria que eles pensassem que vim para cá me divertir nem
fazer besteira. Vim estudar e me formar. O Caine ter aparecido foi um
acidente— muito bom, diga— se de
passagem, mas um acidente. Nunca deixaria nem ele nem ninguém pensar que sou
qualquer uma.
Ele me puxou e
sentei encostada ao seu peito. Pediu que falasse de mim então citei meus pais,
a Carly a as meninas contando que elas sabiam sobre ele. Ele se alterou com
isso, levantou— se e reclamou. Disse que havia confiado em mim e que eu não
podia ter contado a ninguém. Deixei bem claro que ele não me confiou segredo
nenhum, que vê— lo lá mordendo aquele cara até morrer foi algo fora do
planejado e que isso deixaria qualquer um louco, então precisava desabafar. Ele
acabou concordando e me pediu desculpas. Estava apaixonada não idiota. Só um
pouco, mas não o suficiente para ele me convencer de algo que não fiz. Ele
falou dele, da aprovação na faculdade, do carro que ganhou pela aprovação, do
amigo e da ex— namorada, tudo isso rapidamente. Perguntou onde estava a camisa
dele e, fingindo que não sabia onde estava, chamei— o para procurar comigo.
Juro que não estava com segundas intenções, apenas queria retardar a partida
dele. Procuramos e quando não dava mais para fingir “achei” a camisa atrás da
cabeceira da cama. Disse que não era bom que ele saísse com aquela camisa
rasgada e suja de sangue e ofereci uma jaqueta do time da escola do Brasil.
Depois de fazer uma brincadeirinha sobre casacos femininos ele aceitou. Levei—
o até a porta, para o meu desprazer, combinamos de nos ver no dia seguinte e
quando pensei que ele iria embora, Caine me beijou de surpresa. Enrolei minha
mão naquele cabelo que tanto gostava e beijei— o com amor. Foi demais. Já havia
namorado e beijado muitos caras, mas até hoje nunca havia sentido aquilo. Foi
emocionante, como se eu precisasse daquilo para sobreviver. Senti algo quase
rasgar minha pele. Era meu coração que estava batendo tão acelerado e com tanta
força que pensei que fosse parar por trabalho excessivo. Entramos nos beijando
e ele fechou a porta atrás de si. Caímos no sofá e continuamos nos beijando,
agora mais calma e estabilizadamente. Tenho certeza que tanto quanto eu ele não
queria parar. Quando ele parou estava ofegante. Não sabia que vampiros
ofegavam.
— O que
aconteceu foi...
— Magnífico?
— Mais que
isso. Foi estupendo.
Mal tinha
palavras para descrever o que estava sentindo. Os olhos deles estavam brancos e
não sei por que me emocionei com aquilo. Não cheguei a chorar, mas fiquei
surpresa. Ele estava boquiaberto. Sua expressão era muito bela: íris
esbranquiçada cor de gelo deixando a pupila destacada, olhar profundo direto
nos meus olhos, boca entreaberta como se estivesse buscando ar discretamente,
cabelo liso, meio molhado e solto emoldurando um rosto de traços sutis e
expressão, no momento, surpresa.
Dedilhei o que
mais parecia uma pintura a fim de conhecer e explorar cada detalhe daquela face
que a partir de agora estaria voltada mais para mim do que para qualquer
coisa— eu esperava. Falei nos olhos
bancos e ele me respondeu com algo que me deixou mais ainda emocionada.
— Além de sede
e das visões, desejo.
Não suportei
aquilo. Segurei meu coração e me aproximei. Afastei o cabelo do rosto, beijei
lenta e gradualmente sua testa, olhos que se fecharam sob o toque dos meus
lábios e boca. Ele estava surpreso com tudo aquilo tanto quanto eu. Era para
ter sido uma despedida agradável e cordial e, no entanto não resistimos à
proximidade. Beijamo— nos e soltei o meu cabelo favorito passando os braços em
volta do pescoço dele. Ele me segurou pela cintura fazendo daquele momento algo
mágico. Quando conseguimos nos separar ele disse que precisava ir. Era tudo que
eu menos queria no momento. Por mim nunca mais nos separaríamos, mas claro que
isso não seria possível. Só me restava tentar retardar essa partida. Olhei— o
mais conformada do que realmente estava e corri pulando nos seus braços. Ele me
segurou com uma facilidade tão grande que não pensei ser possível. Claro que
não era gorda, mas pular de surpresa em alguém nem sempre é bom. Caine me
carregou, ainda me beijando, até a porta, me pousou no chão, disse tchau e
fechou a porta na minha cara. Fiquei pasma. Depois de tudo aquilo ele fazer
isso me surpreendeu de forma ruim. Estava ainda pasma quando ele abiu a porta
de novo, para o meu alívio.
— Eu te amo
mais que tudo nesse mundo. – Ele sorriu derramando amor sobre mim.
— Eu também te
amo. Para sempre.
Ele piscou
para mim e saiu. Piscadas são meu ponto fraco e ele acertou na mosca. Quando
fechei a porta sentei no chão encostada a ela. Sorri como uma idiota e pensei
que no Brasil ligaria imediatamente para as meninas. Liguei para minha mãe,
falei sobre como ia a escola e sobre a Carly, falei o básico com ela, o que
podia falar ou seja tudo que não envolvesse o Caine e ela ficou feliz por eu
estar bem. Acabada a conversa liguei para as meninas que cruzaram a linha.
Ficamos todas juntas na mesma conversa e desabafei tudo que tinha me
acontecido.
— Ahhhhhhh, eu
nem consigo acreditar. Vocês se encontram de novo?
— Sim e foi
muito assustador.
— Assustador
como?
— Eu ia ser
assaltada e...
— O que? Você
ia ser assaltada?
— Ia sim, mas
foi tão rápido que mal me lembrava.
— E como foi
isso?
— Foi
estranho, Glória. Saí da escola e fui comer num café aonde sempre vou. Fica
perto daqui de casa então vim a pé. Um homem sujo e feio me abordou e pediu dinheiro.
Eu disse que não tinha então foi quando o Caine apareceu.
— Uau! O nome
dele é Caine, é?
— É sim, Caine
Ventrue.
— Nossa que
nome poderoso amiga.
— Deixe eu
continuar. Ele abordou o cara, e bateu muito nele, só que o ladrão estava
armado com um punhal e enfiou na barriga do Caine.
— Oh meu Deus,
e você levou ele para o hospital?
— Não.
— Você é
louca? A Julie está certa. E se ele morresse com uma infecção.
— Suas loucas.
Ele é um vampiro esqueceram?
— Ah sim, você
tem razão Anne. E como ele se recuperou? Foi super rápido como nos filmes? Ele
sente dor?
— Sim, foi
super rápido e ele sente dor sim.
— Oh que fofo.
— Ah meu Deus
você acha fofo até um cara sentir dor Julie.
— Qual o
problema? Não sabia que vampiros sentiam dor.
— Você nem
sabia que eles existiam.
— Tudo bem
Julie e Anne posso continuar?
— Claro que
sim. Conta como foi que aconteceu tudo.
— Ele disse
que precisava de muita água então trouxe ele para o apartamento.
— Era pra
beber? Sempre soube que água faz bem, mas não a esse ponto.
— Não era pra
beber. Era pra tomar banho.
— Não
acredito! Ele tomou banho na sua casa? Eu nunca perderia essa chance. Nossa
Char! O que você fez?
— Calma
Glória. Não aconteceu nada. Quero dizer. Deixe— me falar está bem? Ele entrou e
ajudei— o a tirar a camisa. Ia sair, mas ele pediu que ficasse na porta do
banheiro para ouvir minha voz.
— Que
romântico!
— Ficamos
conversando sobre coisinhas até que toquei no assunto da transformação. Ele
saiu enrolado numa toalha e disse que não queria falar no assunto.
— E você fez o
que em relação à toalha?
— Nada,
deixei— a onde estava. Era para fazer o que?
— Levar de
volta ao banheiro.
— Sim, mas ele
ficaria... esquece. Cala a boca Glorinha. –Todas rimos em uníssono. Quando
conseguimos parar continuei. – Nos declaramos um para o outro e tivemos uma
pequena discussão sobre como era difícil e sobre o nosso amor.
— Já chegou a
amor. Charlotte nunca pensei que se apaixonaria tão rápido.
— Pois é
Glória, nem eu. Conversamos mais sobre nós. Nossas vidas. Ele tinha uma
namorada chamada Verônica que provavelmente foi quem o transformou, mas ele não
se lembra do dia em que mudou. Morava com os pais, aliás, a mãe dele é aquela
professora que comentei com vocês lembra? A que perdeu o filho num acidente de
carro.
— E ele tem
irmãos? Por favor, me apresenta.
— Não Anne,
pensei o mesmo, mas o Caine não tem irmãos, é filho único. O filho que ela
perdeu é o próprio Caine.
— Nossa que dor. Ele vivo, sem poder aparecer
e ela sofrendo a dor da morte dele. Que coisa triste.
— Também
pensei assim. Ele me abraçou quando chorei. Estava triste, cansada de toda essa
confusão. Sei que nunca choro na frente de garotos, mas não tive escolha.
Senti— me tão protegida, segura. Ah eu o amo!
— Nossa que
lindo! –Dessa vez todas falaram juntas.
— E não teve
nem um beijinho? Nada?
— Teve sim.
— Eu sabia!
— E não foi um
beijinho. Foi algo inacreditável. Fui levá— lo na porta, então ele se encostou
com o pé no portal. Combinamos de ele me buscar na escola amanhã. Quando pensei
que ele ia embora e que minha tarde já tinha sido perfeita ele me puxou e me
deu um beijo daqueles. Fiquei sem ar. Entramos e ficamos nos beijando no sofá.
Quando ele conseguiu pensar em algo saiu e disse que precisava ir.
— Por quê?
— Por que as
pessoas falam mal de brasileiros aqui, aquilo que meus pais me advertiram antes
da viagem. Disse que não queria que eu ficasse mal falada pelos vizinhos. Seria
ruim para minha estada aqui e que teríamos que a partir de agora coordenar
nossos encontros.
— Que legal
ele pensar assim não é. Geralmente os caras não estão nem aí se falam ou não.
— Foi uma luta
para ele sair daqui. Nenhum dos dois queria. Ele fez uma coisa que quase me fez
chorar.
— O que? Falou
algo idiota?
— Não. Pulei
nele e ele me levou até a porta. Depois fechou a porta e saiu bem rápido.
— Nossa que
horror!
— Mas ele
reabriu a porta e eu comecei a rir. Depois ele disse que me amava mais que tudo
do mundo. Quase tive um ataque do coração e agora estou ligando para vocês para
contar.
— Nossa Char
que aventura. Muito legal. Quem me dera viver algo ao menos parecido com isso.
— Pois é
Glória é emocionante, mas muito difícil. Estou sozinha num país estranho e
completamente apaixonada por um vampiro. Nunca ninguém imaginaria isso.
— Sei bem, mas
fale da escola.
— Conheci uma
garota legal. A Carly. Ela vem me buscar todos os dias para a escola.
— Só não a
ponha no nosso lugar. Não iríamos gostar nem um pouco.
— Claro que
não, estão loucas? Vocês sempre serão minhas melhores amigas e as pessoas em
quem mais confio independente de outras amizades o do Caine ou de qualquer
pessoa.
— Viram que o
Caine já faz parte da lista de pessoas importantes.
— Claro que
faz.
— Sim, mas o
que quero dizer é que vocês são uma parte da minha vida que não mudará.
Continuamos
conversando mais e por vezes falando do Caine. Elas me perguntaram mais
detalhes físicos e dei todos que conhecia. Elas quase morreram quando falei dos
músculos e principalmente dos olhos. Era algo que não se descrevia tão
facilmente, seria preciso imaginação. Logo depois fui dormir. O dia foi
cansativo e precisava acordar cedo.
Para variar
acordei atrasada e comi algo rápido, na ida para a escola, pois não faria a
Carly se atrasar também por minha culpa. Chegamos à escola e tentei me
concentrar ao máximo nas aulas. Meu parceiro de química atrapalhava um pouco
minha atenção sendo lindo daquele jeito. Mas tudo bem. Conversei com a Carly
sobre a escola, as aulas, as pessoas e esperava ansiosa pelo fim das aulas. No
almoço observamos as pessoas. Os professores eram na maioria jovens. O nosso professor
de matemática era muito lindo. Moreno claro, olhos castanhos, mas que no sol
ficavam cor de mel. Um rosto familiar, com traços abrasileirados. Comentei com
a Carly e resolvemos perguntar a ele se tinha descendência latina.
— Oi Sr. Adams
gostaríamos de fazer uma pergunta, só por curiosidade seria possível? – A Carly
tinha um jeito incrível com as palavras. Fazia ser impossível alguém se recusar
a respondê— la.
— Claro que
sim garotas, o que foi?
— Professor
percebemos que o senhor tem alguns traços latinizados e gostaríamos de saber se
o senhor tem descendência americana.
— Oh sim.
Observadoras vocês. Minha mãe é mexicana e o meu pai britânico.
— Nunca
imaginaríamos. Mas, desculpa a pergunta, é que sou brasileira e sei como é a
questão do preconceito. Se estiver sendo indiscreta tudo bem não precisa
responder, é que fiquei bastante curiosa.
— Imagina.
Meus pais se amam muito. Ela trabalhava aqui quando jovem como babá, faxineira
fazendo pequenos trabalhos. Começou a trabalhar na casa dos meus avós e se
apaixonou pelo meu pai. Foi correspondida e houve sim preconceito, mas não por
parte do meu pai e sim dos meus avós. Eles não admitiam que o filho mais velho
deles se casasse com uma latina. Mas eles lutaram contra todos e continuam
juntos e felizes até hoje.
— E o senhor
tem irmãos?
— Sim tenho
uma irmã gêmea, se chama Margareth.
— E o senhor
fala espanhol.
— Por
supuesto. Minha mãe sempre quis que soubéssemos sobre nossas origens e acho
isso muito importante. Mais alguma pergunta meninas?
— Não obrigada
pelo tempo e desculpa a inconveniência.
— Tudo bem.
Saímos e
voltamos para a nossa mesa.
— Nunca
imaginei que ele seria latino.
— Quase isso
Carly. Bem que desconfiei. Ele é mais moreno que a maioria e não parecia
descender de negros. Latino na certa por causa dos olhos também que não
pareciam orientais.
— Você entende
mesmo de diversidade cultural.
Rimos e
ficamos comentando sobre as pessoas mais um pouco até a hora de estudar. Quando
o dia terminou não estava nem lembrada do Caine.
— Charlotte
quer uma carona para casa?
— Não obrigada
vou comer fora hoje. Vou de ônibus mesmo. Até amanhã.
— Até amanhã.
Quando cheguei
ao ponto vi algo familiar. Era o Caine. Estava com uma calça azul e o meu
casaco. Logo me dei conta de que havia insistido pelo encontro. Tentei
disfarçar o meu esquecimento e olhei para o lado. Aproximei— me como quem não
queria nada e ele nem se moveu. Fiquei lá parada de costas para ele e na
direção que o ônibus vinha uns segundos tentando encontrar algo para dizer e
falei a primeira besteira que veio à minha mente na hora do desespero.
— Você está me
seguindo?
— Foi você que
veio ao meu encontro.
— Pego ônibus
aqui todos os dias a essa hora.
— Esse é o
tipo de informação que eu gostaria de saber. E por sinal sempre pego ônibus
aqui também.
— Mentira.
Nunca te vi antes. Desde quando você pega ônibus aqui?
— Desde que
comecei a te seguir.
— Sério? E
quando foi isso?
—
Provavelmente no seu segundo dia de aula.
— Ah então faz
pouco tempo. E conseguiu algo?
— Sim. Agora
sei onde você mora. Vou te seqüestrar.
— Estou
morrendo de medo. Vou gritar. Socorro! —
E falei socorro tão baixo que só ele pode ouvir. Caine sorriu malicioso
com minha brincadeira.
— Nossa! Assim
todos vão te ouvir. Corro o risco de ser preso. Acho melhor agir antes que a
polícia chegue.
Ele me puxou
pela mão e saiu me levando pelas ruas até outro ponto de ônibus. Entramos em um
e fomos parar num parque maravilhoso: o Green Park, um dos oito parques reais.
Era cheio de árvores enormes, sem lagos ou estátuas como os outros, mas lindo
da mesma forma ou até mais. Fomos andando em silencio até um lugar abaixo de
uma árvore aleatória debaixo da qual nos sentamos no chão. Ele sentou— se
encostado à árvore com os tornozelos cruzadas e eu sentei— me com as pernas
para o outro lado cruzadas da mesma forma, afinal estava de saia. Encostei— me
a ele de modo que meu ombro ficasse no seu peito e minhas costas no seu braço
que me circundava e segurava na minha cintura.
— Gostou?
— Adorei. Se
todas as vezes que você me raptar me trouxer a um lugar como esse quero ser
raptada todos os dias.
— Não se
preocupe, não faltará oportunidade.
Ele falou isso
ao meu ouvido com os olhos fechados e depois me beijou na testa e depois nos
lábios calmamente. Senti como se fosse voar por entre as árvores naquele
momento. A cada beijo o amava mais e sentia que era correspondida. Não queria
sair de perto dele jamais.
Nana&Karol
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