Páginas

29 setembro, 2012

Capítulo 19


Quando ele saiu do banheiro eu estava sentada no chão com os joelhos encostados no peito. Havia acabado de falar sobre a transformação. Caine não queria tocar no assunto e tivemos uma pequena discussão onde pusemos em questão até o amor que sentíamos um pelo outro. Tinha certeza do que sentia e sabia, dentro do meu coração, que era recíproco. Comecei a chorar e ele me abraçou de modo que me senti tão protegida quanto se estivesse com meus pais ou com as meninas.
Com os braços dele ao meu redor senti que nada de ruim poderia me acontecer, que aquele era o lugar no qual me sentiria mais amada. Era como se uma corrente elétrica estivesse nos envolvendo e nos unindo para sempre.
Não queria me afastar dele nunca mais, mas ele precisava se vestir e foi essa desculpa que nos afastou. Fiquei muito, muito sem graça quando ele me lembrou que estava só de toalha. Para mim não fazia diferença como ele estava vestido; daquele jeito era até melhor, mas tinha que sair afinal por maior que fosse a tentação não estava preparada para vê— lo se trocar.
Sentei no sofá e tentei pôr meus pensamentos em ordem. Estava completamente apaixonada por um vampiro britânico muito lindo e perfeito que, aliás, estava se trocando no meu quarto e que há poucos instantes tinha se declarado para mim. Era demais para um só dia, mas estava lidando com tudo até que bem.
Ele saiu do quarto sem camisa e pude observar melhor o seu dorso: braços, peito e abdome definidos, mas não exageradamente. Rosto com formas angelicais apesar da expressão forte e decidida. Adorei seu cabelo. Caras com cabelo comprido sempre me encantaram apesar de nunca ter namorado um.
Caine veio na minha direção. Tinha que acalmar meus pensamentos, então decidi trocar de roupa também. Ele me elogiou dizendo que adorava minha farda, mas confusa como estava comigo nada do que ele dissesse me faria continuar ali. Fui para o quarto, prendi meu cabelo com o elástico dele, tirei a roupa, dobrei tomei uma ducha rápida e procurei uma roupa qualquer. Queria ver se ele me acharia bonita vestida daquele jeito: uma calça moletom e uma blusinha rosa claro.
Saí, ele estava sentado no sofá e me olhou como se eu estivesse vestida para uma grande ocasião. Pensei comigo mesma como seria possível alguém ser como ele. Estava horrível, mas mesmo assim Caine me achava deslumbrante. Ele falou sobre como os brasileiros são tratados pelos ingleses quando citou que precisava sair cedo. Sempre me disseram que as brasileiras principalmente são discriminadas na Europa. Sempre são vistas como mulheres fáceis de conquistar e interesseiras, o que deixa claro que eles nos veem como prostitutas. Apesar de ter sido bem tratada, Caine me advertiu que nunca desse margem para que os vizinhos falassem, para não manchar minha reputação. Além de viver sozinha ficar recebendo um cara que dorme aqui ou sai muito tarde não seria uma boa. Além do mais tem meus pais. Não queria que eles pensassem que vim para cá me divertir nem fazer besteira. Vim estudar e me formar. O Caine ter aparecido foi um acidente—  muito bom, diga— se de passagem, mas um acidente. Nunca deixaria nem ele nem ninguém pensar que sou qualquer uma.
Ele me puxou e sentei encostada ao seu peito. Pediu que falasse de mim então citei meus pais, a Carly a as meninas contando que elas sabiam sobre ele. Ele se alterou com isso, levantou— se e reclamou. Disse que havia confiado em mim e que eu não podia ter contado a ninguém. Deixei bem claro que ele não me confiou segredo nenhum, que vê— lo lá mordendo aquele cara até morrer foi algo fora do planejado e que isso deixaria qualquer um louco, então precisava desabafar. Ele acabou concordando e me pediu desculpas. Estava apaixonada não idiota. Só um pouco, mas não o suficiente para ele me convencer de algo que não fiz. Ele falou dele, da aprovação na faculdade, do carro que ganhou pela aprovação, do amigo e da ex— namorada, tudo isso rapidamente. Perguntou onde estava a camisa dele e, fingindo que não sabia onde estava, chamei— o para procurar comigo. Juro que não estava com segundas intenções, apenas queria retardar a partida dele. Procuramos e quando não dava mais para fingir “achei” a camisa atrás da cabeceira da cama. Disse que não era bom que ele saísse com aquela camisa rasgada e suja de sangue e ofereci uma jaqueta do time da escola do Brasil. Depois de fazer uma brincadeirinha sobre casacos femininos ele aceitou. Levei— o até a porta, para o meu desprazer, combinamos de nos ver no dia seguinte e quando pensei que ele iria embora, Caine me beijou de surpresa. Enrolei minha mão naquele cabelo que tanto gostava e beijei— o com amor. Foi demais. Já havia namorado e beijado muitos caras, mas até hoje nunca havia sentido aquilo. Foi emocionante, como se eu precisasse daquilo para sobreviver. Senti algo quase rasgar minha pele. Era meu coração que estava batendo tão acelerado e com tanta força que pensei que fosse parar por trabalho excessivo. Entramos nos beijando e ele fechou a porta atrás de si. Caímos no sofá e continuamos nos beijando, agora mais calma e estabilizadamente. Tenho certeza que tanto quanto eu ele não queria parar. Quando ele parou estava ofegante. Não sabia que vampiros ofegavam.
— O que aconteceu foi...
— Magnífico?
— Mais que isso. Foi estupendo.
Mal tinha palavras para descrever o que estava sentindo. Os olhos deles estavam brancos e não sei por que me emocionei com aquilo. Não cheguei a chorar, mas fiquei surpresa. Ele estava boquiaberto. Sua expressão era muito bela: íris esbranquiçada cor de gelo deixando a pupila destacada, olhar profundo direto nos meus olhos, boca entreaberta como se estivesse buscando ar discretamente, cabelo liso, meio molhado e solto emoldurando um rosto de traços sutis e expressão, no momento, surpresa.
Dedilhei o que mais parecia uma pintura a fim de conhecer e explorar cada detalhe daquela face que a partir de agora estaria voltada mais para mim do que para qualquer coisa—  eu esperava. Falei nos olhos bancos e ele me respondeu com algo que me deixou mais ainda emocionada.
— Além de sede e das visões, desejo.
Não suportei aquilo. Segurei meu coração e me aproximei. Afastei o cabelo do rosto, beijei lenta e gradualmente sua testa, olhos que se fecharam sob o toque dos meus lábios e boca. Ele estava surpreso com tudo aquilo tanto quanto eu. Era para ter sido uma despedida agradável e cordial e, no entanto não resistimos à proximidade. Beijamo— nos e soltei o meu cabelo favorito passando os braços em volta do pescoço dele. Ele me segurou pela cintura fazendo daquele momento algo mágico. Quando conseguimos nos separar ele disse que precisava ir. Era tudo que eu menos queria no momento. Por mim nunca mais nos separaríamos, mas claro que isso não seria possível. Só me restava tentar retardar essa partida. Olhei— o mais conformada do que realmente estava e corri pulando nos seus braços. Ele me segurou com uma facilidade tão grande que não pensei ser possível. Claro que não era gorda, mas pular de surpresa em alguém nem sempre é bom. Caine me carregou, ainda me beijando, até a porta, me pousou no chão, disse tchau e fechou a porta na minha cara. Fiquei pasma. Depois de tudo aquilo ele fazer isso me surpreendeu de forma ruim. Estava ainda pasma quando ele abiu a porta de novo, para o meu alívio.
— Eu te amo mais que tudo nesse mundo. – Ele sorriu derramando amor sobre mim.
— Eu também te amo. Para sempre.
Ele piscou para mim e saiu. Piscadas são meu ponto fraco e ele acertou na mosca. Quando fechei a porta sentei no chão encostada a ela. Sorri como uma idiota e pensei que no Brasil ligaria imediatamente para as meninas. Liguei para minha mãe, falei sobre como ia a escola e sobre a Carly, falei o básico com ela, o que podia falar ou seja tudo que não envolvesse o Caine e ela ficou feliz por eu estar bem. Acabada a conversa liguei para as meninas que cruzaram a linha. Ficamos todas juntas na mesma conversa e desabafei tudo que tinha me acontecido.
— Ahhhhhhh, eu nem consigo acreditar. Vocês se encontram de novo?
— Sim e foi muito assustador.
— Assustador como?
— Eu ia ser assaltada e...
— O que? Você ia ser assaltada?
— Ia sim, mas foi tão rápido que mal me lembrava.
— E como foi isso?
— Foi estranho, Glória. Saí da escola e fui comer num café aonde sempre vou. Fica perto daqui de casa então vim a pé. Um homem sujo e feio me abordou e pediu dinheiro. Eu disse que não tinha então foi quando o Caine apareceu.
— Uau! O nome dele é Caine, é?
— É sim, Caine Ventrue.
— Nossa que nome poderoso amiga.
— Deixe eu continuar. Ele abordou o cara, e bateu muito nele, só que o ladrão estava armado com um punhal e enfiou na barriga do Caine.
— Oh meu Deus, e você levou ele para o hospital?
— Não.
— Você é louca? A Julie está certa. E se ele morresse com uma infecção.
— Suas loucas. Ele é um vampiro esqueceram?
— Ah sim, você tem razão Anne. E como ele se recuperou? Foi super rápido como nos filmes? Ele sente dor?
— Sim, foi super rápido e ele sente dor sim.
— Oh que fofo.
— Ah meu Deus você acha fofo até um cara sentir dor Julie.
— Qual o problema? Não sabia que vampiros sentiam dor.
— Você nem sabia que eles existiam.
— Tudo bem Julie e Anne posso continuar?
— Claro que sim. Conta como foi que aconteceu tudo.
— Ele disse que precisava de muita água então trouxe ele para o apartamento.
— Era pra beber? Sempre soube que água faz bem, mas não a esse ponto.
— Não era pra beber. Era pra tomar banho.
— Não acredito! Ele tomou banho na sua casa? Eu nunca perderia essa chance. Nossa Char! O que você fez?
— Calma Glória. Não aconteceu nada. Quero dizer. Deixe— me falar está bem? Ele entrou e ajudei— o a tirar a camisa. Ia sair, mas ele pediu que ficasse na porta do banheiro para ouvir minha voz.
— Que romântico!
— Ficamos conversando sobre coisinhas até que toquei no assunto da transformação. Ele saiu enrolado numa toalha e disse que não queria falar no assunto.
— E você fez o que em relação à toalha?
— Nada, deixei— a onde estava. Era para fazer o que?
— Levar de volta ao banheiro.
— Sim, mas ele ficaria... esquece. Cala a boca Glorinha. –Todas rimos em uníssono. Quando conseguimos parar continuei. – Nos declaramos um para o outro e tivemos uma pequena discussão sobre como era difícil e sobre o nosso amor.
— Já chegou a amor. Charlotte nunca pensei que se apaixonaria tão rápido.
— Pois é Glória, nem eu. Conversamos mais sobre nós. Nossas vidas. Ele tinha uma namorada chamada Verônica que provavelmente foi quem o transformou, mas ele não se lembra do dia em que mudou. Morava com os pais, aliás, a mãe dele é aquela professora que comentei com vocês lembra? A que perdeu o filho num acidente de carro.
— E ele tem irmãos? Por favor, me apresenta.
— Não Anne, pensei o mesmo, mas o Caine não tem irmãos, é filho único. O filho que ela perdeu é o próprio Caine.
 — Nossa que dor. Ele vivo, sem poder aparecer e ela sofrendo a dor da morte dele. Que coisa triste.
— Também pensei assim. Ele me abraçou quando chorei. Estava triste, cansada de toda essa confusão. Sei que nunca choro na frente de garotos, mas não tive escolha. Senti— me tão protegida, segura. Ah eu o amo!
— Nossa que lindo! –Dessa vez todas falaram juntas.
— E não teve nem um beijinho? Nada?
— Teve sim.
— Eu sabia!
— E não foi um beijinho. Foi algo inacreditável. Fui levá— lo na porta, então ele se encostou com o pé no portal. Combinamos de ele me buscar na escola amanhã. Quando pensei que ele ia embora e que minha tarde já tinha sido perfeita ele me puxou e me deu um beijo daqueles. Fiquei sem ar. Entramos e ficamos nos beijando no sofá. Quando ele conseguiu pensar em algo saiu e disse que precisava ir.
— Por quê?
— Por que as pessoas falam mal de brasileiros aqui, aquilo que meus pais me advertiram antes da viagem. Disse que não queria que eu ficasse mal falada pelos vizinhos. Seria ruim para minha estada aqui e que teríamos que a partir de agora coordenar nossos encontros.
— Que legal ele pensar assim não é. Geralmente os caras não estão nem aí se falam ou não.
— Foi uma luta para ele sair daqui. Nenhum dos dois queria. Ele fez uma coisa que quase me fez chorar.
— O que? Falou algo idiota?
— Não. Pulei nele e ele me levou até a porta. Depois fechou a porta e saiu bem rápido.
— Nossa que horror!
— Mas ele reabriu a porta e eu comecei a rir. Depois ele disse que me amava mais que tudo do mundo. Quase tive um ataque do coração e agora estou ligando para vocês para contar.
— Nossa Char que aventura. Muito legal. Quem me dera viver algo ao menos parecido com isso.
— Pois é Glória é emocionante, mas muito difícil. Estou sozinha num país estranho e completamente apaixonada por um vampiro. Nunca ninguém imaginaria isso.
— Sei bem, mas fale da escola.
— Conheci uma garota legal. A Carly. Ela vem me buscar todos os dias para a escola.
— Só não a ponha no nosso lugar. Não iríamos gostar nem um pouco.
— Claro que não, estão loucas? Vocês sempre serão minhas melhores amigas e as pessoas em quem mais confio independente de outras amizades o do Caine ou de qualquer pessoa.
— Viram que o Caine já faz parte da lista de pessoas importantes.
— Claro que faz.
— Sim, mas o que quero dizer é que vocês são uma parte da minha vida que não mudará.
Continuamos conversando mais e por vezes falando do Caine. Elas me perguntaram mais detalhes físicos e dei todos que conhecia. Elas quase morreram quando falei dos músculos e principalmente dos olhos. Era algo que não se descrevia tão facilmente, seria preciso imaginação. Logo depois fui dormir. O dia foi cansativo e precisava acordar cedo.
Para variar acordei atrasada e comi algo rápido, na ida para a escola, pois não faria a Carly se atrasar também por minha culpa. Chegamos à escola e tentei me concentrar ao máximo nas aulas. Meu parceiro de química atrapalhava um pouco minha atenção sendo lindo daquele jeito. Mas tudo bem. Conversei com a Carly sobre a escola, as aulas, as pessoas e esperava ansiosa pelo fim das aulas. No almoço observamos as pessoas. Os professores eram na maioria jovens. O nosso professor de matemática era muito lindo. Moreno claro, olhos castanhos, mas que no sol ficavam cor de mel. Um rosto familiar, com traços abrasileirados. Comentei com a Carly e resolvemos perguntar a ele se tinha descendência latina.
— Oi Sr. Adams gostaríamos de fazer uma pergunta, só por curiosidade seria possível? – A Carly tinha um jeito incrível com as palavras. Fazia ser impossível alguém se recusar a respondê— la.
— Claro que sim garotas, o que foi?
— Professor percebemos que o senhor tem alguns traços latinizados e gostaríamos de saber se o senhor tem descendência americana.
— Oh sim. Observadoras vocês. Minha mãe é mexicana e o meu pai britânico.
— Nunca imaginaríamos. Mas, desculpa a pergunta, é que sou brasileira e sei como é a questão do preconceito. Se estiver sendo indiscreta tudo bem não precisa responder, é que fiquei bastante curiosa.
— Imagina. Meus pais se amam muito. Ela trabalhava aqui quando jovem como babá, faxineira fazendo pequenos trabalhos. Começou a trabalhar na casa dos meus avós e se apaixonou pelo meu pai. Foi correspondida e houve sim preconceito, mas não por parte do meu pai e sim dos meus avós. Eles não admitiam que o filho mais velho deles se casasse com uma latina. Mas eles lutaram contra todos e continuam juntos e felizes até hoje.
— E o senhor tem irmãos?
— Sim tenho uma irmã gêmea, se chama Margareth.
— E o senhor fala espanhol.
— Por supuesto. Minha mãe sempre quis que soubéssemos sobre nossas origens e acho isso muito importante. Mais alguma pergunta meninas?
— Não obrigada pelo tempo e desculpa a inconveniência.
— Tudo bem.
Saímos e voltamos para a nossa mesa.
— Nunca imaginei que ele seria latino.
— Quase isso Carly. Bem que desconfiei. Ele é mais moreno que a maioria e não parecia descender de negros. Latino na certa por causa dos olhos também que não pareciam orientais.
— Você entende mesmo de diversidade cultural.
Rimos e ficamos comentando sobre as pessoas mais um pouco até a hora de estudar. Quando o dia terminou não estava nem lembrada do Caine.
— Charlotte quer uma carona para casa?
— Não obrigada vou comer fora hoje. Vou de ônibus mesmo. Até amanhã.
— Até amanhã.
Quando cheguei ao ponto vi algo familiar. Era o Caine. Estava com uma calça azul e o meu casaco. Logo me dei conta de que havia insistido pelo encontro. Tentei disfarçar o meu esquecimento e olhei para o lado. Aproximei— me como quem não queria nada e ele nem se moveu. Fiquei lá parada de costas para ele e na direção que o ônibus vinha uns segundos tentando encontrar algo para dizer e falei a primeira besteira que veio à minha mente na hora do desespero.
— Você está me seguindo?
— Foi você que veio ao meu encontro.
— Pego ônibus aqui todos os dias a essa hora.
— Esse é o tipo de informação que eu gostaria de saber. E por sinal sempre pego ônibus aqui também.
— Mentira. Nunca te vi antes. Desde quando você pega ônibus aqui?
— Desde que comecei a te seguir.
— Sério? E quando foi isso?
— Provavelmente no seu segundo dia de aula.
— Ah então faz pouco tempo. E conseguiu algo?
— Sim. Agora sei onde você mora. Vou te seqüestrar.
— Estou morrendo de medo. Vou gritar. Socorro! —  E falei socorro tão baixo que só ele pode ouvir. Caine sorriu malicioso com minha brincadeira.
— Nossa! Assim todos vão te ouvir. Corro o risco de ser preso. Acho melhor agir antes que a polícia chegue.
Ele me puxou pela mão e saiu me levando pelas ruas até outro ponto de ônibus. Entramos em um e fomos parar num parque maravilhoso: o Green Park, um dos oito parques reais. Era cheio de árvores enormes, sem lagos ou estátuas como os outros, mas lindo da mesma forma ou até mais. Fomos andando em silencio até um lugar abaixo de uma árvore aleatória debaixo da qual nos sentamos no chão. Ele sentou— se encostado à árvore com os tornozelos cruzadas e eu sentei— me com as pernas para o outro lado cruzadas da mesma forma, afinal estava de saia. Encostei— me a ele de modo que meu ombro ficasse no seu peito e minhas costas no seu braço que me circundava e segurava na minha cintura.
— Gostou?
— Adorei. Se todas as vezes que você me raptar me trouxer a um lugar como esse quero ser raptada todos os dias.
— Não se preocupe, não faltará oportunidade.
Ele falou isso ao meu ouvido com os olhos fechados e depois me beijou na testa e depois nos lábios calmamente. Senti como se fosse voar por entre as árvores naquele momento. A cada beijo o amava mais e sentia que era correspondida. Não queria sair de perto dele jamais.

Nana&Karol

Nenhum comentário

Postar um comentário

Muito Obrigada pelo seu comentário!