Adormeci em
meio às lágrimas. Sonhei novamente com o garoto sem rosto. No sonho estávamos
passeando na praia de mãos dadas, vestidos com roupas simples não muito
quentes, quando uma nuvem escura encobriu o sol, fazendo-nos nos assustar. A
sensação era que o mal estava a nossa volta, que algo ruim iria acontecer.
Tentei me mover, mas minhas pernas pareciam grudadas na areia. Virei-me para
avisar ao garoto que deveríamos sair dali e me assustei com o que vi. Era o
garoto do café, o mesmo que vi entrar na loja parecendo um mendigo. Ele me
olhava espantado como se estivesse me dizendo algo que eu não conseguia
entender. Olhei em seus olhos e vi que eles não eram mais o azul que tinha
visto antes, eles estavam esbranquiçados.
Acordei
assustada e sem saber ao certo porque sonhei com aquilo. Levantei-me e vi as
horas. Era quase o horário do almoço. Andei em direção ao banheiro e lavei o
rosto, vi que estava um pouco pálida pelo susto. Tomei banho e fiz minha
higiene. Resolvi fazer algo para comer, mas algo estava me perturbando. Perdi a
fome nas primeiras garfadas. Estava me sentindo sufocada. E resolvi sair para
espairecer.
O céu estava
nublado e o dia frio, mas sem indícios de chuva. Coloquei uma calça jeans skinny
azul-acinzentado, um tênis all star, uma blusa de manga comprida
e um casaco. Pequei minha bolsa e um guarda-chuva ( com o tempo assim, nunca se
sabe se vai chover ou não). Ao descer procurei um táxi e pedi que me levasse ao Hyde
Park Resolvi ir lá, pois queria distrair minha mente do meu sonho e do
que aconteceu no beco.
O Hyde Park é um dos lugares mais bonitos que
já vi. Parecia um enorme jardim, com pessoas sentadas na grama. Algumas fazendo
piquenique, outras lendo livros ou tirando fotos. Do outro lado do parque havia
um lago muito bonito. Era uma linda vista. Fui caminhando por todo o parque até
me distanciar da vista verde e avistar lojas.
Passei em
frente a uma livraria e resolvi entrar. Estava olhando uns livros, quando me
lembrei de que as aulas iriam começar em menos de uma semana. Resolvi então
comprar algumas coisas que estavam em falta.
Voltei pra
casa e resolvi arrumar minhas coisas da escola. Peguei o meu uniforme e resolvi
dar uma arrumada na saia. Como minha mãe eu tinha uma certa habilidade na
costura. Ela me ensinou alguns truques e foi assim que encurtei um pouco a
saia, não saindo do padrão, mas também não deixando tão longa e nem tão brega.
Os dias se
passaram e eu não consegui tirar a cena do beco da minha cabeça. Isso era
insano, eu sabia, mas eu vi com meus próprios olhos o que aconteceu, ninguém me
contou. Acho que isso fez com que eu ficasse memorizando cada momento. O mais
difícil foi lembrar como ele me olhava. Era como se sentisse culpado, como se
me pedisse perdão. O pior de tudo é que eu estava tão assustada que nem quis
mais saber do que estava acontecendo. Era como se um bolo se formasse em minha
garganta e eu só pude chorar e correr de volta para casa. E mesmo fazendo isso
eu me sentia triste, como se tivesse que perdoá-lo, como se tivesse explicação
pelo que aconteceu. Eu tinha a sensação de que devia ter continuado lá. Mas
também tinha a sensação de que essa história não estava acabada. Que havia algo
mais para eu descobrir.
Nana&Karol
Nenhum comentário
Postar um comentário
Muito Obrigada pelo seu comentário!