O fim do ano
estava chagando assim nossas férias iriam começar em menos de uma semana. Meus
pais decidiram realizar o meu sonho. Eu iria fazer o meu último ano escolar
fora do país, cursar universidade no mesmo local e se tudo isso já não fosse
bom o bastante me pediram para que escolhesse para onde queria ir. No primeiro
momento pensei em ir para os Estados Unidos ou para a França como já havia
pensado, mas alguma coisa dentro de mim dizia que iria ser bem melhor que eu
fosse para Londres.
Quanto às
minhas férias tão esperadas tínhamos que planejar tudo. Eu e as meninas
decidimos falar com os meus pais e irmos pra Búzios. Eles toparam numa boa e
assim que as aulas acabaram arrumamos nossas coisas e partimos.
Meus pais
tinham uma casa lá, mas como o meu pai era médico as férias dele eram muito
curtas, logo não dava tempo pra nós viajarmos. Porém dessa vez ele resolver
alonga-las e fizemos as malas. Meu pai tem 47 anos, 1,82, cabelo preto em
alguns lugares já grisalhos, com os mesmos olhos verde-escuro que eu. Ele gosta
de se vestir bem e está sempre com roupas adequadas às ocasiões. Na viagem ele
estava com uma bermuda bege que chegava ao joelho e uma camisa pólo branca. Já
a minha mãe, também muito moderna, tem 42 anos, cabelos negros abaixo dos
ombros, olhos castanhos claro, pele levemente bronzeada, assim como a minha,
1,75, e vestia um vestidinho abaixo do joelho todo estampado com flores cor de
rosa. Ela tinha um pequeno hobby que era confeccionar algumas peças de roupas,
o meu vestido era obra dela, com uma estampa de flores vermelhas e laranjas.
Anne tinha
conversado com o David, que tinha pedido para que ela passasse as férias com
ele, para que ele não ficasse magoado por ela preferir ficar com as amigas. Ela
estava vestida com uma blusinha vermelha e uma saia jeans.
A Gloria, que
ficou a viagem quase toda falando com o namorado no telefone, usava um short branco
e uma blusa azul bebê. A Julie vestia uma bermuda e blusa rosa.
— E aí meninas
gostando da paisagem? – disse minha mãe quando entramos na cidade e começamos a
ver a praia.
— Nossa isso
aqui é lindo. — Disse a Anne enquanto
tirava foto de tudo que via pela frente.
— Vamos
combinar que tem garotos bonitos aqui também, vamos ver se desencalhamos Char.
– disse Glória.
— É estamos
precisando não é Glorinha? – disse eu rindo.
— É isso
mesmo. Estou precisando de um namorado há muito tempo, só estou sendo o cupido
de vocês assim não dá. – disse ela se defendendo.
— Você já tem
um namorado. Por sinal falou com ele todo o caminho.
— Veja bem
cara Anne. Ele não é bem um namorado. É o cara da festa. Não é sério. Se fosse
eu não estaria tão empolgada aqui. Quantos surfistinhas têm nesse lugar? Quatro
por metro quadrado? Minha nossa!
— Você não tem
jeito mesmo. Onde está seu vestido rodado mesmo?
— Cala a boca
Anne!
Meu pai
dirigia um Fiat Doblo Adventure, por isso cabíamos todos nós no carro junto com
as malas. Chegamos por volta das 16h e fomos desfazer nossas malas e comer
alguma coisa.
Fazia anos que
não ia a Búzios, não me recordava de muitas coisas, mas a casa era
inesquecível, estava do mesmo jeito que da última vez há doze anos. Tinha as
paredes de madeira, e na parte de dentro tinha um tom amarelo bem clarinho
quase bege, com móveis brancos e chão de madeira na cor marrom bem escuro. No
canto da sala havia uma escada arredondada, que levava para o segundo andar
onde havia os quartos, os banheiros, a biblioteca e a sala de TV. Na parte de
baixo havia a sala de jantar, a cozinha, a sala de estar e a de jogos. Na parte
de fora ficava a varanda, a piscina e o jardim.
Fizemos o
lanche na varanda próximo a piscina. Quando anoiteceu alguns amigos dos meus
pais que moravam perto foram nos avisar que havia um luau e que podíamos dar
uma passada e nos divertirmos um pouco enquanto os meus pais jantavam na casa
deles. Meus pais aceitaram o convite e eu e as garotas fomos à festa.
Na festa havia
uma banda local que tocava muito, e começamos a falar com uns meninos que
moravam lá. A Glória deu a sorte de rever um dos garotos que ela achou gatinho
quando chegamos a Búzios e começou a falar com ele.
Eu e a Anne
começamos a conversar com uns meninos que nos acompanharam para não nos
perdermos. Comecei a conversar com o Marcus, um deles.
— Oi, tudo
bem? Meu nome é Marcus. – disse ele
— Oi, sou a
Charlotte, tudo bem sim. – disse.
— Que tal se
nós formos passear pela beira da praia. – disse ele.
— Boa idéia.
Vamos meninas. – disse.
— Vamos sim. –
disse Glória já caminhando na frente com o carinha que se chamava Júlio. As
outras a seguiram me deixando pra trás com o Marcus.
— E aí você
mora aqui? – disse ele.
— Não estou
aqui de férias. Meus pais têm uma casa aqui e resolvemos vir pra cá, sabe sair
um pouco da rotina. – disse.
— Bem que
percebi, iria lembrar de você se a tivesse visto antes. – disse ele.
— Bom, isso
quer dizer que teria uma boa memória. – disse.
— É realmente
tenho. – disse ele. – Meus pais também vieram para cá para sair da rotina e
acabaram ficando permanentemente. – disse ele rindo.
— Bom, tenho
certeza que isso não vai acontecer conosco, o lugar é lindo, mas minha mãe
adora o Rio e eu vou sair em viajem então não vou ficar por aqui por muito
tempo. – disse.
— Sério? E
para onde você está pensando em ir? – disse ele.
— Londres.
— Uau! Vai a
passeio espero.
— Não. Vou
fazer meu último ano lá e fazer universidade também. Mas porque você esperava
que não fosse assim?
— Porque o
Brasil iria perder uma de suas garotas mais belas.
— Obrigada.
Mas você já foi a Londres?
— Eu estive lá
no ano passado pra passar as férias com meus pais. É um lugar muito bom se
pudesse teríamos ficado lá também, espero que se divirta.
— Obrigado.
Ficamos
conversando e curtindo a festa até o dia o sol começar a nascer. A festa foi
acabando pouco a pouco e voltamos para casa. Nos demais dias a nossa rotina era
acordar cedo para aproveitarmos o lugar, curtir a praia e a galera que
conhecemos. Tirávamos várias fotos e
depois quando voltávamos para casa íamos pra parte da piscina e continuávamos a
bagunça. Tinha que aproveitar bem o sol, pois um sol como aquele eu não iria
ver mais por muito tempo. Estava acabando. Teria que me acostumar a uma nova
vida daqui para frente. Esse sol, essa farra, meus pais, minhas amigas. Tudo
iria ficar para trás pelo menos por parte da minha vida. Seria uma ótima
oportunidade que talvez não tivesse novamente, mas seria doloroso deixar tudo
que eu amo para viver sozinha num lugar desconhecido. Seria uma barra no
inicio, mas me adaptava com facilidade a diversas situações. Foi assim sempre e
o exemplo mais recente foi o Pietro. Esse é outro que nunca mais queria ouvir o
nome. Não por raiva nem nada, mas meu orgulho foi ferido e minha confiança foi
traída, ele não merecia mais nem que eu passasse na mesma rua que ele.
Faltando uma
semana como o combinado, estávamos no aeroporto esperando o meu avião estar
pronto para decolar. As meninas e minha mãe estavam numa choradeira só, mas
sabiam que era o que eu queria e me apoiavam.
— Char, vou
sentir sua falta, amiga. – disse Anne.
— É Char, quem
vai me ajudar a estudar para as provas? – disse Julie.
— O pior quem
é que vai me ajudar a pôr juízo na cabeça dessas meninas, hein? Nossa gente vai
ser melhor para ela se ela for. – disse Glória.
— Nossa
Glorinha você está sendo tão fria. – disse Julie.
— A fria da
história sempre sou eu, mas preciso admitir que você passou do ponto Glorinha.
— Não estou
sendo fria, Anne estou sendo realista. Ela será feliz lá e nós seríamos as
pessoas mais egoístas do mundo se impedíssemos que ela fosse.
— Gente, vamos
parar, realmente alguém tem que pôr juízo na cabeça de TODAS vocês. — disse eu rindo. – Glorinha eu sei que você
vai se dar bem nessa tarefa, amiga.
— Tá bom Char,
você sabe que eu sempre consigo. — Disse Glória sorrindo.
A atendente
começou a chamar as pessoas para entrarem no avião. E eu me despedi da minha
família e dos meus amigos.
— Tchau,
Charlotte, tenha uma boa viagem. – disse David.
— Tchau
Charlotte. Tomara que tudo dê certo. – disse Júlio.
— Tchau filha.
– disse minha mãe meio chorosa.
— Boa viagem.
– disse o meu pai.
— Tchau Char.
– disseram as meninas em uníssono.
— Mande
notícias, cartões postais, fotos dos lugares, da escola, dos gatinhos, dos
ficantes, peguetes, de tudo. Por favor. Não se esqueça de nós nunca. Nunca.
— Nunca,
Julie. Jamais. Vocês são minhas melhores amigas, minha família. Eu amo vocês.
Vou mandar notícias sempre. Todos os dias. Amo vocês.
— Meu amor
você precisa ir.
— Tudo bem
mãe. Amo vocês pais. Tchau gente, amo vocês também... – disse e fui embarcar.
Durante toda a
viagem fiquei on-line na minha pagina de relacionamento falando com as garotas.
Comia algo às vezes, mas não queria desgrudar delas. Minha mãe estava falando
comigo também e foi muito bom me sentir amada e apoiada na minha decisão. Eu
precisava fugir daquele lugar. Vivi muitas coisas boas, mas também ruins. Ver
lugares novos me faria bem e esse lugar em especial me faria melhor ainda. Eu
sentia isso dentro do meu coração e fiquei muito feliz.
A viagem foi tranquila,
o voo foi perfeito não teve nenhuma preocupação. Cheguei por volta 15h e fui do
aeroporto Heathrow para o apartamento que os meus pais compraram para que eu ficasse.
Peguei um táxi — eles chamam o táxi preto de cab — daqueles que parecem
carrinhos antigos muito fofos. Pedi para que o motorista fizesse um tour pela
cidade. Passei pelo Westminster Palace e vi aquela abadia impressionante, o Big
Bang, a Tower Bridgt, o Greenwich Park, a Queen’s House e o National Maritime
Museam. Era tudo muito perfeito. Depois fui para o endereço da minha casa. A
rua era curvada tinha vários prédios de três ou quatro andares. O meu tinha
quatro, mas eu morava no terceiro, quarta janela da direita para a esquerda.
Subi as escadas e fui observando as pessoas que passavam: pessoas comuns, com
cara de europeu mesmo tipo branca com olhos claros na maioria, roupas leves
como as minhas. Eu usava jeans um moletom, um casaco e tênis. O motorista me
ajudou a subir com minhas malas. Eram três sendo que duas eram grandes e uma de
mão. Paguei a corrida e entrei. Foi muito, muito caro. Meus pais tinham me dado
£1000. Sei que era muito para começar, mas eles não me queriam de banco em
banco tirando dinheiro. O apartamento era grande. A sala estava mobiliada com
um sofá de formato “L” e uma poltrona em bege, um tapete e uma estante baixa
para TV e home theater. Um balcão dividia a sala da cozinha que tinha um fogão
no balcão, geladeira, que por sinal estava vazia, e armário. O quarto tinha uma
cama de casal, guarda roupas, cômoda, tapete e um banheiro simples com uma
banheira. Uma vez vi num filme um cara dizendo que Londres era uma cidade de
prostitutas e gays. Eu realmente precisava tirar isso a limpo então larguei minhas
malas lá e fui passear a pé pelo meu bairro para conhecer afinal tinha que me
socializar.
Andei por
muitas ruas e encontrei um café muito legal. Tinha um balcão muito grande de um
canto para o outro e várias mesas com grandes bancos. Era charmoso. Comi alguma
coisa por lá mesmo. Era deliciosa a comida então resolvi que comeria lá todos
os dias de noite. Resolvi voltar para casa, pois já era tarde. Saí de lá e
virei uma esquina. Andei alguns metros e algo me chamou atenção. Ou melhor,
alguém. Um cara estava de costas entrando numa loja. Ele tinha um cabelo preto
no ombro preso com uma tira de pano e vestia uma camisa azul gasta e uma calça
preta rasgada. Ele era alto e andava máscula e formalmente. Estava muito, muito
sujo e parecia um mendigo, mas era lindo de costas. Fiquei parada por alguns
instantes olhando aquele estranho tão lindo e continuei caminhando. Não fazia
sentido ficar lá parada, mas ele realmente me chamou a atenção. Cheguei a casa
e tomei um bom banho. Comecei a desfazer minhas malas e fui arrumando no guarda
roupas. Dormi na metade. Já era muito tarde e estava cansada demais tanto pelo
passeio como pelo fuso horário.
Nana&Karol
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