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20 agosto, 2012

Capítulo 8


O fim do ano estava chagando assim nossas férias iriam começar em menos de uma semana. Meus pais decidiram realizar o meu sonho. Eu iria fazer o meu último ano escolar fora do país, cursar universidade no mesmo local e se tudo isso já não fosse bom o bastante me pediram para que escolhesse para onde queria ir. No primeiro momento pensei em ir para os Estados Unidos ou para a França como já havia pensado, mas alguma coisa dentro de mim dizia que iria ser bem melhor que eu fosse para Londres.
Quanto às minhas férias tão esperadas tínhamos que planejar tudo. Eu e as meninas decidimos falar com os meus pais e irmos pra Búzios. Eles toparam numa boa e assim que as aulas acabaram arrumamos nossas coisas e partimos.
Meus pais tinham uma casa lá, mas como o meu pai era médico as férias dele eram muito curtas, logo não dava tempo pra nós viajarmos. Porém dessa vez ele resolver alonga-las e fizemos as malas. Meu pai tem 47 anos, 1,82, cabelo preto em alguns lugares já grisalhos, com os mesmos olhos verde-escuro que eu. Ele gosta de se vestir bem e está sempre com roupas adequadas às ocasiões. Na viagem ele estava com uma bermuda bege que chegava ao joelho e uma camisa pólo branca. Já a minha mãe, também muito moderna, tem 42 anos, cabelos negros abaixo dos ombros, olhos castanhos claro, pele levemente bronzeada, assim como a minha, 1,75, e vestia um vestidinho abaixo do joelho todo estampado com flores cor de rosa. Ela tinha um pequeno hobby que era confeccionar algumas peças de roupas, o meu vestido era obra dela, com uma estampa de flores vermelhas e laranjas.
Anne tinha conversado com o David, que tinha pedido para que ela passasse as férias com ele, para que ele não ficasse magoado por ela preferir ficar com as amigas. Ela estava vestida com uma blusinha vermelha e uma saia jeans.
A Gloria, que ficou a viagem quase toda falando com o namorado no telefone, usava um short branco e uma blusa azul bebê. A Julie vestia uma bermuda e blusa rosa.
— E aí meninas gostando da paisagem? – disse minha mãe quando entramos na cidade e começamos a ver a praia.
— Nossa isso aqui é lindo. —  Disse a Anne enquanto tirava foto de tudo que via pela frente.
— Vamos combinar que tem garotos bonitos aqui também, vamos ver se desencalhamos Char. – disse Glória.
— É estamos precisando não é Glorinha? – disse eu rindo.
— É isso mesmo. Estou precisando de um namorado há muito tempo, só estou sendo o cupido de vocês assim não dá. – disse ela se defendendo.
— Você já tem um namorado. Por sinal falou com ele todo o caminho.
— Veja bem cara Anne. Ele não é bem um namorado. É o cara da festa. Não é sério. Se fosse eu não estaria tão empolgada aqui. Quantos surfistinhas têm nesse lugar? Quatro por metro quadrado? Minha nossa!
— Você não tem jeito mesmo. Onde está seu vestido rodado mesmo?
— Cala a boca Anne!
Meu pai dirigia um Fiat Doblo Adventure, por isso cabíamos todos nós no carro junto com as malas. Chegamos por volta das 16h e fomos desfazer nossas malas e comer alguma coisa.
Fazia anos que não ia a Búzios, não me recordava de muitas coisas, mas a casa era inesquecível, estava do mesmo jeito que da última vez há doze anos. Tinha as paredes de madeira, e na parte de dentro tinha um tom amarelo bem clarinho quase bege, com móveis brancos e chão de madeira na cor marrom bem escuro. No canto da sala havia uma escada arredondada, que levava para o segundo andar onde havia os quartos, os banheiros, a biblioteca e a sala de TV. Na parte de baixo havia a sala de jantar, a cozinha, a sala de estar e a de jogos. Na parte de fora ficava a varanda, a piscina e o jardim.
Fizemos o lanche na varanda próximo a piscina. Quando anoiteceu alguns amigos dos meus pais que moravam perto foram nos avisar que havia um luau e que podíamos dar uma passada e nos divertirmos um pouco enquanto os meus pais jantavam na casa deles. Meus pais aceitaram o convite e eu e as garotas fomos à festa.
Na festa havia uma banda local que tocava muito, e começamos a falar com uns meninos que moravam lá. A Glória deu a sorte de rever um dos garotos que ela achou gatinho quando chegamos a Búzios e começou a falar com ele.
Eu e a Anne começamos a conversar com uns meninos que nos acompanharam para não nos perdermos. Comecei a conversar com o Marcus, um deles.
— Oi, tudo bem? Meu nome é Marcus. – disse ele
— Oi, sou a Charlotte, tudo bem sim. – disse.
— Que tal se nós formos passear pela beira da praia. – disse ele.
— Boa idéia. Vamos meninas. – disse.
— Vamos sim. – disse Glória já caminhando na frente com o carinha que se chamava Júlio. As outras a seguiram me deixando pra trás com o Marcus.
— E aí você mora aqui? – disse ele.
— Não estou aqui de férias. Meus pais têm uma casa aqui e resolvemos vir pra cá, sabe sair um pouco da rotina. – disse.
— Bem que percebi, iria lembrar de você se a tivesse visto antes. – disse ele.
— Bom, isso quer dizer que teria uma boa memória. – disse.
— É realmente tenho. – disse ele. – Meus pais também vieram para cá para sair da rotina e acabaram ficando permanentemente. – disse ele rindo.
— Bom, tenho certeza que isso não vai acontecer conosco, o lugar é lindo, mas minha mãe adora o Rio e eu vou sair em viajem então não vou ficar por aqui por muito tempo. – disse.
— Sério? E para onde você está pensando em ir? – disse ele.
— Londres.
— Uau! Vai a passeio espero.
— Não. Vou fazer meu último ano lá e fazer universidade também. Mas porque você esperava que não fosse assim?
— Porque o Brasil iria perder uma de suas garotas mais belas.
— Obrigada. Mas você já foi a Londres?
— Eu estive lá no ano passado pra passar as férias com meus pais. É um lugar muito bom se pudesse teríamos ficado lá também, espero que se divirta.
— Obrigado.
Ficamos conversando e curtindo a festa até o dia o sol começar a nascer. A festa foi acabando pouco a pouco e voltamos para casa. Nos demais dias a nossa rotina era acordar cedo para aproveitarmos o lugar, curtir a praia e a galera que conhecemos.  Tirávamos várias fotos e depois quando voltávamos para casa íamos pra parte da piscina e continuávamos a bagunça. Tinha que aproveitar bem o sol, pois um sol como aquele eu não iria ver mais por muito tempo. Estava acabando. Teria que me acostumar a uma nova vida daqui para frente. Esse sol, essa farra, meus pais, minhas amigas. Tudo iria ficar para trás pelo menos por parte da minha vida. Seria uma ótima oportunidade que talvez não tivesse novamente, mas seria doloroso deixar tudo que eu amo para viver sozinha num lugar desconhecido. Seria uma barra no inicio, mas me adaptava com facilidade a diversas situações. Foi assim sempre e o exemplo mais recente foi o Pietro. Esse é outro que nunca mais queria ouvir o nome. Não por raiva nem nada, mas meu orgulho foi ferido e minha confiança foi traída, ele não merecia mais nem que eu passasse na mesma rua que ele.
Faltando uma semana como o combinado, estávamos no aeroporto esperando o meu avião estar pronto para decolar. As meninas e minha mãe estavam numa choradeira só, mas sabiam que era o que eu queria e me apoiavam.
— Char, vou sentir sua falta, amiga. – disse Anne.
— É Char, quem vai me ajudar a estudar para as provas? – disse Julie.
— O pior quem é que vai me ajudar a pôr juízo na cabeça dessas meninas, hein? Nossa gente vai ser melhor para ela se ela for. – disse Glória.
— Nossa Glorinha você está sendo tão fria. – disse Julie.
— A fria da história sempre sou eu, mas preciso admitir que você passou do ponto Glorinha.
— Não estou sendo fria, Anne estou sendo realista. Ela será feliz lá e nós seríamos as pessoas mais egoístas do mundo se impedíssemos que ela fosse.
— Gente, vamos parar, realmente alguém tem que pôr juízo na cabeça de TODAS vocês. —  disse eu rindo. – Glorinha eu sei que você vai se dar bem nessa tarefa, amiga.
— Tá bom Char, você sabe que eu sempre consigo. — Disse Glória sorrindo.
A atendente começou a chamar as pessoas para entrarem no avião. E eu me despedi da minha família e dos meus amigos.
— Tchau, Charlotte, tenha uma boa viagem. – disse David.
— Tchau Charlotte. Tomara que tudo dê certo. – disse Júlio.
— Tchau filha. – disse minha mãe meio chorosa.
— Boa viagem. – disse o meu pai.
— Tchau Char. – disseram as meninas em uníssono.
— Mande notícias, cartões postais, fotos dos lugares, da escola, dos gatinhos, dos ficantes, peguetes, de tudo. Por favor. Não se esqueça de nós nunca. Nunca.
— Nunca, Julie. Jamais. Vocês são minhas melhores amigas, minha família. Eu amo vocês. Vou mandar notícias sempre. Todos os dias. Amo vocês.
— Meu amor você precisa ir.
— Tudo bem mãe. Amo vocês pais. Tchau gente, amo vocês também... – disse e fui embarcar.
Durante toda a viagem fiquei on-line na minha pagina de relacionamento falando com as garotas. Comia algo às vezes, mas não queria desgrudar delas. Minha mãe estava falando comigo também e foi muito bom me sentir amada e apoiada na minha decisão. Eu precisava fugir daquele lugar. Vivi muitas coisas boas, mas também ruins. Ver lugares novos me faria bem e esse lugar em especial me faria melhor ainda. Eu sentia isso dentro do meu coração e fiquei muito feliz.
A viagem foi tranquila, o voo foi perfeito não teve nenhuma preocupação. Cheguei por volta 15h e fui do aeroporto Heathrow para o apartamento que os meus pais compraram para que eu ficasse. Peguei um táxi — eles chamam o táxi preto de cab — daqueles que parecem carrinhos antigos muito fofos. Pedi para que o motorista fizesse um tour pela cidade. Passei pelo Westminster Palace e vi aquela abadia impressionante, o Big Bang, a Tower Bridgt, o Greenwich Park, a Queen’s House e o National Maritime Museam. Era tudo muito perfeito. Depois fui para o endereço da minha casa. A rua era curvada tinha vários prédios de três ou quatro andares. O meu tinha quatro, mas eu morava no terceiro, quarta janela da direita para a esquerda. Subi as escadas e fui observando as pessoas que passavam: pessoas comuns, com cara de europeu mesmo tipo branca com olhos claros na maioria, roupas leves como as minhas. Eu usava jeans um moletom, um casaco e tênis. O motorista me ajudou a subir com minhas malas. Eram três sendo que duas eram grandes e uma de mão. Paguei a corrida e entrei. Foi muito, muito caro. Meus pais tinham me dado £1000. Sei que era muito para começar, mas eles não me queriam de banco em banco tirando dinheiro. O apartamento era grande. A sala estava mobiliada com um sofá de formato “L” e uma poltrona em bege, um tapete e uma estante baixa para TV e home theater. Um balcão dividia a sala da cozinha que tinha um fogão no balcão, geladeira, que por sinal estava vazia, e armário. O quarto tinha uma cama de casal, guarda roupas, cômoda, tapete e um banheiro simples com uma banheira. Uma vez vi num filme um cara dizendo que Londres era uma cidade de prostitutas e gays. Eu realmente precisava tirar isso a limpo então larguei minhas malas lá e fui passear a pé pelo meu bairro para conhecer afinal tinha que me socializar.
Andei por muitas ruas e encontrei um café muito legal. Tinha um balcão muito grande de um canto para o outro e várias mesas com grandes bancos. Era charmoso. Comi alguma coisa por lá mesmo. Era deliciosa a comida então resolvi que comeria lá todos os dias de noite. Resolvi voltar para casa, pois já era tarde. Saí de lá e virei uma esquina. Andei alguns metros e algo me chamou atenção. Ou melhor, alguém. Um cara estava de costas entrando numa loja. Ele tinha um cabelo preto no ombro preso com uma tira de pano e vestia uma camisa azul gasta e uma calça preta rasgada. Ele era alto e andava máscula e formalmente. Estava muito, muito sujo e parecia um mendigo, mas era lindo de costas. Fiquei parada por alguns instantes olhando aquele estranho tão lindo e continuei caminhando. Não fazia sentido ficar lá parada, mas ele realmente me chamou a atenção. Cheguei a casa e tomei um bom banho. Comecei a desfazer minhas malas e fui arrumando no guarda roupas. Dormi na metade. Já era muito tarde e estava cansada demais tanto pelo passeio como pelo fuso horário.

Nana&Karol

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