Acordei
assustada. Não foi nenhum sonho terrível, nem bom nem nada. Acordei de um salto
sem motivo. Faltava uma semana para minhas férias chegarem e eu acordei mais
cedo ainda. Devia estar me acostumando à boa vida das férias. Ao invés disso me
encontrei olhando para o despertador que apontava 5 da manhã. Ele não tocaria
antes das 6 então tentei voltar ao sono, mas não consegui. Estava com calor,
agitada, me sentindo doente. Levantei e fui beber uma água para me acalmar. Lá
embaixo estava tudo silencioso. Minha mãe acordaria em breve e não queria que
ela me visse de pé àquela hora. Começaria a me perguntar sobre o porquê de eu
estar acordada e tudo mais. Voltei de fininho para meu quarto e liguei o
computador. Li meus e-mails, joguei um pouco e entrei num site sobre países que
aceitam intercâmbio. Entre eles os EUA, França, Holanda... Inglaterra.
Comecei a
procurar umas escolas por lá, mas não achei nada de interessante. Desliguei,
tomei banho, desci e fui tomar café. Meus pais já estavam acordados. Comi algo
rápido e fui para a escola.
— Meninas,
preciso contar uma coisa. Duas.
— Conta.
Elas estavam
sentadas na cantina comendo alguma coisa gordurosa logo cedo. Iam morrer cheias
de colesterol, mas não quis repreendê-las no momento. Queria só conversar.
— Saí com o
cara da festa ontem pro boliche.
— Mentira, e
você nem nos contou.
— Calma
Gloria, foi só um passeio. A gente ficou mais uma vez, mas não tem futuro. Ele
é gente boa, mas não rola.
— É também
achei. Ele é muito bonzinho, cheio de coisinha, nhem... – Anne fez voz de
enjoada.
— Não é bem
assim não Anne. Ele parece ser um cara bacana.
— Bacana? De
onde você tirou essa palavra Julie. Pelo amor de Deus!
— Glória!!!
— Deixa ela. O
fato é que tenho que dizer que não rola mais. Não quero ficar iludindo ele.
— Faz bem.
Aproveita e vai logo que ele acabou de chegar.
Saí andando
devagar na direção dele. E o olhei nos olhos antes de começar.
— Oi, eu
queria dizer...
— Oi gata,
topa sair comigo hoje a noite?
— Era
justamente isso que eu queria falar.
— Ótimo, já
pensou em algum lugar pra gente ir, pode ser onde você quis...
— Não. Eu
queria dizer que não dá pra gente sair mais. Fui ontem porque não queria dizer
não.
— Está dizendo
agora.
— É eu sei,
mas não quero que siga adiante. Eu não estou em clima de sair e sei que você
precisa de uma companhia. Melhor que eu pelo menos.
— Tudo bem, eu
entendo. Amigos?
— Sim, claro.
— Dei um abraço nele e sai rapidamente
voltando para a mesa das meninas.
— Deu tudo
certo?
— Sim.
— Agora conta
a segunda coisa.
— Que coisa?
— Você disse
que tinha duas coisas para contar.
— Ah sim,
quase esqueci. Tive um sonho esquisito. Estava no sol...
Contei todos
os detalhes do sonho para elas. Julie achou super romântico, Anne achou que eu
deveria esquecer e Glória... não disse nada. Achou legal e só.
Cada vez que
me lembrava daquele sonho me sentia mais confusa. Esforçava-me para descobrir
quem era aquele cara que me fazia tão bem. Fomos para as aulas e depois para
minha casa. Jogamos, comemos, brincamos, foi muito divertido. Pela noite
estudamos um pouco, pois ainda estávamos em provas. Elas foram para casa e eu
fui ver tv deitada no colo da minha mãe. Contei o sonho para ela.
— Mãe o que
você acha?
— Você ficou
realmente impressionada com esse sonho não foi?
— Sim, fiquei.
Ele me pareceu tão familiar e eu... —
comecei a agitar as mão tentando me explicar, mas as palavras não saiam
da minha boca coerentemente.
— Sabe uma
coisa que sua avó me contou?
— O que?
— Que os
sonhos nos dizem muito sobre o que somos realmente ou o que queremos para nós.
Nesse caso acho que é algo que você projetou para si mesma.
— Não entendi.
— É que você
procura alguém como esse rapaz do sonho. Quer que ele te proteja, te abrace nos
momentos difíceis e fique ao seu lado, te dando essa sensação de
reconhecimento, de amor e proteção. Assim você sonhou. É algo feito pelo
subconsciente.
— É, deve ser
mesmo, pois meu consciente me diz que está longe de encontrar um cara como
esse.
Sorrimos e
ficamos lá. Fui dormir. Queria sonhar com ele de novo, ver seu rosto dessa vez,
mas não aconteceu nada. Foi só mais uma noite sono tranquila e monótona. Queria
mais, queria sonhar. Mesmo que eu acordasse cansada e ofegante e... espera um
pouco! Será que tinha algo a ver com meu sonho eu ter acordado ofegante e
cansada no dia anterior? Será que... não sei! Eu não sabia. Não sabia quem era
ele. Que eu o encontraria algum dia. Não muito depois dali. Aqueles olhos que
eu não consegui ver, aquela boca que por pouco não me beijou, aqueles braços
que me envolveram e me fizeram sentir em casa seriam meus, todos meus, mas eu
não sabia o que estava me esperando.
Levantei e fui
para a escola. Minha rotina estava cada dia mais...rotineira. Nem sequer havia
diferença entre meus dias. Ia para a escola, ia pra casa, ia pro clube e só.
Estava ficando entediante. Precisava pensar em uma saída divertida para minhas
férias. Ia ser um saco ficar em casa sem fazer nada. Ia morrer. Pensei numa
viagem pelo Brasil. Até mesmo pelo Rio, mas ficar em casa JAMORE! Conversei com
as garotas.
— Que tal umas
férias bem legais?
— Claro que
sim, mas onde?
— Na serra.
Deve estar fazendo um friozinho por lá. Vamos?
— Claro que
não Julie você é louca. Moramos no Brasil, temos sol o ano todo e você quer ir
para a serra?
— Justamente
por isso Glória.
— Vamos para
São Paulo. Lá tem boates lindas e super arrojadas. Deve ser o máximo.
— Tenho uma
ideia melhor Anne. Búzios.
Nana&Karol
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