Páginas

12 agosto, 2012

Capítulo 5


Acordei assustada. Não foi nenhum sonho terrível, nem bom nem nada. Acordei de um salto sem motivo. Faltava uma semana para minhas férias chegarem e eu acordei mais cedo ainda. Devia estar me acostumando à boa vida das férias. Ao invés disso me encontrei olhando para o despertador que apontava 5 da manhã. Ele não tocaria antes das 6 então tentei voltar ao sono, mas não consegui. Estava com calor, agitada, me sentindo doente. Levantei e fui beber uma água para me acalmar. Lá embaixo estava tudo silencioso. Minha mãe acordaria em breve e não queria que ela me visse de pé àquela hora. Começaria a me perguntar sobre o porquê de eu estar acordada e tudo mais. Voltei de fininho para meu quarto e liguei o computador. Li meus e-mails, joguei um pouco e entrei num site sobre países que aceitam intercâmbio. Entre eles os EUA, França, Holanda... Inglaterra.
Comecei a procurar umas escolas por lá, mas não achei nada de interessante. Desliguei, tomei banho, desci e fui tomar café. Meus pais já estavam acordados. Comi algo rápido e fui para a escola.
— Meninas, preciso contar uma coisa. Duas.
— Conta.
Elas estavam sentadas na cantina comendo alguma coisa gordurosa logo cedo. Iam morrer cheias de colesterol, mas não quis repreendê-las no momento. Queria só conversar.
— Saí com o cara da festa ontem pro boliche.
— Mentira, e você nem nos contou.
— Calma Gloria, foi só um passeio. A gente ficou mais uma vez, mas não tem futuro. Ele é gente boa, mas não rola.
— É também achei. Ele é muito bonzinho, cheio de coisinha, nhem... – Anne fez voz de enjoada.
— Não é bem assim não Anne. Ele parece ser um cara bacana.
— Bacana? De onde você tirou essa palavra Julie. Pelo amor de Deus!
— Glória!!!
— Deixa ela. O fato é que tenho que dizer que não rola mais. Não quero ficar iludindo ele.
— Faz bem. Aproveita e vai logo que ele acabou de chegar.
Saí andando devagar na direção dele. E o olhei nos olhos antes de começar.
— Oi, eu queria dizer...
— Oi gata, topa sair comigo hoje a noite?
— Era justamente isso que eu queria falar.
— Ótimo, já pensou em algum lugar pra gente ir, pode ser onde você quis...
— Não. Eu queria dizer que não dá pra gente sair mais. Fui ontem porque não queria dizer não.
— Está dizendo agora.
— É eu sei, mas não quero que siga adiante. Eu não estou em clima de sair e sei que você precisa de uma companhia. Melhor que eu pelo menos.
— Tudo bem, eu entendo. Amigos?
— Sim, claro. —  Dei um abraço nele e sai rapidamente voltando para a mesa das meninas.
— Deu tudo certo?
— Sim.
— Agora conta a segunda coisa.
— Que coisa?
— Você disse que tinha duas coisas para contar.
— Ah sim, quase esqueci. Tive um sonho esquisito. Estava no sol...
Contei todos os detalhes do sonho para elas. Julie achou super romântico, Anne achou que eu deveria esquecer e Glória... não disse nada. Achou legal e só.
Cada vez que me lembrava daquele sonho me sentia mais confusa. Esforçava-me para descobrir quem era aquele cara que me fazia tão bem. Fomos para as aulas e depois para minha casa. Jogamos, comemos, brincamos, foi muito divertido. Pela noite estudamos um pouco, pois ainda estávamos em provas. Elas foram para casa e eu fui ver tv deitada no colo da minha mãe. Contei o sonho para ela.
— Mãe o que você acha?
— Você ficou realmente impressionada com esse sonho não foi?
— Sim, fiquei. Ele me pareceu tão familiar e eu... —   comecei a agitar as mão tentando me explicar, mas as palavras não saiam da minha boca coerentemente.
— Sabe uma coisa que sua avó me contou?
— O que?
— Que os sonhos nos dizem muito sobre o que somos realmente ou o que queremos para nós. Nesse caso acho que é algo que você projetou para si mesma.
—  Não entendi.
— É que você procura alguém como esse rapaz do sonho. Quer que ele te proteja, te abrace nos momentos difíceis e fique ao seu lado, te dando essa sensação de reconhecimento, de amor e proteção. Assim você sonhou. É algo feito pelo subconsciente.
— É, deve ser mesmo, pois meu consciente me diz que está longe de encontrar um cara como esse.
Sorrimos e ficamos lá. Fui dormir. Queria sonhar com ele de novo, ver seu rosto dessa vez, mas não aconteceu nada. Foi só mais uma noite sono tranquila e monótona. Queria mais, queria sonhar. Mesmo que eu acordasse cansada e ofegante e... espera um pouco! Será que tinha algo a ver com meu sonho eu ter acordado ofegante e cansada no dia anterior? Será que... não sei! Eu não sabia. Não sabia quem era ele. Que eu o encontraria algum dia. Não muito depois dali. Aqueles olhos que eu não consegui ver, aquela boca que por pouco não me beijou, aqueles braços que me envolveram e me fizeram sentir em casa seriam meus, todos meus, mas eu não sabia o que estava me esperando.
Levantei e fui para a escola. Minha rotina estava cada dia mais...rotineira. Nem sequer havia diferença entre meus dias. Ia para a escola, ia pra casa, ia pro clube e só. Estava ficando entediante. Precisava pensar em uma saída divertida para minhas férias. Ia ser um saco ficar em casa sem fazer nada. Ia morrer. Pensei numa viagem pelo Brasil. Até mesmo pelo Rio, mas ficar em casa JAMORE! Conversei com as garotas.
— Que tal umas férias bem legais?
— Claro que sim, mas onde?
— Na serra. Deve estar fazendo um friozinho por lá. Vamos?
— Claro que não Julie você é louca. Moramos no Brasil, temos sol o ano todo e você quer ir para a serra?
— Justamente por isso Glória.
— Vamos para São Paulo. Lá tem boates lindas e super arrojadas. Deve ser o máximo.
— Tenho uma ideia melhor Anne. Búzios.

Nana&Karol

Nenhum comentário

Postar um comentário

Muito Obrigada pelo seu comentário!