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27 julho, 2012

Capítulo 2


Eu era bom. Antes de tudo isso eu era bom. Meus pais são maravilhosos. Eles não mereciam isso. Eles não mereciam minha “morte”. Eu estudava na Cambright High School, tinha muitos amigos, era um bom aluno e estava com tudo preparado para entrar na faculdade. Minha bolsa estava em minhas mãos e foi por causa dela que tudo aconteceu. Tenho uma namorada. Ou melhor, tinha. Nós estávamos juntos havia quase um ano. Verônica Malkavian. Conhecemo-nos numa festa da faculdade na qual o primo do Marcus, meu melhor amigo, estuda.
— Qual é cara, você não pode perder essa festa. Meu primo é o melhor organizador de festas que você vai chegar a conhecer. O cara é demais! E você está pensando em ficar em casa estudando?
— Estou sim, não vejo problema. Olha Marcus, eu preciso fazer uma prova amanhã e ainda não peguei no livro.
— Besteira Caine! Você volta cedo, garanto. Eu sei que você não pode deixar seus livros e sua mamãezinha. Ela morreria com sua ausência...
— Tá, cara, eu vou, mas eu preciso voltar cedo. Amanhã eu acordo mais cedo e estudo antes da prova. Mas tem certeza que é tudo legal nessa festa?
— Cara você se preocupa demais. Parece uma garota. Uma garota não, porque as garotas da faculdade dão de dez a zero nas do colégio. Você vai enlouquecer com elas.
— Quero só ver se essa festa vai ser isso tudo que você está prometendo.
— Vai ser muito melhor meu amigo.
E lá nos fomos. Nunca pensei que depois dessa festa minha vida mudaria tanto. Lá conheci a Verônica. Ela estava vestindo um vestido curto e vermelho-sangue com um grande decote. Seus olhos verdes se destacavam totalmente no meio daquela neblina formada pela sua maquiagem escura. Sua boca era vermelha, da mesma cor do vestido. Seu cabelo era longo e castanho escuro, mas na luz adquiria uma tonalidade avermelhada como mogno. Usava um salto finíssimo que a fazia mais alta ainda. Ela não andava. Ela volitava. Nunca tinha visto uma mulher tão linda como aquela. E o que mais me impressionou não foi a beleza dela. Foi ela ter vindo falar comigo. Sua voz era perfeitamente clara e adocicada quando falou.
— Oi, percebi que você está sozinho e um cara tão lindo não pode permanecer assim. Posso te fazer companhia?
— Na verdade...
— Olha cara, eu estou indo ta. Vou falar com meu primo, cumprimentar umas pessoas, nos vemos depois, – e tão baixo que só eu pude ouvir – cara você se deu bem, aproveita.
— Seu amigo não é muito discreto.
— O que?
— Esquece. Vamos falar de nós. Seus olhos são lindos. São da sua mãe?
Minha mãe tem os olhos azuis profundos. Seu cabelo é castanho, quase loiro, não é muito alta, tem a pele muito clara e é muito amorosa. Ela me trata como se eu fosse uma eterna criança apesar dos meus recém completados dezessete anos. Meu pai tinha olhos verdes, cabelos negros, a pele um tom mais escura que a da minha mãe. Não era tão pálido quanto ela aparentava ser. Herdei exatamente o cabelo negro do meu pai e os olhos expressivos e azuis da minha mãe. Só não sei como ela sabia disso. Cada segundo que ficava ao lado dela me sentia mais atraído.
— É, são sim. Você é a garota mais linda daqui. – Ok eu realmente não devia ter dito isso. Logo depois me senti o cara mais retardado da festa.
— Eu sou a mulher mais linda daqui. Mas obrigada. Valeu a tentativa.
Ela me retificou e sorriu. Um sorriso branco como uma nuvem num dia claro. Surpreendentemente branco.
— Desculpe. Eu só gostaria de saber o que levou uma mulher como você a vir falar com um cara como eu.
— Você é... interessante. –Ela falou depois de um momento —  Gostei de você. Eu te vi.
Ok, eu não entendi o sentido de “vi”, mas estava pouco me importando. Estava enlouquecendo com ela ali tão próxima.
— Aqui está muito barulhento. Se você quiser podemos sair e ir para um lugar mais tranqüilo.
— Pensei que teria que te convidar.
Fomos para o jardim, num lugar onde tinham tantas plantas que até parecia uma floresta. Havia um banco de madeira. Sentamos lá.
— Até agora eu não sei o seu nome.
— Meu nome é Verônica Malkavian, Caine.
— Como você sabe o meu nome?
— Eu ouvi seu amigo dizer.
— Mas ele não disse.
— Isso realmente importa? –Não, não importava mesmo.
— Não. Você estuda aqui?
— Não. Eu sou amiga do Robert.
— Não conheço.
— Não tem problema. Você estuda aqui?
—  Não, eu...
E antes que eu a respondesse ela me beijou. Não sei se a conversa estava tão chata que ela quis fechar minha boca de alguma forma ou se fez de propósito, mas foi o melhor beijo da minha vida. E eu não tinha poucas experiências, ao contrário. Já tive várias namoradas, algumas sérias, outras nem tanto, mas esse beijo foi incomparável. Eu senti uma energia explodir dentro de mim. Senti meu sangue ferver abaixo da minha pele e podia ouvir meu coração bater. Foi algo surreal. Não conseguia falar depois que o beijo acabou. Parei de sentir tudo isso, mas eu não queria.
— Foi inacreditável.
— É? Só inacreditável?
— Foi mais que isso, mas eu não conheço palavras para definir esse momento, foi... uma explosão, foi surreal.
— Agora sim, eu estou mais satisfeita com a definição.
E ela me beijou de novo me fazendo sentir tudo aquilo novamente. Nós trocamos telefone e eu passei o resto do meu tempo pensando nela. Verônica nunca falou sobre família. A única coisa que soube é que ela tinha um pai que ela admirava como a uma entidade suprema. Mas nunca fomos apresentados. Ela ia pouco à minha casa e sempre tentava me convencer de que precisava sair de lá, largar minha vida dependente. Dizia que eu precisava amadurecer e fazer minhas próprias escolhas. Só que eu já fazia minhas próprias escolhas. Na verdade ela não queria que eu me libertasse de coisa alguma. Sua intenção era que eu passasse a depender de outra coisa, ou melhor, de outra pessoa...
— Você é muito especial Caine.
— Mesmo? De que forma?—  eu sempre a respondia e a beijava em seguida. Eu estava apaixonado por ela. Verônica era algo indispensável na minha vida desde aquela noite.
— De todas as formas possíveis. E você nem imagina o quanto.
— Eu te amo, sabia?
— Você me diz isso sempre, Caine. Eu também gosto muito de você.
Ela sempre me dizia que eu era especial, mas nunca me dizia como. E ela nunca me disse “eu te amo”. Mas eu não percebia isso. Não percebia nada ao lado dela. Afastei-me dos meus amigos e da minha família, mas ela queria mais.
— Você passa tanto tempo com seus amigos. Você precisa conhecer gente nova. Ver outras caras.
— Mas gosto dos meus amigos. Não vejo problema algum neles.
— Você precisa viver novas experiências, crescer. Eu tenho 19 anos. Você tem 17. Você não percebeu que estamos cada dia mais parecidos? Você só precisa freqüentar os mesmos lugares que eu e encontrar as mesmas pessoas.
— O que você pretende com isso?
— Nos aproximar mais.
— Estou começando a gostar disso. Você nunca falou assim antes. Sempre pareceu na defensiva.
— É que estávamos nos conhecendo. Precisava saber quem você realmente era.
— Você fala coisas confusas, às vezes sem nexo. Eu não entendo. Parece que você pensa coisas que não quer dizer. Ou não pode dizer e solta fios para eu desvendar...
— Bem que falei que estávamos cada dia mais parecidos.
E ela sempre escapava das minhas perguntas me beijando, pois sabia que perdia a noção da vida quando fazia isso. Eu só queria ter descoberto as intenções dela um dia mais cedo.
Estava na reta final das provas escolares. Minha bolsa na faculdade estava pra ser aceita e eu estava totalmente apreensivo. Minha mãe me dava muita força e era nela que me refugiava quando estava fora de mim de tão nervoso. Ela sempre sabia o que me dizer e como me acalmar, mesmo quando eu achava que tudo ia dar errado.
— Caine, querido, você é demais. Você sabe que está preparado para tudo isso e que tudo vai dar certo.
— Mas mãe, eu estava tão nervoso na hora da entrevista. Eu não sabia o que fazer quando o entrevistador me perguntou por que eu queria entrar na faculdade.
— Eu tenho certeza que você se saiu muito bem. Além do mais é um ótimo aluno. Você é especial meu filho e eu te amo por isso. Você é tão bondoso e sincero; tenho certeza que tudo isso contará a favor.
— A Verônica sempre me diz isso. Que eu sou especial, não que eu vou entrar pra faculdade. Na verdade ela acha isso tudo uma bobagem.
— Nunca escondi de você que eu não gosto dessa garota. Ela me parece sombria e misteriosa. Em minha opinião ela não fala o que sente nem o que pensa. Parece-me mais como um personagem. E nunca te apoia nas suas decisões, ela te impõe vontades dela.
— Mãe eu te amo, mas eu amo a Verônica. Eu não gosto quando você fala assim dela.
— Será mesmo que você a ama? Eu acho que tudo isso é só uma paixonite adolescente.
— Não mãe, eu sei bem o que sinto. Quando estou com a Verônica eu me sinto vivo, renovado. Eu sinto sangue correndo nas minhas veias.
— Meu Deus! Nunca imaginei que fosse tão forte. Só não acho que isso seja bom para você.
— Não se preocupe mãe. Eu continuo o mesmo.
— Será que continua mesmo?
Duas semanas depois da entrevista recebi a resposta: tinha sido admitido na faculdade. Ia cursar medicina. Queria ser cirurgião neurologista. Fiquei tão feliz que pensei que fosse explodir.
— Está vendo Caine. Eu te falei que tudo ia dar certo.
— Sua mãe tinha razão. Você será um ótimo médico meu filho.
— Obrigado pai, vocês não imaginam como estou feliz.
— Que bom que tudo deu certo, Caine. Isso merece uma comemoração. Hoje à noite meu pai dará uma festa. Seria uma ótima oportunidade de apresentá-los.
— Eu acho que o Caine deveria comemorar com os amigos e a família dele.
— Eu concordo Sra. Ventrue, mas ele pode fazer isso amanhã. É só um jantar e além do mais seria ótimo para o Caine conhecer meu pai.
— É mãe, é só uma noite. Não haverá problema. Amanhã comemoramos a vontade. E depois eu não conheço o Sr. Malkavian, será bom encontrar meu sogro.
— Eu ainda discordo, mas a vitória é sua. Escolha como quer comemorar.
— Por isso que eu te amo mãe.
— Filho, quero te dar algo de presente.
— Você sabe que não precisa pai.
— Claro que precisa. Meu único filho entrou para a faculdade. Merece algo. Achei que seu carro estava um pouco fora de moda e resolvi trocar. Só daria no seu aniversário de dezoito, mas pensei bem e vi que a ocasião merecia uma comemoração especial. — Novamente essa palavra.
— Mas pai, meu carro só tem um ano.
— Quase dois. E isso não importa. Deixe-me ter uma desculpa para te dar um presente que quero dar.
Nós vivíamos bem. Meu pai era cientista. Ele estava trabalhando num projeto novo. Trabalhava com mutações genéticas em animais. Minha mãe era professora da Cambright High School. Ela não precisaria trabalhar se não quisesse, mas adora crianças e odeia monotonia. Não deixaria seu trabalho por nada nesse mundo. Morávamos num triplex. No térreo ficava a garagem com o meu carro, o da minha mãe e do meu pai, ao lado uma sala de estar, uma sala de jogos, a sala de TV e um banheiro social. No primeiro andar havia um lavabo, a cozinha, a sala de jantar e o escritório do meu pai que mais parecia um mini laboratório super equipado. No segundo andar ficavam as cinco suítes: uma dos meus pais, a minha e as de hóspedes.
— Mas você nem sabia se eu iria passar.
— É claro que eu sabia. Confio em você.
— Ah pai obrigada.
— Você merece Caine, mas vamos logo ver esse carro que já estou ansioso.
Fomos ver o carro. Já estava na garagem. Os olhos da minha mãe estavam aguçados de curiosidade exatamente como os meus. A Verônica estava sem expressão como era geralmente. Ela só esboçava reação quando eu fazia alguma pergunta que ela não queria responder.
— É perfeito pai. Demais!
 O carro era um 911 Turbo S Cabriolet Grafite. Lindo. O carro perfeito. Compacto e rápido. São 315 km por hora. Antes eu tinha um Citroën C5 prata que era maior, mais alto. Estável, mas sem tanta velocidade (exigências da minha mãe). Gosto de correr, sentir o vento cortando a pele do meu rosto, meu cabelo longo voando. Certo que com o frio o carro teria que estar quase sempre fechado, mas estávamos no verão então não haveria problemas.
— Agora você pode ir para a festa com um carro decente. Estou muito orgulhoso de você meu filho.
— Obrigado pai, espero poder corresponder sempre às suas expectativas.
— Você já o faz Caine.
— Bom, eu odeio atrapalhar, mas preciso ir. O jantar será em menos de três horas e preciso me arrumar.
— Eu te levo lá fora.
— Obrigada, até mais Sr. e Sra. Ventrue.
— Até mais Verônica.
— Até. Cuide bem do Caine logo mais.
— Pai, eu não sou mais criança. Eu é que devo cuidar da Verônica.
— Que seja, que seja.
— Que horas será o jantar?
— Às nove.
— Bom, até as nove.
— Até. Não se atrase, Caine. É importante para mim. Para nós dois.
— Está bem, não se preocupe.
E nos beijamos demoradamente. Eu ainda sentia tudo aquilo que senti da primeira vez só que cada vez mais intenso. A cada dia que nos aproximávamos eu me sentia mais apaixonado. Era aterrador. Ela se foi e eu voltei para a garagem para contemplar meu carro novo. Entrei nele, senti o cheiro de carro novo. Passei a mão no painel, peguei no volante, deslizei o dedo sobre a superfície e decidi dar uma volta para experimentar. Mesmo com o frio abri o carro. Avisei meus pais que iria sair e sob as recomendações de cuidado da minha mãe subi a rua que levava à estrada. Acelerei aos poucos e cada vez mais. Corri, mas senti que voava. O vento, os aromas, a vista. Empolguei-me tanto que perdi a hora. Quando vi já eram sete e meia. Precisava voltar, eu tinha uma festa para ir. Estava atrasado para acabar com a minha vida.

Nana&Karol

21 julho, 2012

Capítulo 1



EU tinha uma vida normal, até decidir estudar e morar em Londres. Pensei que não conseguiria me adaptar por causa do clima, das pessoas e tudo o mais, mas pelo contrário, me adaptei tanto que acabei me apaixonando. Sou Charlotte Marie Camarillo, tenho dezessete anos e moro com os meus pais Teresa e Cássio no Rio de Janeiro, Brasil. Tenho três melhores amigas a Julie, a Anne e a Glória. A Julie é brasileira, mas seu pai é Alemão, então ela tem a pele bem branquinha, o cabelo quase ruivo, original, possui algumas sardas no nariz, olhos verde cor do mar e era a menor de todas nós com apenas 1,60m.
Glória é negra, olhos castanhos claros muito atentos por sinal, cabelos castanhos escuros no estilo Black Power. Ela era a mais animada de todas nós, sempre estava nos fazendo rir, sempre com brincadeiras.
A Anne por sua vez é loira, mas seus cabelos têm umas mechas pretas, são na altura da cintura e tem os olhos verde- escuro. É mais nova e também a mais radical de todas. Seu passatempo preferido é tocar violão e cantar.
Passava a maior parte do meu tempo na casa delas ou elas na minha. Quando estávamos na escola não nos desgrudávamos a não ser quando o meu namorado, o Pietro chegava. Ele era o goleiro do nosso time de futebol. Jogava muito bem, tinha os cabelos pretos bem cortados, com olhos castanhos escuros, com seu sorriso fazia qualquer garota se derreter por ele. Não foi muito bem o que aconteceu comigo afinal desde que me entendo por gente nunca me apaixonei por nenhum garoto. Algo me dizia que isso iria mudar.
Apesar de gostar muito daqui, queria ver coisas novas e estava pensando em sair do Brasil. Sei lá talvez para terminar meus estudos e cursar uma faculdade. Talvez só para passear mesmo. Qualquer coisa. Só não queria ficar aqui para sempre. Possivelmente Paris, Amsterdã. Londres. Essa ideia me tentava há algum tempo. Londres era um sonho que gostaria muitíssimo de realizar. Talvez pelas ruas, pela cultura, pessoas, estilos. Não sei. Só tinha certeza de uma coisa: que aqui não ficaria mais por muito tempo.
Na escola as coisas não iam muito bem: havia uma nova aluna na minha classe que dava em cima de vários garotos e entre eles, o Pietro. Ela tinha cabelos curtos com ondas perfeitamente elaboradas, olhos cor de mel, boca torneada, magra, mas com o corpo cheio de curvas, olhar sensual, mas com a cara de sonsa, sabe? Todos os garotos ficavam babando quando ela passava. Claro, para as garotas isso não era nada legal e no meu caso, mesmo não estando apaixonada pelo Pietro, merecia respeito e muito. Mas não foi isso que tive um desses dias. Um tempo depois da chegada da Alícia, essa novata idiota, os encontrei no maior amasso logo depois da aula da Educação Física, no cantinho onde costumava me encontrar com o Pietro.
 — Char!? Amor, não é nada disso que você está pensando. Nós estávamos apenas conversando.
— Sério? Não sabia que pra conversar eram necessários a troca de saliva nem os abraços.
— O que mais você queria Charlotte, você não dá atenção ao Pietro ele simplesmente achou alguém que desse.
— Olha não se mete ok, é melhor você sair da conversa. Isso é só entre o Pietro e eu. Ou melhor, fica aí, continuem ‘conversando’. Eu é que vou embora. – Dei as costas e sai o mais rápido que pude, mas ainda deu pra ouvir o fim da conversa.
— Char!
— A deixa ir Pietro, ela não gostava mesmo de você.
— É eu sei, mas não deveria ter feito isso com ela.
— Você é um idiota mesmo, fica se preocupando com ela depois de tudo.
— Cala boca sua...
Encontrei com as meninas no portão da escola e fomos pra casa. Estava calada durante todo o caminho, e mesmo as meninas tentando saber o que aconteceu não quis contar nada. Era melhor guardar pra mim, pelo menos por um tempo, mas não tive esse tempo. No dia seguinte toda a escola já estava sabendo do que havia acontecido. Todas as vezes que passava pelos corredores as outras meninas começavam a zombar.
—  Eu não acredito que ela perdeu o namorado em o quê? Uma semana?
—  A Alícia é mesmo rápida, ainda bem que meu namorado não estuda aqui, porque se estudasse andaria de olhos vendados.
— Relaxa Char, não quero ver você cabisbaixa por causa disso. – disse Glória.
—  É Char, relaxa – disse Anne.
O Pietro até tentou falar comigo, mas não dei chance dele dizer nem Oi que cara de pau a dele, me trair e ainda vir falar comigo. Só se eu fosse uma idiota ou estivesse muito apaixonada falaria com ele (e não era nem uma coisa nem outra). Dei as costas e o deixei falando sozinho.
Meus pais gostavam muito do Pietro e estranharam ele não aparecer lá em casa.  Já estava começando a esquecer do ocorrido. Estávamos jantando quando o meu pai resolveu me perguntar sobre ele.
—  Charlotte, onde está o Pietro, nunca mais o vimos aqui, vocês geralmente vão juntos a escola e ele sempre está ligando para você, mas de uns dias pra cá não o vejo mais. Todas as vezes que ele te liga você não quer atender, o que houve? Vocês brigaram?
— Também pai, mas foi pior que isso. – disse com os olhos cheios de lágrimas, estava começando a não aguentar mais a pressão sobre esse assunto.
—  Charlotte, o que houve? – disse minha mãe.
Larguei os talheres e com as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas respondi.
—  Ele me traiu mãe. O filho da mãe me traiu na maior cara de pau bem no local onde agente costumava se encontrar depois das aulas e ainda por cima toda a escola já sabe. Eu não posso passar pelos corredores que escuto todas as meninas cochichando sobre isso. Não agüento mais. Que raiva! Eu tenho vontade de ir a casa daquele desgraçado e bater nele até que ele sangre.
—  Calma, Charlotte, por favor, se acalme. Tudo vai ficar bem, depois de um tempo todo mundo esquece eu lhe garanto. Já que já terminou de jantar, sobe toma um banho e tenta dormir, amanhã é sábado e você pode ir à praia com as meninas e se divertir um pouco, não é querido?
— Isso mesmo Charlotte, dorme e relaxa. Se ele fez isso não tem valor nenhum para que você fique aí chorando.
— Ok. Eu vou fazer o que vocês estão me dizendo, estou cansada mesmo e vai ser bom sair com as meninas amanhã, estão me reclamando que não saí muito com elas depois de tudo isso. Não vou ficar chorando por aí por causa desse cretino. Boa noite mãe, boa noite pai. – Dei- lhes um beijo e fiz o que me pediram.
Subi, procurei minha roupa de dormir mais confortável, pus na cama e fui ao banheiro. Enchi a banheira com água bem quente, pus sais bem aromatizados, hidratante e o que mais achei lá por cima. Um dia acabaria com problemas pele. Sorri a esse pensamento e me animei mais. Entrei na banheira e comecei a pular. Estava quente pra caramba. Fui me acostumando e me deitei. Pus meu mp4 e escutei minhas músicas prediletas. Fiquei lá e peguei no sono. Tive um sonho esquisito. Olhos brancos me fitavam românticos, doces. Cabelos negros caiam ao redor do rosto que eu não conseguia enxergar apresar da proximidade. Senti medo ao princípio, mas um sorriso brilhante apareceu naquele rosto então uma calma me invadiu. Quando acordei a água estava fria. Levantei e olhei o relógio. Já passava das duas da manhã. Saí da banheira e me troquei. Cambaleei até a cama e me joguei lá.
Na manhã seguinte eu e as garotas fomos à praia. Não tinha dado muita importância ao sonho então nem comentei com elas. Começamos a conversar sobre a festa de aniversário da escola.
— Meu Deus, a festa já é na próxima semana e eu não comprei o meu vestido ainda. – disse Glória.
— Nem me fala Glorinha. O David não me falou nada sobre ir ao baile com ele e nem sei se ele vai. Não estamos JUNTOS, mas gostaria muito que ele me convidasse pra ir com ele. – disse Anne.
— Nós bem que podíamos ir ao shopping amanhã e fazer umas comprinhas pra essa festa não é? – disse Glória.
—  E aí Char, você está dentro? – disse Julie.
— Acho que não meninas, e também com quem eu iria? Com o nerd do Daniel? Porque ele é o único que não zomba de mim na escola. – disse.
— Charlotte Marie! As pessoas não estariam zoando de você se demonstrasse que isso é uma página virada da sua vida. – disse Glória.
—  Nossa ela ficou com raiva dessa vez! – disse Anne.
Todas nós rimos do comentário da Anne e esquecemos o assunto. O tempo foi passando e enquanto estávamos de bobeira fiquei pensando no que a Glorinha me disse e tomei uma decisão.
— Sabem de uma coisa meninas. Vocês estão certas, eu não gostava tanto dele assim. Eu não vou me rebaixar, ah! Não vou mesmo. – disse.
— Isso mesmo! – disseram uníssono.
Marcamos onde nos encontraríamos no dia seguinte. Passeamos um pouco pela praia e fomos para minha casa, minha mãe sempre fazia uma festinha pra nós todos os fins de semana, pois ela amava ver a casa cheia de gente. Apesar de ser filha única queria ter outros irmãos, mas depois do meu parto minha mãe teve algumas complicações e não pôde engravidar novamente.
No dia seguinte fomos ao shopping comprar os nossos vestidos. Não que nós não tivéssemos roupa para a festa, mas é sempre bom fazer umas comprinhas. Entramos em várias lojas, experimentamos roupas em todas elas e finalmente achamos uma que provavelmente nos agradaria. Entramos nessa loja e começamos a procurar nossas coisas.
— E aí meninas? Como estou? – disse Julie, que usava um vestido vinho no joelho com busto em forma de saquinho.
— Está linda Jú. E eu meninas como estou? – disse Glória vestida com um verde musgo também no joelho.
—  Esse vestido é igual ao meu se toca Glória!
— Não é nada! O meu é muito mais bonito. É mais rodado embaixo.
— Hum, rodado. Combina com você realmente.
— Sua vaca. Cala a boca.
Todas nós rimos daquele comentário infeliz, mas que logicamente não era de verdade. Roupas, maquiagens e sapatos para nós só não eram mais importantes que nossas famílias e nossa amizade. Eram mais importantes até que os garotos. Maquiagem fica até depois de uma chuva. Garotos fogem na primeira tempestade.
—  Amei seu vestido Glorinha, e o meu? Não sei se ficou legal. – disse Anne com um lindo vestido soltinho preto cheio de lantejoulas que davam um efeito esbranquiçado na luz.
— Olha Anne não precisa nem ter dúvida: leva ele que está lindo. Eu é que estou indecisa entre esses dois aqui. Então o que vocês acham? O roxo, ou o azul? —  Disse, segurando um vestido em cada braço.
— Olha, acho melhor o roxo – disse Anne.
— Eu também. – disse Glória.
— É leva esse Char, ficou o máximo. – disse Julie.
— Está bom, vou levá-lo. – disse.
Saímos da loja com os nossos vestidos e fomos assistir a um filme.
— Nossa esse filme foi perfeito.
— Comédias românticas me enjoam.
— Nossa Anne como você é insensível.
— Eu não sou insensível, Julie, vocês é que são muito menininhas.
— Ok, ok garotas. Vamos comer algo estou morrendo de fome.
 — O que? Você acabou de se encher de pipoca Glória. Você vai engordar e morrer rolando.
— Credo! Vocês sabem que eu não engordo. Não posso fazer nada.
— Olha vamos logo tá. Até eu estou ficando com fome. – só assim para acabar com a discussão.
No dia da festa estávamos todas muito ansiosas pra chegar a hora de começar. Todas nós fomos para a casa da Anne, que era a mais próxima da escola e o David, seu novo namorado, ia nos buscar.
Demoramos muito a nos arrumar, pois quatro garotas juntas se preparando para uma festa sempre se atrapalham em alguma coisa. A Anne queria uma maquiagem escura então tive que fazer algo como escurecer os olhos e clarear a boca ou ela iria parecer uma vampira sedenta. A Glória e a Julie ainda reclamavam uma com a outra por causa do vestido parecido.
— Eu não posso acreditar que você me copiou mesmo. Eu te odeio Glória.
—  Eu também te odeio por me odiar, não fala mais comigo sua idiota.
— Calma garotas, parem com isso e se abracem. Logo. Temos que nos apressar. Logo, logo o David chega e estaremos de lingerie ainda.
Elas se abraçaram e ficaram lá prometendo que nunca mais se copiariam nem brigariam por roupas. Enquanto elas declaravam sua amizade eu me apressava com minha maquiagem. Usei delineador e lápis bem escuro, com sombra clara e batom rosa. As garotas terminaram de se maquiar levemente e calçamos nossos lindos sapatos. A Glória com um scarpin preto, a Julie com uma sandália com tiras com um salto finíssimo, a Anne com uma sandália preta com zíper na frente e eu com um sapatinho da cor do vestido com um laçinho em cima. Olhamo-nos no espelho juntas e vimos como ficamos lindas. Esperamos o David chegar.
Ele também fazia parte do time de futebol, assim como o Pietro, tinha os cabelos pretos quase da cor dos meus, cortado não muito curto. Era um cara super legal, e mesmo antes de começar a ficar com a Anne ele era o nosso amigo. Bom, mais porque ele era amigo do Pietro, mas que depois do que ele fez o David parou de falar com ele.
—  Oi, meninas. Uau vocês estão lindas. – disse David e deu um beijo muito apaixonado na Anne. —  Como você está?
—  Melhor agora. – disse Anne sorrindo.
—  E aí Charlotte, melhor? – disse David.
—  Melhor do que nunca, obrigado por perguntar. – disse.
—  Sabe que se quiser que eu parta a cara dele é só me avisar, ok. – disse ele rindo.
—  Bom, valeu por se oferecer, mas se alguém for partir a cara dele, essa pessoa será eu. Se bem que pra mim não importa mais. Quero mais que ele seja feliz com ela, afinal estou muito bem sem ele.
Todos nós rimos e entramos no carro. Chegando perto da escola já se dava pra ouvir a música tocando e os gritos dos alunos. Assim que entramos a Julie achou seu namorado no meio de vários meninos e foi falar com ele.
—  Meninas, volto logo. —  disse ela e foi atrás dele.
Algum tempo depois o Pietro e a Alicia apareceram na nossa linha de visão e ele olhou pra mim com uma cara triste. Provavelmente se arrependeu de ter feito aquilo comigo, mas eu nem liguei. A Alícia estava linda com um vestido rosa balonê com o busto cruzado. Eles passaram por nós e sorri, mas não estava focada neles e sim em um dos meninos que era amigo do David, percebi que ele estava de olho em mim e fui lá conversar com ele. O Pietro precisava ver que eu tinha superado.
—  Oi, percebi que você estava olhando pra mim. Meu nome é Charlotte, mas pode me chamar de Char como quem importa me chama. – disse eu.
—  Oi, sou Michael, e eu realmente estava olhando para você. A propósito está linda nesse vestido. – disse ele.
—  Obrigada, você também está muito bem. – disse eu.
—  Quer dançar? – disse Michael.
—  Quero sim. – disse.
Nós divertimos muito na festa. Eu e o Michael conversamos muito durante a dança e toda a noite. Ele tem o cabelo parecido com o do David, olhos castanhos, é muito lindo mesmo. Realmente daria um bom namorado se eu estivesse procurando por um.
— Não consigo.
— O que você não consegue?
— Passar mais um segundo só olhando para você.
Ele me beijou de surpresa bem na hora que o Pietro passava por nós com a Alícia. A garota só faltou cortar os pulsos e arrancar os cabelos (não necessariamente nessa ordem) porque o Pietro olhou enciumado para mim. Ele fez uma cara de cachorrinho abandonado revoltado. E ela fez uma cara patética. Se bem que eu acho que ela não mudou muito de expressão. Ela já tinha uma cara patética. Quando o Michael me soltou olhei para ele surpresa.
— Nossa. Que surpresa. Eu não esperava por esse beijo.
— Não mesmo? Quanto tempo um garoto consegue ficar perto de você sem fazer nada? Se eu fosse você não ficaria tão surpresa assim. Você é excepcionalmente linda. — Nem o Pietro nem nenhum outro cara tinha me tratado assim antes. Esse cara daria sim um ótimo namorado. Quando nos sentamos ele foi buscar refrigerante para mim.
— Charlotte Marie, você não nos contou sobre esses planos.
— Desculpem garotas, mas é que nem eu sabia o que esperar dessa noite. Foi tudo muito rápido.
— Percebemos. A Glória quase caiu dura quando viu.
— Quase caí mesmo. Nunca imaginei ver você com outro cara tão rápido.
— Eu não estou com ele. Eu fiquei com ele hoje. E só. Não vai passar disso, apesar dele ser uma gracinha.
— Own que coisa mais linda.
— Lá vem você de novo Julie. Ele é um gato mesmo, mas esse “own que coisa mais linda” não! Por favor.
— Tudo bem, Anne, mas ele é fofo mesmo.
— Tudo bem, ele está voltando com meu refrigerante. Acho que vai me levar em casa, então quando todas chegarem liguem para mim ok. Falamos mais sobre essa noite. Quero que vocês me contem o que aconteceu com as senhoritas enquanto eu estava digamos... ocupada.
— Tudo bem senhora ocupada.
— Até o telefone.
— Tudo bem.
Como previ, ele fez questão de me levar para casa. Como já tinha falado com as garotas fui direto para casa.
— Foi uma noite incrível. Obrigada pela companhia.
— Obrigada você por ter me feito o cara mais feliz da festa essa noite.
— Tudo bem não precisa exagerar tanto assim.
— Não estou exagerando. Estou falando a verdade.
— Obrigada assim mesmo. Preciso entrar está tarde e é perigoso ficar aqui fora. O Rio não é mais seguro desde... desde alguns séculos atrás.
— Tudo bem. Então boa noite.
Ele aproximou-se devagar e nos beijamos. Foi bom. Ele foi embora e eu subi correndo na ponta dos pés descalços para o meu quarto. Adorava aquele lugar, meu cantinho. Minha casa era de andar, no térreo ficava a sala, cozinha, varanda, garagem, sala de jantar, sala de TV e lavabo e no andar de cima ficavam os quatro quartos com suíte e o escritório do meu pai. Mas meu quarto era melhor que tudo aquilo. Era lindo demais: paredes roxas, uma cama de casal branca com desenhos de flores rosa feitos à mão localizada lateralmente de frente para a porta, um criado mudo também branco, o hack do computador maple ao lado contrário da cama, perto da janela de frente para o guarda roupas maple também, uma escrivaninha do lado direito da cama, uma penteadeira vizinho à porta, um tapete no meio do quarto com círculos coloridos e um mural com fotos. No meu banheiro tinha uma banheira no canto esquerdo. Com esse pensamento tomei banho e fui dormir.

Nana&Karol

Sinopse



Caine Ventrue. Charlotte Marie Camarillo. Duas pessoas, uma ligação.
Charlotte era uma menina simples,  com três super amigas e morava no Brasil. Até que uma viajem mudou o trajeto de sua vida.
Caine era um garoto de boa família, com bons amigos e boas notas. Até que uma mulher misteriosa e um namoro inesperado muda a sua vida para sempre.
Eles se encontram no momento mais complicado de suas vidas e passam a viver um amor nunca sentido por ambos. Passam a ter sentimentos desconhecidos. Mas principalmente passam a conhecer um mundo que para todos é impossível.
A união desses jovens nos leva a um mundo novo e sobrenatural.
Com criaturas malignas, que fazem tudo pelo poder e que não medem esforços para alcançá-lo.
E é com a ajuda de amigos e do amor que eles aprendem o verdadeiro sentido desta batalha.

17 julho, 2012

Bem-Vindos!


Olá. Bem-vindos ao nosso blog. Essa é a postagem de lançamento. Há algum tempo atrás eu e Karol decidimos criar um mundo novo. Onde tudo que quiséssemos fosse possível, onde existissem aventuras, romance, novidades, ação. E daí surgiu Anônimo. Postaremos aqui aos sábados um capítulo por vez dessa história contagiante. Acompanhe você também o encontro de Charlotte e Caine.